repassando......
Cresce gravidez entre meninas
Minist�rio da Sa�de prepara campanha para reduzir
o problema que atinge 700 mil adolescentes.
Luciene de Assis e Adriana Nic�cio
A cada ano, 700 mil meninas tornando-se m�es. O aumento da gravidez na
adolesc�ncia entre garotas de 10 a 14 anos � ainda mais preocupante. Dos
2,7 milh�es de partos realizados no Pa�s em 2001, 35 mil ou 1,3% ocorrem
nessa faixa de idade.
Dados oficiais mostram que aumentou em 14,7% o n�mero de crian�as
nascidas de m�es entre 15 e 19 anos, desde 1980. S� no ano passado,
entre essas adolescentes foram realizados 650 mil partos, conforme os
registros da Coordena��o de Sa�de da Mulher, do Minist�rio da Sa�de.
Outro fato alarmante, demonstrado pelo �ltimo levantamento do IBGE, �
que 86% das meninas, de classe m�dia e alta, que ficam gr�vidas praticam
o aborto. Dados do Minist�rio da Sa�de confirmam que 50% das gesta��es
n�o planejadas terminam em abortamentos provocados.
Com base nos altos �ndices de gravidez precoce divulgados pelo IBGE, que
atinge principalmente as adolescentes, ser� lan�ada at� o final do ano
uma campanha nacional com o apoio institucional do Minist�rio da Sa�de,
destinada a conscientizar a sociedade sobre a import�ncia do
planejamento familiar. A proposta � levar informa��o principalmente a
estudantes e funcion�rias de empresas privadas, beneficiando mais de dez
mil mulheres.
O projeto Gravidez tem hora certa envolver� m�dicos, psic�logos,
enfermeiros e farmac�uticos. Eles ir�o ensinar as meninas e as
adolescentes sobre os m�todos contraceptivos, ressaltando a necessidade
de a mulher escolher o momento adequado para se tornar m�e.
A campanha inclui palestras com m�dicos em escolas de ensino m�dio,
universidades e empresas sobre a necessidade de se fazer planejamento
familiar, a prote��o contra doen�as sexualmente transmiss�veis, a Aids e
a gravidez provocada por viol�ncia sexual.
Haver� distribui��o de folderes, cartazes, m�biles, marcadores de
p�gina, canetas, estojos etc, enfocando o tema "Existe hora certa para
realizar seus planos". O mascote da campanha, a ser coordenada por um
laborat�rio, ser� um boneco em forma de espermatoz�ide.
Garota reconhece a imprud�ncia
Aos 13 anos, J.A. est� gr�vida de cinco meses. A menina vai ser m�e de
uma menina. De fam�lia de baixa renda do Varj�o, J.A. assume que
engravidou mais por falta de ju�zo do que por desconhecimento dos
m�todos contraceptivos. Segundo a menina, � f�cil conseguir camisinha
gratuitamente no posto de sa�de do Varj�o, al�m disso, diz que sempre
recebia orienta��o da m�e, que n�o sabia da sua vida sexual ativa. "Todo
mundo sabe que � bom usar camisinha. S� que fiquei com medo de ir ao
ginecologista fazer preven��o", afirma.
A adolescente namora s�rio h� 2 anos com o pai da crian�a, Alex
Albuquerque, 18 anos. Ela conta que cedeu as press�es do namorado, filho
de seu padastro, porque o ama muito. "N�o faz�amos sexo sempre, por
isso, �s vezes n�o dava tempo de pegar o preservativo. Na verdade, eu
acho que ele n�o gostava, porque s� usamos umas tr�s vezes", lembra.
Atualmente, J.A. e o namorado est�o morando no mesmo quarto de um
barraco de madeira, na casa da m�e de J.A. Com jeitinho de crian�a e
corpo com forma de mulher, a menina j� � conhecida por todos na rua pela
gravidez. "O mais dif�cil � ter que aguentar os outros me chateando",
afirma.
Mas tamb�m n�o est� preocupada com a cria��o da crian�a que est� para
nascer. Em cinco minutos de conversa, fica claro que a responsabilidade
ficar� com a m�e de J.A., av� de Vit�ria. "Minha m�e que est� cuidando
do enxoval. Vou estudar enquanto minha m�e cuida da Vit�ria", diz.
Quando a filha come�ar a estudar, J.A., que cursa a 4� s�rie, estar�
entrando no 2� grau. J.A. faz planos que as duas poder�o ir para a
escola juntas. "Eu j� me sinto m�e", confessa.
Descuido � desastroso para m�e e beb�
Com menos de 16 anos de idade, a gravidez � desastrosa tanto para a m�e
quanto para o beb�. S�o crian�as ou adolescentes que deixam de ser
crian�as de repente para se tornarem adultas e m�es ao mesmo tempo,
muitas vezes tendo de se privar dos estudos, al�m de sofrer o
preconceito dos colegas e at� da pr�pria fam�lia, alerta a psic�loga
Elyn N�via.
A menina passa da condi��o de crian�a para a de mulher e m�e, num curto
espa�o de tempo. "Psicologicamente, essa altera��o brusca de vida pode
causar revolta e estacionamento na imaturidade, pois a vida vai estar
cobrando dela uma postura de adulto, quando ela ainda � adolescente ou
mesmo crian�a", refor�a a psic�loga.
E avisa que tal situa��o pode levar a menina � depress�o, a fam�lia ou o
namorado pode for�ar um aborto, gerador de culpa e de medo mais tarde,
diz a especialista. Al�m do que, diz N�via, um aborto mal feito � capaz
de levar � infertilidade no futuro e � depress�o at� permanente, n�o s�
por causa do sentimento de culpa, como tamb�m pela frustra��o, revolta e
falta de apoio.
De acordo com a psic�loga, a sexualidade n�o respons�vel coloca as
meninas em outras situa��es de risco, como o de se expor a uma doen�a
sexualmente transmiss�vel, inclusive a Aids. Al�m do mais, a parte
biol�gica da mulher s� est� preparada para a maternidade ap�s os 16 a 18
anos de idade, ressalta.
"Por outro lado, a vida tem de ser celebrada, seja ela fruto de uma amor
infantil ou n�o," justifica. Elyn N�via lembra que essa hist�ria tem o
lado bom, um final feliz. Ela garante que essas meninas sempre s�o boas
m�es, companheiras e est�o sempre do lado dos filhos. "Por�m, isso
acontece quando a menina assume de forma saud�vel a maternidade precoce
e conta com o apoio da fam�lia e do pai do beb�." Na verdade, lembra a
psic�loga, tudo depender� de como a fam�lia vai encarar a not�cia dessa
gravidez.
P�lula do dia seguinte
Os profissionais de sa�de que participarem da campanha contra a gravidez
indesejada v�o orientar as mulheres a utilizarem a p�lula do dia
seguinte, que desperta muitas d�vidas entre as adolescentes.
O medicamento � uma alternativa para as mulheres, quando se pratica o
sexo desprotegido e n�o planejado, evitando assim os riscos da gravidez
e de um aborto provocado.
M�todo seguro e considerado n�o abortivo pelo Minist�rio da Sa�de e pela
Organiza��o Mundial da Sa�de (OMS), a p�lula do dia seguinte deve ser
usada somente em situa��es emergenciais, como quando h� falhas de outros
m�todos contraceptivos ou em caso de estupro.
A contracep��o de emerg�ncia consiste na ingest�o de dois comprimidos. O
primeiro deve ser tomado nas primeiras 72 horas ap�s a rela��o sexual
desprotegida e o segundo com intervalo de 12 horas ap�s o primeiro. Sua
efic�cia � maior quanto menor for o tempo decorrido entre a rela��o
sexual e o uso do medicamento
O mais elevado amor que uma pessoa pode ter por voc� � desejar que voc�
evolua a ponto de se tornar a melhor pessoa que possa ser."
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