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___Caros
amigos listeiros, achei interessante e estou repassando.
Um grande
abra�o___
khetlynn
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ASS�DIO MORAL: O FR�GIL PODER DOS IMPOTENTES.
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Atualmente, um
assunto aparentemente novo tem circulado nos meios organizacionais. Trata-se do
ass�dio moral, j� discutido em sua vertente sexual mas s� recentemente
dimensionado nessa nova dire��o. Por ass�dio, entende-se o ato de importunar
um indiv�duo, molestando-o e hostilizando-o com insist�ncia para atingir
objetivos pr�prios. Falamos, aqui, de uma pr�tica antiga e perversa do poder que
atinge a auto-estima daqueles que s�o submetidos a ela, reduzindo seu potencial
criativo. � o mau uso da autoridade, ou melhor, o abuso do autoritarismo que,
agora, ganha um nome: ass�dio moral.
A sociedade despertou para o assunto
com a publica��o do livro "Ass�dio Moral - A viol�ncia perversa no cotidiano" -
Ed. Bertrand Brasil, da psiquiatra Marie France Hirigoyen. S�o in�meros os
danos causados ao estado f�sico-emocional daqueles que sofrem o ass�dio:
altera��es do sono, dist�rbios alimentares. diminui��o da libido, aumento da
press�o arterial, des�nimo, inseguran�a, entre outros, podendo acarretar em
quadros como o p�nico e a depress�o. Aquele que comete o ass�dio parece
encontrar em sua v�tima uma via de ascen��o e afirma��o de seu poder e
superioridade. � o exemplo de chefes que gritam e humilham seus subordinados,
professores que ridicularizam e constrangem seus alunos, pais que desrespeitam e
agridem seus filhos com palavras ou gestos, c�njuges que menosprezam seus
companheiros, etc...
Analisar os motivos que fazem de um indiv�duo
"agressor" ou "v�tima", torna-se necess�rio para um melhor entendimento dessa
quest�o. Detendo-nos em uma simples reflex�o, poderemos observar que se o
agressor necessita humilhar o outro para afirmar-se enquanto poder, ele mesmo j�
est� revelando o quanto teme o poder de sua v�tima e o quanto desconfia da sua
compet�ncia. Des-confiar significa sem confian�a que, por sua vez, implica em
n�o contar com o aval do outro - com-fian�a. Esse aval � o que legitima nossa
credibilidade e compet�ncia. Se n�o acreditamos em nossa capacidade, aptid�o e
idoneidade para resolver os assuntos que nos competem, ent�o, a a��o tem que ser
no grito, na opress�o e humilha��o do outro, porque na desvaloriza��o do outro
pode-se encobrir a nossa fragilidade e indig�ncia.
Autoridade e
autoritarismo n�o s�o a mesma coisa. O autorit�rio age com vistas na
domina��o do outro, aprisionando-o para que ele n�o constitua amea�a � sua
fr�gil confian�a. A autoridade, por sua vez, age com poder leg�timo, ou seja,
consciente de suas compet�ncias, conhecimentos, possibilidades e limita��es,
propiciando ao outro o espa�o de liberdade onde as coisas podem aparecer, serem
criadas, desenvolvidas e transformadas. N�o podemos negar, entretanto, a
exist�ncia de personalidades m�rbidas, sustentadas por uma racionalidade
destrutiva, onde o cuidar de si e do outro � amoral e perverso. Mas, dada a
complexidade do assunto, fiquemos na abordagem filos�fica do tema e suas
provoca��es que muito contribuem para ampliar nosso horizonte
existencial. Muitos de n�s temos uma conduta acomodada, acolhida pelo
paternalismo no qual fomos educados e temos dificuldade de encarar e acreditar
naquilo que vemos e sentimos mais intimamente. N�o fomos encorajados a
questionar e sim a aceitar o que nos � imposto atrav�s da cultura e dos val�res
sociais. Atualmente, a amea�a de desempr�go, a crise econ�mica e a super
valoriza��o do ter sobre o ser tem gerado muitos agressores e muitas v�timas.
Mas, como se costuma dizer: "Para todo s�dico, sempre h� um
masoquista".
As supostas "v�timas" de ass�dio parecem optar pela c�moda
posi��o de n�o ser respons�vel por seu destino; n�o tomam o gesto como uma a��o
que � sua; n�o percebem que optar por ser "v�tima", tamb�m, confere-lhes culpa e
responsabilidade. Em outras palavras, � a v�tima que alimenta o
agressor. Avaliando mais detida e realisticamente o que j� foi dito,
compreenderemos que n�o existem nem "v�timas" nem "agressores", ou melhor, nem
culpados, nem inocentes. Todos n�s somos capazes e respons�veis por como somos e
vivemos. Citando Guimar�es Rosa: "Tudo que acontece, carece e se
merece".
Faz-se imprescind�vel, no entanto, um s�rio investimento no
�mbito da Educa��o, onde o projeto maior seja o desenvolvimento do homem em sua
credibilidade, senso-cr�tico, �tica e respeito pelas idiossincrasias
humanas. A tarefa do homem � ser e fazer hist�ria. Poder ser � a liberdade
fundamental para que n�o nos encerremos em cada ato, que n�o nos esgotemos em
cada palavra. Seremos sempre respons�veis pelo nosso ser e vir a ser. A nossa
constru��o, mais ningu�m a far�. Nossa escolha sempre ser� solitariamente
nossa. Cabe-nos, ent�o, cuidar de n�s e do mundo para que nossa exist�ncia
seja uma constru��o significativa, uma hist�ria que far� diferen�a e dar�
legitimidade a todo o nosso fazer.
Que possamos ser, simplesmente, homens
que tem a vida como tarefa, infinitas possibilidades e um desejo enorme de
acertar.
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