----- Mensagem original -----
De: "Kika" <olencatilmann@
Enviada em: sexta-feira, 2 de agosto de 2002 21:52
Assunto: CIRO GOMES


Para quem esperava que Ciro Gomes fosse uma alternativa, algo novo, tudo �
decep��o. Ciro eleito significa Antonio Carlos Magalh�es indicando
ministro, � reconduzir o detest�vel cacique ao poder. At� poucos dias,
era coordenador da campanha de Ciro um dos maiores corruptos do Paran�,
Jos� Carlos Martinez, hoje sabidamente relacionado com o "esquema PC". O
vice do Ciro, Paulinho de Tal, � uma das figuras mais truculentas do
movimento sindical. Novo? Nova decep��o! S� isso.



Date: Tue, 30 Jul 2002 19:33:56 -0300
To: MEUPOVO@
From: Alexandre <atdarocha@
Subject: CURRICULUM VITAE


Curriculum vitae

O principal assessor de Ciro Gomes, o deputado Jos� Carlos Martinez, do PTB
paranaense, tem um curriculum invej�vel. O jornalista H�lio Fernandes
relacionou algumas. Enquanto o Zambiasi, que deve saber dos demais
certificados de honra ao m�rito e demais iliba��es, n�o se pronuncia a
respeito de seu colega, a� vai uma pauta para debate.

1 - O "empr�stimo" de PC Farias est� muito mal contado.
2 - Sabia-se muita coisa de PC Farias, menos que fosse agiota.
3 - Martinez, logo que surgiu a quest�o do "empr�stimo", afirmou: "Est�
tudo declarado � Receita". Nada foi declarado.
4 - A pr�pria Receita suspeita que Martinez tenha sido apenas e v�rias
vezes, "laranja" do pr�prio PC.
5 - Esse "empr�stimo" de PC para Martinez, nunca foi contabilizado em lugar
algum, teria vindo de outros "laranjais".
6 - Nenhum dos recursos de PC Farias tinha origem leg�tima. Este
"empr�stimo" seria uma nova opera��o-Uruguai.
7 - Seria violent�ssima opera��o de lavagem de dinheiro, sem d�vida ou
protela��o.
8 - O deputado Jos� Carlos Martinez n�o � estreante em acusa��es.
9 - Na Caixa Econ�mica de Curitiba, existem digitais dele em muitas
opera��es ileg�timas, favorecidas, e at� il�citas.
10 - Foi ele que indicou o presidente dessa Caixa, e se aproveitou muito do
fato.
11 - Na transfer�ncia de uma f�brica de azulejos de Santa Catarina,
Martinez teria ganho algumas esta��es de r�dio e televis�o.
12 - Esses fatos n�o se constituem em simples acusa��es j� redundaram em
processos. Que ele consegue paralisar com o prest�gio de deputado e de dono
de televis�o.
13 - Quer dizer: como � dono do veneno, Martinez fabricou o pr�prio
ant�doto. Que j� est� fora da validade.
14 - Em 1990, candidato ao governo do Paran�, Martinez foi derrotado pelo
hoje senador Roberto Requi�o.
15 - Este acusou Martinez de violenta "grilagem" com as terras do pai,
Oscar Martinez.
16 - Al�m das acusa��es, as fitas da campanha de 1990, j� chegaram ao
bunker de Guanaes, e ser�o utilizadas.
17 - No Hotel Grand Bittar, em Bras�lia, Guanaes passou os �ltimos dias
enfeitado com essas fitas.
18 - Numa dessas fitas, um debate editado pela Globo em 1989. Participavam
Lula e Collor. Agregada a essa fita, uma do deputado Martinez com a depois
ministra, Zelia Cardoso.
19 - Ambos confessam a participa��o no plano e no projeto do confisco das
contas banc�rias.
20 - � por causa de coisas como essas, que Nizan Guanaes, Nelson Biondi, o
Planalto e o Serra apostam e garantem: "Vamos subir muito quando formos
para a televis�o".

E depois Ciro n�o quer ser comparado a Collor. Collor era melhor, pois era
o original!

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Flertando com o fascismo



Quarta-feira, 31 de julho de 2002
O Estado de S. Paulo


Flertando com o fascismo



Se h� um texto de leitura obrigat�ria no atual momento brasileiro � o do
programa de governo de Ciro Gomes - sobretudo as passagens que descrevem
os seus planos de reforma das institui��es pol�ticas, que n�o poupam nem o
regime federativo. A obriga��o � ditada pela sua ascens�o nas pesquisas.
Pois, se as chances de Ciro fossem as de um En�as em pleitos anteriores,
essas propostas poderiam ser sossegadamente esquecidas como
destrambelhadas fantasias autorit�rias de concretiza��o t�o improv�vel
como as aspira��es de quem as sustentasse. Dadas as circunst�ncias, por�m,
a rea��o a elas n�o pode ser de descaso - mas de profunda inquieta��o.
Esta p�gina j� analisou, domingo, dois motivos de sobressalto diante do
cen�rio em que um aprendiz de feiticeiro, na chefia do governo, tente
adaptar as institui��es ao seu voluntarismo e avers�o � negocia��o. S�o
eles a "parlamentariza��o" do presidencialismo e a "democracia direta" com
que sonha o candidato, inspirado em seu ex�tico mentor, Roberto Mangabeira
Unger, baiano de sotaque ianque que leciona Filosofia do Direito na
Universidade Harvard. A "parlamentariza��o" est� assim "explicada" no
programa do candidato: "Como maneira de dotar o regime presidencial de
mecanismos para a resolu��o de impasses, parlamentarizando-o (sic!),
propor que tanto o presidente quanto o Congresso possam unilateralmente
(sic!) convocar elei��es antecipadas para os dois poderes, quer diante de
um impasse program�tico ou legislativo abrangente e persistente (sic!)
quer em resposta � desintegra��o de uma base partid�ria capaz de sustentar
um projeto forte de governo." A proposta de "democracia direta", de certa
forma, redundante da anterior, remeteria ao eleitorado, na base do "sim"
ou "n�o", a decis�o plebiscit�ria sobre projetos complexos e
controvertidos.
Os disparates que o leitor acabou de ler t�m complementa��o: o programa
prop�e tamb�m um "federalismo flex�vel", mediante a institui��o de
"colegiados transfederais" para, nas �reas de educa��o e sa�de, promover
"a redistribui��o de recursos dos Estados e munic�pios mais ricos, de
acordo com crit�rios a negociar" (grifo nosso). Em primeiro lugar, o
candidato parece ignorar que o atual governo, no que foi um dos seus
maiores avan�os, acabou com as transfer�ncias negociadas entre as
diferentes esferas federativas - fonte hist�rica de barganhas
clientel�sticas. A aloca��o dos recursos est� hoje subordinada a crit�rios
estritamente objetivos, como os que regulam a distribui��o de verbas do
Fundef, na educa��o, e os repasses do SUS, na sa�de. Na realidade, o que o
candidato prop�e serviria apenas para discriminar Estados e regi�es e,
assim, distribuir recursos de acordo com interesses pol�ticos - o mais
priorit�rio dos quais, como veremos em pr�ximo editorial, � prejudicar S�o
Paulo.
Segundo - e mais importante ainda, do �ngulo da estabilidade institucional
-, essa flexibiliza��o viria no bojo de uma "repactua��o da Federa��o",
seja l� o que isso possa representar, al�m de um f�sforo aceso na mata
seca. N�o � dif�cil entender por qu�. O pr�ximo Congresso deixar� saudade
do atual, em mat�ria de estrutura��o e organicidade pol�tica. O dado
talvez mais alarmante da disputa sucess�ria � a decomposi��o do sistema
partid�rio de apoio - e de oposi��o - ao presidente Fernando Henrique. A
forma como se agruparam as siglas nestes �ltimos oito anos parecer� um
modelo de limpidez program�tica e coer�ncia pol�tica, de fazer inveja a
uma Gr�-Bretanha, perto do que resultar, para a atividade legislativa, da
absoluta mix�rdia oportunista de alian�as eleitorais que marca a campanha
em curso e n�o promete nada de bom.
Ciro Gomes, para citar o exemplo mais not�rio, tem a seu lado Leonel
Brizola, Antonio Carlos Magalh�es e Jorge Bornhausen, a tropa de choque de
Fernando Collor, o antigo Partido Comunista Brasileiro e a direita militar
de pijama. Se eleito - e pretender cumprir as suas promessas - acabar�
fazendo aquilo a que Fernando Henrique, mesmo no auge da sua popularidade,
sempre se recusou: entrar em conflito com o Congresso. Longe de ter ali
qualquer coisa parecida com a base de sustenta��o que, a duras penas, o
presidente soube manter, Ciro n�o conseguir� aprovar nem o
presidencialismo-parlamentarista, nem a democracia plebiscit�ria, muito
menos a repactua��o federativa - porque nada polariza tanto os pol�ticos
como os interesses regionais.
Mas, enquanto perdurar a queda-de-bra�o com o Congresso - contra o qual,
cedo ou tarde, Ciro ser� tentado a mobilizar as "maiorias
desorganizadas"de que fala no programa -, o seu pendor bonapartista
mergulhar� o Pa�s em um torvelinho de incertezas institucionais, que
refor�ar�o as crispa��es econ�mico-financeiras que j� afetam o Pa�s e, por
sinal, se agravaram com o crescimento de Ciro nas pesquisas. Nenhuma for�a
comprometida com a democracia, a come�ar do PT de Lula, pode desconsiderar
essa amea�a. E todas t�m o dever de advertir o eleitorado para o perigo de
uma candidatura que flerta com o fascismo.

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Valor Economico, 17/7/2002 artigo de Eliana Cardoso
O vira-casaca
N�o voto em Ciro Gomes porque ele n�o me inspira confian�a. Manipula
fatos a seu favor. Usa n�meros para confundir em vez de esclarecer.
� mal informado. Muda de opini�o quando lhe conv�m. E sua personalidade
messi�nica lembra as personalidades de J�nio Quadros e Fernando Collor
de Mello. Ciro manipula fatos. Quando fala de sua liga��o com o Real
n�o menciona que quando assumiu o cargo de Ministro da Fazenda a nova moeda
j� estava em circula��o. Nem que chegou ao posto quase por acaso, nomeado
por Itamar ap�s a demiss�o do Ministro Ricupero por causa de uma entrevista
infeliz. N�o relata que ocupou o minist�rio por apenas quatro meses
e que n�o foi confirmado no cargo por FHC: conflitos com outros membros
da equipe econ�mica faziam de Ciro um entrave ao bom funcionamento do
programa. Despeitado, prefere dizer ao Valor, 11/7/2002, que foi ele
quem rompeu com o governo. Na entrevista ao Jornal Nacional, 8/7/2002,
diz que suas metas s�o objetivas, mas na entrevista � �poca, 8/7/2002,
diz que sua meta de infla��o � zero. Embora j� tenha dito que � contra
as metas de infla��o, agora diz que est� disposto a conversar com Arm�nio
Fraga. Se ele viesse a firmar um acordo de transi��o, que valor teria seu
compromisso? Na entrevista ao Jornal Nacional, proclamou-se um homem
indignado. Mas o bate-boca com seus entrevistadores da �poca revela=
um homem destemperado e temperamental. Um pol�tico sem autocontrole seria
um desastre como presidente. Indagado sobre a raz�o da escolha de seu
irm�o para tesoureiro eleitoral, Ciro respondeu: "N�o � da sua conta".
Um megaloman�aco sup�e que o financiamento de sua campanha eleitoral
esteja acima do escrut�nio de jornalistas e eleitores. A desinforma��o
de Ciro Gomes sobre nosso sistema tribut�rio � flagrante na entrevista ao
Jornal Nacional. Ali, disse que o Brasil precisa de um imposto sobre o consumo
de produtos sup�rfluos como bebidas, cigarros e carros de passeio. O
imposto sobre produtos sup�rfluos j� existe: as taxas seletivas do IPI
s�o muito mais altas para os produtos mencionados. O candidato erra outra vez
quando diz que o imposto deveria ser na ponta, na hora de comprar, e que assim
� em alguns pa�ses da Europa. L� como aqui, o imposto sobre produtos
de luxo � cobrado do fabricante ou no ato da importa��o por que seria
impratic�vel faz�-lo de outra forma. O PFL vai achar dif�cil proibir o candidato
de falar sobre economia porque Ciro � arrogante e acha que sabe mais que
qualquer assessor sobre qualquer assunto. No come�o de mar�o, num jantar
oferecido pelo banco de investimento SalomonSmithBarney, durante o
encontro do BID em Fortaleza, assisti a forma descort�s e desrespeitosa
com que Ciro tratou seu tradutor. No mesmo jantar, ele disse v�rias
vezes que a d�vida p�blica � "impag�vel" e prop�s o alongamento da
d�vida atrav�s do aumento da taxa de juros. M�rcio Garcia, no Valor de
12/7/2002, esclarece com argumentos e n�meros o equ�voco da proposta de
Ciro.. N�o �
preciso repetir os argumentos do professor da PUC. Mas as id�ias do
candidato provocaram uma rea��o da revista Economist desta semana:
"Comparado com Ciro Gomes, Lula parece um homem com o qual o FMI estaria
disposto a negociar". Seduzido pelo apoio de parte do PFL e decidido
a atrair um eleitorado mais � direita, Ciro agora vira a casaca...
Porque precisa do dinheiro dos banqueiros para financiar sua campanha,
calibra seu discurso. Mas as hist�rias das incoer�ncias de sua vida
pol�tica e de
suas declara��es p�blicas trabalham contra sua credibilidade. Obcecado
por dossi�s e informa��es de grampos obtidas de " um brasileiro " ,
Ciro revela id�ias delirantes como as que perseguiram J�nio Quadros. Em
1959, eu entrava na adolesc�ncia com ouvidos vorazes. Faltava pouco
tempo para a
conven��o da UDN. Sentado numa cadeira de vime no s�tio de meu pai,
Milton Campos ainda expressava temores sobre a aventura que J�nio
representava.
Mas na conven��o de 8/11/59, comandada por Carlos Lacerda, a UDN
homologou o nome de J�nio Quadros como candidato � presid�ncia. Juracy
Magalh�es, o
candidato derrotado, terminou seu discurso na Conven��o indagando dos
udenistas o que fariam quando J�nio os tra�sse. Inaugurado seu governo,
J�nio reaproximou-se da esquerda. Num mundo dividido pela cortina de
ferro, enviou Jo�o Goulart em visita oficial � China. Determinou
a Afonso Arinos que restabelecesse rela��es diplom�ticas entre o Brasil
e a Uni�o Sovi�tica. Condecorou Che Guevara. Messi�nico, temperamental,
�vido de �xito, faminto de poder, dizia que era praticamente imposs�vel
governar o Brasil com " este " Congresso. Acabou renunciando e mergulhando
o pa�s numa profunda crise pol�tica e econ�mica. Ciro Gomes �
temperamental e
imprevis�vel como Quadros. Em 1959, Jos� Sarney era vice-l�der da
bancada da UDN. Continua um pol�tico disposto a novas aventuras.
Ressentido pela
derrota de sua filha, n�o tem peias em aderir �s promessas contradit�rias
de Ciro, deixando de lado a li��o que deveria ter aprendido com a
experi�ncia de J�nio. ACM e parte do PFL, despeitados pelo alijamento
do poder, cometem o mesmo erro que cometeram com Collor. Mas n�s, eleitores,
podemos avaliar os erros de pol�ticos que - esquecidos do bem do pa�s
e interessados apenas nas pr�prias m�goas e ambi��es pessoais - pedem-nos
para abra�ar o risco de um vira-casaca temperamental. Mais clara na
nossa mem�ria do que a figura de J�nio Quadros � a imagem de Collor de
Melo.
Ciro � o clone de Collor. O Congresso j� n�o aprova calotes. Mas um
presidente pode criar grande instabilidade interferindo no Banco Central.
A imagina��o dos aventureiros n�o tem limites. Mas as crises de
governabilidade s�o sempre profundas.

Eliana Cardoso , economista, escreve �s quartas-feiras. E-mail:
[EMAIL PROTECTED]

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