A Conta
Luis Fernando Ver�ssimo
Dois casais de amigos. Acabam de jantar num bom restaurante. Um dos homens
faz sinal para o gar�om.
- Companheiro...
Faz o tradicional gesto de escrever no ar com uma caneta fantasma.
- A conta.
- Deixa comigo - diz o outro homem, levando a m�o ao bolso de tr�s para
pegar a carteira. O outro o det�m.
- Pare. N�o se mexa. A conta � minha.
- De maneira nenhuma.
- Sim, senhor. Fa�o quest�o.
- Que esperan�a. Pago eu.
- Pago eu e est� acabado.
Quando chega o gar�om o outro d� um pulo e pega a conta da sua m�o.
- Epa, d� aqui.
- N�o dou. Eu � que pago.
- N�o banque o idiota. Me d� essa conta.
- N�o dou.
- Quer fazer o favor?
- N�o amola.
As mulheres se divertem com a discuss�o.
Uma delas sugere:
- Quem sabe a gente racha?
- N�o. Fui eu que pedi a conta, eu � que pago. D� aqui.
- N�o dou.
- Se voc� tocar nessa carteira...
O outro:
- Eu ganho mais que voc�.
- Quem foi que disse?
- Brincadeira, p�.
Os dois ficam s�rios, se encarando. Est�o de p�. O gar�om interv�m, s� para
cortar o sil�ncio:
- O servi�o n�o est� inclu�do.
- Voc� vai me dar essa conta?
- N�o me diga que voc� ficou sentido...
- N�o interessa. Me d� essa conta.
- Est� bem, est� bem. Vamos dividir.
- N�o vamos dividir nada. Eu pago.
O outro olha em volta. Todo o restaurante parou para acompanhar a briga.
- Voc�s s�o testemunhas. Eu tentei transigir e...
O outro aproveita e mergulha para pegar a conta. Os dois se engalfinham.
Caem por cima da mesa. As mulheres gritam. O gar�om tenta apartar. Vem o
gerente.
- Senhores, por favor!
As pessoas erguem-se de suas mesas e se achatam contra as paredes. Os dois
rolam pelo ch�o. Quando, finalmente, s�o separados, o que pegou a conta do
gar�om se levanta com a conta ainda na m�o, triunfante. Com a outra m�o pega
uma cadeira e amea�a os que o cercam.
- Para tr�s. Para tr�s.
O outro est� bufando.
- Me d� essa conta!
- Vem buscar!
- Cachorro!
- � voc�.
O gerente dirige-se para o telefone.
- Cretino!
- Cretino � voc�!
Um gar�om tenta pegar o que segura a conta e a cadeira por tr�s, mas �
repelido com uma cotovelada. O outro salta com os dois p�s no seu peito.
Algu�m tenta acertar o que pulou com uma mesa, que se espatifa no ch�o. Uma
garrafa voa pelo ar.
- Segura!
- Eles est�o indo para a cozinha!
Os dois entram na cozinha, agarrados. As duas mulheres v�o atr�s, implorando
para que parem. Eles trocam socos e pontap�s.
- N�o, o fac�o n�o!
Chega a pol�cia.
Uma semana depois, um visita o outro no hospital, arrastado pela mulher.
- Ele veio pedir desculpa.
- N�o precisava.
- Precisava, sim. Onde se viu? Dois amigos de tantos anos... Que papel�o.
Os dois come�am a rir.
- Foi um papel�o mesmo...
- N�s somos uns cavalos.
- Desculpe, viu?
- O que � isso. Eu � que pe�o desculpa.
- Como � que voc� est�?
- S� d�i um pouco aqui, no corte. E voc�?
- Olha o meu olho...
- Somos uns cavalos.
Entra um homem no quarto e apresenta-se como representante do restaurante.
Quest�o de uma conta por estragos e danos... Os dois se entreolham e
sorriem.
- Demolimos o lugar...
- Parece que �.
- D� aqui essa conta que eu pago tudo.
- Por que voc�? Eu ajudei a demolir.
- A culpa foi minha. Eu pago.
- De maneira nenhuma.
- Fa�o quest�o.
- Nem pensar. Pago eu.
- Pago eu e est� acabado.
- N�o toque nessa carteira!
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[],
1.000ton
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