CFM ser� obrigado a explicar morte cerebral - Folha de S�o Paulo 05.10.03


Biodireito_Medicina

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Folha de S�o Paulo, 05.10.2003
SA�DE

Minist�rio P�blico dar� 30 dias para Conselho Federal de Medicina se pronunciar sobre teste suspeito de matar pacientes

CFM ser� obrigado a explicar morte cerebral
Quest�es j� est�o sendo analisadas, diz coordenador
Encontro evitou debater pol�mica
 

MAUR�CIO TUFFANI
FREE-LANCE PARA A FOLHA


O procurador da Rep�blica Luiz Carlos Weber, de Porto Alegre, determinar� ao CFM (Conselho Federal de Medicina) que responda a diversas quest�es cient�ficas sobre a seguran�a de um exame usado para diagnosticar morte cerebral. O prazo de resposta ser� de 30 dias ap�s o recebimento.


O chamado teste de apn�ia (veja quadro), que consiste em desligar por dez minutos os aparelhos de suporte � respira��o de pacientes em coma, � apontado por pesquisadores do Brasil e do exterior como capaz de causar a morte em vez de diagnostic�-la.

 


O Minist�rio P�blico Federal tomou a decis�o em resposta a um requerimento encabe�ado pelo advogado Celso Galli Coimbra, de Porto Alegre, irm�o de C�cero Galli Coimbra, professor de neurologia da Unifesp (Universidade Federal de S�o Paulo), autor de um estudo que apontou riscos no teste de apn�ia.

 


O estudo de Coimbra, que tamb�m � m�dico do Hospital do Servidor P�blico Municipal de S�o Paulo, foi publicado em novembro de 1999 na revista cient�fica "Brazilian Journal of Biological and Medical Research". Segundo ele, o teste � aplicado em cerca de 10 mil jovens brasileiros por ano, v�timas de traumatismo craniano por acidentes ou agress�es.

 


"O CFM deve satisfa��es transparentes � sociedade", disse o advogado. O requerimento encaminhado � Procuradoria cont�m 40 quest�es, e afirma que a op��o pelo teste de apn�ia contraria o princ�pio que obriga todo m�dico a "utilizar todos os meios dispon�veis de diagn�stico e tratamento a seu alcance em favor do paciente", previsto pelo C�digo de �tica M�dica. "N�o h� em nossa solicita��o ao CFM nenhum ju�zo pr�vio sobre essa quest�o", afirmou o procurador Weber.


Importantes defensores do teste de apn�ia reconhecem que n�o h� consenso sobre o exame, como o neurologista holand�s Eelco Wijdicks, da cl�nica Mayo, em Rochester (EUA), em estudo publicado em janeiro de 2002 na revista cient�fica m�dica "Neurology".


 
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Autoriza��o da fam�lia
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As 40 quest�es j� haviam sido enviadas ao conselho no dia 14 de agosto pela Assembl�ia Legislativa do Rio Grande do Sul, que realizou, em maio deste ano, um semin�rio sobre o assunto.


Foi enviado tamb�m o pedido para que o teste de apn�ia s� seja executado com autoriza��o da fam�lia dos pacientes ap�s o esclarecimento sobre os supostos riscos, al�m de solicitar a revis�o da Resolu��o CFM 1.480, de 1997, que define os procedimentos para a declara��o de morte cerebral.


O neurologista Coimbra afirma que, em vez de submeter pacientes em coma ao teste de apn�ia, deveria ser aplicada a chamada t�cnica de hipotermia cerebral, que consiste em resfriar o organismo para reduzir a press�o no interior do cr�nio, que dificulta a circula��o de sangue no c�rebro.


Os pa�ses em que houve fortes contesta��es aos crit�rios de morte cerebral, como Jap�o, Alemanha e Dinamarca, s�o aqueles em que os debates sobre o assunto foram cobertos pela m�dia e tiveram amplitude nacional, afirmou Masahiro Morioka, professor da Universidade de Osaka, em um artigo publicado em 2001 na revista de bio�tica "Hastings Center Report".


Os primeiros crit�rios de morte cerebral foram estabelecidos em 1968 por um comit� da Universidade Harvard, nos EUA. No ano anterior, Christian Barnard realizou na �frica do Sul o primeiro transplante de cora��o.


Em um estudo publicado em 1997 na revista "Social Science & Medicine", a pesquisadora Mita Giacomini afirma que os interesses da �rea de transplantes - "talvez mais de rins do que de cora��o"-  influenciaram a elabora��o dos crit�rios pelo comit�. V�rios neurologistas ouvidos pela Folha concordaram com essa afirma��o.

 


O m�dico Jos� Medina Pestana, especialista em transplante renal e presidente da ABTO (Associa��o Brasileira de Transplantes de �rg�os), disse n�o acreditar que o questionamento do teste de apn�ia traga preju�zos para a capta��o de �rg�os.
"N�s [os transplantadores] n�o participamos de diagn�sticos de morte cerebral. Nada mudar� em nosso trabalho se os crit�rios vigentes eventualmente vierem a ser substitu�dos por outros", declarou Pestana.

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OUTRO LADO

Quest�es j� est�o sendo analisadas, diz coordenador

 

FREE-LANCE PARA A FOLHA

"As quest�es a serem encaminhadas pelo Minist�rio P�blico Federal j� est�o sendo analisadas pelo Conselho Federal de Medicina, que pretende tamb�m consultar membros da comunidade cient�fica que sejam especialistas no assunto", declarou o neurologista Solimar Pinheiro da Silva, coordenador da C�mara T�cnica de Morte Encef�lica do CFM e presidente do Conselho Regional de Medicina do Tocantins.

 


"Temos total interesse em apurar e esclarecer o assunto", disse Silva. "Nenhuma resolu��o do CFM � eterna. Nossos crit�rios de morte cerebral podem ser mudados."

 


Segundo Silva, o Conselho Federal de Medicina solicitou no ano 2000 pareceres sobre o assunto � Academia Brasileira de Neurologia e � Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Por unanimidade das comiss�es que os elaboraram, esses pareceres apoiaram a Resolu��o CFM 1.480, de 1997, que estabelece os crit�rios de morte cerebral no pa�s.

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Encontro evitou debater pol�mica

FREE-LANCE PARA A FOLHA

O presidente do Conselho Federal de Medicina, Edson de Oliveira Andrade, disse que as cr�ticas ao teste de apn�ia foram debatidas no 23� Congresso Brasileiro de Neurocirurgia, em S�o Paulo, em setembro de 2000. No entanto, por meio de um v�deo da sess�o sobre esse tema, a reportagem apurou que o debate sobre o assunto foi evitado.


Nenhuma contesta��o foi feita ao questionamento do teste de apn�ia pelo neurocirurgi�o Raul Marino J�nior, professor titular da Faculdade de Medicina da USP. Em entrevista, ele disse que continua pesquisando esse tema, mas que n�o tem ainda uma conclus�o.


Foram apresentadas algumas conclus�es do parecer da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia para o CFM, que apontava transcri��es inadequadas dos trabalhos citados pelo estudo do neurologista C�cero Galli Coimbra, da Unifesp.


Coimbra respondeu que estava com documentos � m�o para provar que o parecer estava equivocado, mas o debate n�o teve prosseguimento.


Muitos neurologistas ouvidos pela Folha disseram que fazem testes confirmat�rios antes da prova de apn�ia, embora o CFM n�o estabele�a dessa forma (veja quadro). Mas eles reconhecem que isso depende muito das condi��es do hospital.


"Ap�s todas as tentativas de melhora do estado do paciente, isto �, esgotadas todas as possibilidades de terap�utica, a�, sim, pode-se come�ar a pensar nos protocolos de morte encef�lica", disse C�lio Levyman, do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos coordenadores dos trabalhos de elabora��o da Resolu��o CFM 1.480.

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ENDERECOS  
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Nao se deixe enganar
pela propaganda transplantista.
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INFORME-SE:    
apenas a *Medicina Preventiva* de baixo custo
ja seria suficiente para evitar a necessidade de 80% de
transplantes previsiveis, com origem em declaracoes
de mortes encefalicas  *antecipadas*
para fins de retirada de orgaos vitais.
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ARTIGO: 
"Falhas no Diagnostico da Morte Cerebral",
publicado  na  Revista  CIENCIA HOJE,
n�mero 161, junho de 2000:
http://www.uol.com.br/cienciahoje/chmais/pass/ch161/morte.pdf
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ARTIGOS
cientificos no site da UNIFESP:
http://www.unifesp.br/dneuro/textos.htm
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ARTIGO:
"Morte Encefalica"
http://www.unifesp.br/dneuro/mortencefalica.htm
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DEMONSTRACAO
cientifica dos efeitos mortais do teste
da APNEIA,   imposto pelo CFM para
declaracao  da  morte  encefalica que
pretende diagnosticar:
http://www.unifesp.br/dneuro/apnea.htm
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MANIFESTACOES PUBLICAS
da comunidade neurocientifica internacional
contraria aos criterios declaratorios
da morte encefalica.
NAO EH VERDADE QUE HA CONSENSO
internacional na declaracao de morte encefalica,
confirme o que dizem os neurocientistas em:
http://www.unifesp.br/dneuro/opinioes.htm 
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DEBATE
internacional da comunidade neurocientifica
sobre os erros declaratorios da morte encefalica
na Revista Cientifica BMJ:
http://www.bmj.com/cgi/eletters/320/7244/1266
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PARA ler os artigos sobre
morte encefalica em Biodireito_Medicina: 
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