Concurso para a magistratura em Tocantins 

A ju�za �ngela Prudente, Secret�ria do Concurso para a Magistratura do 
TJ-TO, divulgou, no �ltimo dia 29, a rela��o dos candidatos aprovados na 3� 
etapa do certame e que est�o habilitados para as provas orais. Dentre quase 
1.600 candidatos inscritos, que concorriam a 18 vagas de Juiz Substituto, 
restaram apenas 6 (seis), que ainda ser�o submetidos ao crivo das provas 
orais. S�o eles: Adelmar Aires Pimenta da Silva, Grace Kelly Sampaio, 
Jacobine Leonardo, Julianne Freire Marques, L�lian Bessa Olinto e Renata 
Tereza da Silva. E-mails chegados a esta coluna informam que h� estranheza 
no fato de que, com o volume candidatos de todo o Brasil, muitos dos quais 
preparad�ssimos em cursinhos especializados, al�m de advogados 
experimentados, apenas seis estejam entre os semifinalistas, e desses seis, 
cinco sejam de Palmas. Na pr�xima ter�a-feira, este colunista publicar� o 
artigo �Concursos p�blicos: solu��o caseira�, que abordar� a quest�o dos 
certames no Estado. 

> > > Concursos p�blicos: solu��o caseira 
Liberato P�voa 
� desembargador 

A quest�o dos concursos p�blicos no Tocantins, que sempre se enquadravam no 
faz-de-conta, passou a ser propaganda negativa do Estado, pois n�o s�o 
poucas as pessoas que se recusam a submeter-se a um certame tocantinense, 
sob alega��o de que o jogo de cartas marcadas sempre esteve envolvido em uma 
redoma de falta de seriedade. A come�ar pelo famoso concurs�o inicial, que 
atribu�a pontos extras para os chamados �pioneiros do Tocantins� (anulado 
pelo Supremo), passando pelo primeiro concurso para a magistratura, que 
esteve vagando pelos tribunais e s� foi definitivamente julgado mais de dez 
anos depois, nosso Estado sempre foi manchete, por tentar aparentar 
legalidade em certames marcados pela inger�ncia pol�tica, o que escorra�a da 
disputa excelentes candidatos, deslustrando o nome do Estado e impedindo que 
pessoas de valor contribuam com o Tocantins. 

No entender dos caciques, a melhor e mais barata forma de premiar a lealdade 
de correligion�rios era a seguran�a de um emprego p�blico: al�m de n�o lhe 
custar um centavo, garantia o permanente reconhecimento. 

Fizeram-se concursos no Tribunal de Contas, no Minist�rio P�blico, na 
Assembl�ia Legislativa e em outros �rg�os, e a t�nica foi sempre a de 
�prestigiar os da terra�, assim entendidos aqueles que, no julgamento 
subjetivo dos detentores do poder, devessem passar n�o por m�rito ou 
conhecimentos, mas por serem ligados �s grandorias. Mas todos eles foram 
marcados pela pecha de concursos faz-de-conta: no funil da sele��o n�o 
vigorava a capacidade, mas as liga��es pol�ticas e amizades. 

No segundo concurso para a magistratura, cuja comiss�o era presidida por 
este articulista, causou esp�cie o fato de ter sido feito um conv�nio com a 
Associa��o dos Magistrados do Rio Grande do Sul. Com o dinheiro das 
inscri��es, permitiu-se trazer nada menos que vinte integrantes do Tribunal 
de Justi�a e do ent�o Tribunal de Al�ada ga�chos, que elaboraram as provas, 
fizeram as corre��es, atribu�ram as notas e decidiram os recursos. Nenhum 
dos examinadores sequer conhecia Palmas, e todos s� a conheceram no dia da 
aplica��o das provas. Isto garantiu a lisura e a transpar�ncia do concurso. 
Nem mesmo o GPI, com sua gana de apagar fogo com gasolina, conseguiu achar 
uma brecha para criticar. Se passou algum tocantinense, foi impelido pela 
mais pura compet�ncia. 

Mas, apesar disso, houve tentativas de �ajeitadeira�: n�o foram poucas as 
�recomenda��es� de pol�ticos (sumariamente desconsideradas), e pelo menos 
quatro ou cinco nomes �indicados�, que n�o passaram sequer pelo crivo do 
�test�o� introdut�rio do certame da magistratura, figuraram como vitoriosos 
no concurso seguinte do Minist�rio P�blico. Hoje, s�o promotores vital�cios. 
� que talvez o �prov�o� do concurso de juiz tivesse sido muito apertado. 

E falando-se em Minist�rio P�blico, louve-se o atual concurso em andamento, 
que j� � o s�timo, pois, apesar da tentativa de obstruir-lhe o andamento 
atrav�s de uma liminar concedida na und�cima hora (que, diferentemente das 
anteriores, que eram desconstitu�das aqui mesmo no TJ), foi cassada pelo 
Presidente do STJ j� na manh� do primeiro dia das provas. E, sob a firme 
batuta do Procurador-Geral, Jos� Dem�stenes de Abreu, o concurso 
arregimentou mais de 2.000 candidatos, que, duramente sabatinados nas 
provas, resultaram em apenas 29 aprovados. E - pasmem! - nenhum que reside 
no Tocantins. S� isto prova que a seriedade do certame tornou-se refrat�ria 
�s inger�ncias dos anteriores. M�ritos para o Minist�rio P�blico. 

Enquanto isto, o quarto concurso para a magistratura, cujo edital foi 
expedido em 23 de agosto de 2002, s� no �ltimo dia 29 de abril teve 
homologado o resultado das provas da 3� etapa (provas escritas), habilitando 
apenas seis candidatos para as orais. Isto, ap�s sucessivas retifica��es de 
gabaritos, paralisa��o em raz�o de mandado de seguran�a e outros incidentes 
de percurso, que corroeram a credibilidade perante o p�blico. 

Mas o que mais surpreende � que, dentre quase 1.600 candidatos, de 
praticamente todos os Estados, muitos com freq��ncia em cursos 
preparat�rios, como o Dam�sio, al�m de carradas de experientes advogados, 
apenas seis se habilitaram para as provas orais, cinco dos quais de Palmas. 
Com isto, n�o se quer dizer que n�o sejam competentes. E tamb�m n�o se pode 
afirmar que houve �maracutaia�. Deve ter sido mera coincid�ncia. 

Mas que � muito estranho, isto �. Com tantos concorrentes, muitos dos quais 
escolados em concursos pelo Brasil afora, parece que se adotou mesmo foi uma 
�solu��o caseira�. Essas �coincid�ncias� � que desacreditam as institui��es. 

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