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CPI do Tráfico de Órgãos vai indiciar 30 pessoas
Quinta-feira,  06/10/2004 - 08h32m
Fonte: Jornal de Brasília
 
 

Brasil

Acusados de integrarem quadrilha internacional concentram-se em 3 estados

 

A CPI do Tráfico de Órgãos vai pedir o indiciamento de cerca de 30 pessoas, entre médicos e profissionais de saúde de três Estados brasileiros, acusadas de integrarem uma quadrilha internacional de tráfico de córneas e rins, dentre outros órgãos humanos. Entre os denunciados está um grupo de médicos de Taubaté (SP), acusado em depoimentos de enfermeiras à CPI de acelerar a morte de pacientes para a retirada de rins. O comércio ilegal de órgãos humanos movimenta de US$ 7 a US$ 12 bilhões anuais em todo o mundo, segundo a dados da comissão.

 

Segundo o presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PL-ES), a quadrilha de traficantes de órgãos humanos atua nos estados de São Paulo, Pernambuco e de Minas Gerais. Rins e córneas são os órgãos mais procurados. Fraga disse que, hoje, um rim chega a valer até US$ 100 mil (R$ 293 mil) no mercado clandestino de órgãos . "O preço varia de acordo com o estado de saúde e a situação financeira do comprador", explica.

 

O deputado acrescenta que, hoje, o Brasil tornou-se atualmente em um país exportador e importador de órgãos humanos traficados. "As regiões mais pobres, como é o caso do Nordeste, são geralmente regiões exportadoras de órgãos", disse.

 

Em dezembro de 2003, a Polícia Federal (PF) desarticulou, em Pernambuco, uma quadrilha acusada de "exportar" órgão humanos para a África do Sul e Europa. Em um ano, período em que estaria agindo, o grupo já teria vendido pelo menos 30 rins, extraídos de pessoas aliciadas em comunidades pobres. Cada rim chegava a valer até US$ 10 mil (R$ 29,3 mil).

 

As cirurgias para a retirada dos órgãos era feita em Durban, na África do Sul. Após venderem seus órgãos, as pessoas viajavam com todas as despesas pagas e, após a cirurgia e o período de recuperação, retornavam ao Brasil. De acordo com a PF, muitas dos que venderam seus órgãos passaram a integrar à quadrilha.

 

São Paulo


Além dos casos de Pernambuco, a CPI investigou a suspeita de venda de órgãos em São Paulo. O caso envolve um médico de um hospital particular paulista que ofereceu um rim humano por US$ 50 mil (R$ 146,5 mil) ao apresentador de TV Aatíde Patrezi. Em São Paulo, a CPI comprovou outros três casos de suspeita de venda de órgãos. Em todos eles, segundo o deputado Neucimar Fraga, ficou constatada a participação de médicos.

 

"Em Taubaté, temos quatro casos comprovados onde médicos são acusados de acelerar a morte dos pacientes", revelou Fraga. De acordo com o deputado, a morte desses pacientes foram aceleradas de forma a permitir a retirada de órgãos. Fraga disse que os órgãos eram, posteriormente, traficados para hospitais particulares de São Paulo.

 

"Os médicos aceleravam as mortes"

 

Duas ex-enfermeiras do Hospital Regional do Vale, de Taubaté (SP), contaram em depoimento à CPI do Tráfico de Órgãos que um grupo de médico daquele unidade de saúde faziam a retirada de rins de pacientes ainda vivos. De acordo com elas, essa prática vinha ocorrendo desde 1996. As enfermeiras contaram aos deputados que quatro médicos do hospital "acelerarava" a morte de um paciente para facilitar a retirada de seus órgãos. De acordo com elas, isso era feita com a aplicação de medicamentos.

 

A enfermeira Rita Maria revelou que um dos casos envolveu o paciente José Faria Carneiro, de aproximadamente 40 anos, que deu entrada no hospital com suspeita de traumatismo craniano. Rita conta que, juntamente com uma colega, preparou o centro cirúrgico, mas achou estranho o movimento de médicos no local. Disse que havia até urologista no momento da cirurgia.

 

Segundo Rita, antes da cirurgia, houve uma discussão entre os médicos e a anestesista, que relutava participar do procedimento. "Depois cortaram o abdome do paciente, tiraram os rins. Aí quando tirou o rim, um dos médicos pegou e pediu que pegasse a caixa", contou a enfermeira à CPI.

Durante a cirurgia, segundo Rita, o paciente tentou levantar-se várias vezes. A enfermeira contou que os médicos fizeram "um furo no paciente... ele foi parando, foi caindo a pressão, foi caindo tudo". Em seguida, o corpo foi enviado para a UTI do hospital.

http://www.saude.df.gov.br/mostraPagina.asp?codServico=782&codPagina=5844


Quinta-feira,  06/10/2004 - 08h32m
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