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Brasil
Acusados de integrarem quadrilha
internacional concentram-se em 3 estados
A CPI do Tráfico de Órgãos vai pedir o
indiciamento de cerca de 30 pessoas, entre médicos e profissionais
de saúde de três Estados brasileiros, acusadas de integrarem uma
quadrilha internacional de tráfico de córneas e rins, dentre outros
órgãos humanos. Entre os denunciados está um grupo de médicos de
Taubaté (SP), acusado em depoimentos de enfermeiras à CPI de
acelerar a morte de pacientes para a retirada de rins. O comércio
ilegal de órgãos humanos movimenta de US$ 7 a US$ 12 bilhões anuais
em todo o mundo, segundo a dados da comissão.
Segundo o presidente da CPI, deputado
Neucimar Fraga (PL-ES), a quadrilha de traficantes de órgãos humanos
atua nos estados de São Paulo, Pernambuco e de Minas Gerais. Rins e
córneas são os órgãos mais procurados. Fraga disse que, hoje, um rim
chega a valer até US$ 100 mil (R$ 293 mil) no mercado clandestino de
órgãos . "O preço varia de acordo com o estado de saúde e a situação
financeira do comprador", explica.
O deputado acrescenta que, hoje, o Brasil
tornou-se atualmente em um país exportador e importador de órgãos
humanos traficados. "As regiões mais pobres, como é o caso do
Nordeste, são geralmente regiões exportadoras de órgãos",
disse.
Em dezembro de 2003, a Polícia Federal (PF)
desarticulou, em Pernambuco, uma quadrilha acusada de "exportar"
órgão humanos para a África do Sul e Europa. Em um ano, período em
que estaria agindo, o grupo já teria vendido pelo menos 30 rins,
extraídos de pessoas aliciadas em comunidades pobres. Cada rim
chegava a valer até US$ 10 mil (R$ 29,3 mil).
As cirurgias para a retirada dos órgãos era
feita em Durban, na África do Sul. Após venderem seus órgãos, as
pessoas viajavam com todas as despesas pagas e, após a cirurgia e o
período de recuperação, retornavam ao Brasil. De acordo com a PF,
muitas dos que venderam seus órgãos passaram a integrar à
quadrilha.
São Paulo
Além dos casos de Pernambuco, a CPI
investigou a suspeita de venda de órgãos em São Paulo. O caso
envolve um médico de um hospital particular paulista que ofereceu um
rim humano por US$ 50 mil (R$ 146,5 mil) ao apresentador de TV
Aatíde Patrezi. Em São Paulo, a CPI comprovou outros três casos de
suspeita de venda de órgãos. Em todos eles, segundo o deputado
Neucimar Fraga, ficou constatada a participação de médicos.
"Em Taubaté, temos quatro casos comprovados onde médicos são
acusados de acelerar a morte dos pacientes", revelou Fraga. De
acordo com o deputado, a morte desses pacientes foram aceleradas de
forma a permitir a retirada de órgãos. Fraga disse que os órgãos
eram, posteriormente, traficados para hospitais particulares de São
Paulo.
"Os médicos aceleravam as
mortes"
Duas ex-enfermeiras do Hospital Regional do Vale, de Taubaté
(SP), contaram em depoimento à CPI do Tráfico de
Órgãos que um grupo de médico daquele unidade de saúde faziam a
retirada de rins de pacientes ainda vivos. De acordo com elas, essa
prática vinha ocorrendo desde 1996. As enfermeiras contaram
aos deputados que quatro médicos do hospital "acelerarava" a morte
de um paciente para facilitar a retirada de seus órgãos. De acordo
com elas, isso era feita com a aplicação de medicamentos.
A enfermeira Rita Maria revelou que um dos casos envolveu o
paciente José Faria Carneiro, de aproximadamente 40 anos, que deu
entrada no hospital com suspeita de traumatismo craniano. Rita conta
que, juntamente com uma colega, preparou o centro cirúrgico, mas
achou estranho o movimento de médicos no local. Disse que havia até
urologista no momento da cirurgia.
Segundo Rita, antes da cirurgia, houve uma discussão entre os médicos e a anestesista, que relutava
participar do procedimento. "Depois cortaram o abdome do paciente,
tiraram os rins. Aí quando tirou o rim, um dos médicos pegou e pediu
que pegasse a caixa", contou a enfermeira à CPI.
Durante a cirurgia, segundo Rita, o paciente
tentou levantar-se várias vezes. A enfermeira contou que os médicos
fizeram "um furo no paciente... ele foi parando, foi caindo a
pressão, foi caindo tudo". Em seguida, o corpo foi enviado para a
UTI do hospital.
http://www.saude.df.gov.br/mostraPagina.asp?codServico=782&codPagina=5844 |