Em Ter, 2007-07-24 às 14:18 -0300, Pablo Sánchez escreveu:

>         Então, não pode ser relacional — em que pese a documentação —
> porque SQL não é relacional.
> 
> ... Cara, de boa, de onde vc anda tirando seus conceitos, porque eu
> realmente estou tendo dificuldade em acompanhar seu raciocínio. 

        Simples.  Date, _An Introduction to Database Systems_; sem contar
Darwen, Pascal, McGoveran, até Codd.

        Isso está no histórico da finada lista nossa antecessora várias vezes,
mas para resumir o SQL não é relacional porque tabelas não são relações.
Isso gera uma complexidade adicional e uma falta de flexibilidade que as
pessoas, por não conhecerem o modelo relacional, querem gambiarrar de
várias formas: OO, XML, MV…


>         Na verdade não exatamente — o que quis dizer é que a visão que
> você tem de todos os dados de pessoa física com herança OO, você tem
> numa visão.
> 
> ... Não.

        Por que não?



> OLAP é um tipo de processamento feito sobre dados consolidados

        Não necessariamente.  OLAP é o processamento independente da forma dos
dados; e é muito mais flexível sobre a base normalizada.  Desempenho
lida-se com índices e visões materializadas.


> (algo que faz muito mais sentido que visão).

        E o que é uma visão materializada senão uma consolidação?


> E Data Ware House não é usado apenas onde está mal modelado, mas, e um
> grande mas aqui, em lugares onde você tem diversos sistemas distintos
> com massas de dados que precisam ser integrados de alguma forma para
> criação de informações de valor gerencial.

        O que é outro problema de modelagem, embora não no nível da
normalização.  CQD.



>         É o correto, porque é o conforme ao modelo relacional.  Dá
> mais flexibilidade, desempenho, e transparência ao modelo de dados.
> 
> Sim, mas o modelo em questão é OO. Acho que você está com dificuldades
> em enfrentar sistemas OO

        Nenhuma dificuldade.  É só que OO (1) não tem conceitos sólidos e (2)
não tem conceitos de dados.

        Desafio que o Pascal sempre faz: referencie uma boa definição de
modelos de dados.  Nunca vi, e olhe que estou na área desde que OO a
gente só ouvia falar, 93 para ser preciso.


>                 Queria saber por que no Brasil as pessoas tomam
>         críticas técnicas como
>         pessoais.  Só se você ficou ofendido por não ser um guru?
> Difícil responder a você sem ofender nesta...

        Nah… fico espantado com os ofendidos justamente por não ver motivo de
ofensa.  É difícil me surpreender.



> O problema do PHP tem sido a facilidade de acesso a ele em comparação
> a outras tecnologias, o que atrai um contigente enorme de novatos que
> por conseguir receber os dados de um formulário qualquer e salvar em
> um banco, criam uma série de pseudo-profissionais. 

        Não é só isso.  Entre resolver um problema e acrescentar uma
alternativa, o PHP fica com a alternativa.  Isso é muito ruim para
segurança, por exemplo, mas principalmente para a integridade conceitual
— que é onde a falta de conceitos relacionais pega.


>                 Por exemplo, você está incorrendo num dos Dois Grandes
>         Erros do Date (/Great Blunders/), que é de mapear classes para
>         relações; classes são domínios.
>
>
> Só se você considera classes algo nada além da struc do C. Classes
> também trabalham na questão de ORM (Object-Relational Mapping), ou se
> não o fizessem, não teriam persistência... 

        De modo algum, estou pouco preocupado com qualquer implementação.  Mas
essa área toda é um grande engodo, extremamente mal definida; basta
verificar que ORM não tem nada a ver com relacional (só com SQL), e que
o modelo relacional em si já atende todas as necessidades OO, como
provado por Date e Darwen no Terceiro Manifesto (_The Third Manifesto_).

        A questão é que uma classe é um tipo — ou seja, um domínio e seus
operadores.  Aliás aqui, mea culpa, falei domínio quando deveria ter
dito tipo.  E você pode até lidar com tipos de relações, mas isso é
contraproducente, por ficarem tipos muito complexos.

        Tio Codd sabia das coisas.


>                 Isso vai ficar mais aparente em alta concorrência ou
>         em pesquisas, neste caso porque você está predeterminando um
>         caminho de acesso, efetivamente desnormalizando a base. 
> 
> Normalização não é a chave de tudo. E outra: normalização em OO é
> possível, e factível. Só que normalização em excesso, como você bem
> sabe pelo que pude sentir da sua experiência, causa mais transtornos
> que ajudam. 

        Não existe normalização em excesso; existem são limitações do SQL, e
ainda limitações das implementações do SQL.

        De qualquer maneira, tua afirmação é genérica e não contrapõe o que
escrevi.

-- 
Leandro Guimarães Faria Corcete DUTRA  <[EMAIL PROTECTED]>
Atech Fundação Aplicação de Tecnologias Críticas  SP, BR
msnim:[EMAIL PROTECTED]
skype:leandro.gfc.dutra?chat     +55 (11) 3040 7300 r151


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