Eu vou ler o livro este fim de semana e faço meus comentarios..
entao ..

Mas no email anterior.. não entendi a que conclusão vc chegou ..
ou eu nao lidireito.. to muito cansado hoje .. vou reler depois

um abraco


Olival Júnior escreveu:

Em 22/12/2006, às 19:43, binharalista escreveu:

o que são para vc inovação de sustentação e de ruptira??

não seriam .. incrementais e radicais?


No trabalho de Christensen as inovações são categorizadas em dois gdes grupos: de sustentação ("sustaining" - usei a tradução mais comum nos livros traduzidos do autor no Brasil) e de ruptura ("disruptive", há quem traduza como disruptiva). As de sustentação, por sua vez, podem ser classificadas em "de substituição" (displacement), incrementais ou radicais. As de ruptura podem ser divididas em de baixo mercado (low market) ou de novo mercado (new market).

As inovações de sustentação são aquelas q as boas empresas utilizam para aperfeiçoar suas tecnologias a fim de manter uma vantagem competitiva. Por exemplo, desde q a Apple lançou o iPod, ela mudou pouca coisa da essência do produto, mas a cada ano introduziu modelos menores e com mais capacidade de armazenamento (vou ignorar a funcionalidade de vídeo para fins desta comparação). Isso é inovação de sustentação. As bases de competição, isto é, os atributos valorizados pelos clientes nesta tecnologia, desde o início da linha de produtos é mais ou menos a mesma: tamanho, capacidade, qualidade do som, etc.

Inovações de sustentação que apenas aprimoram as bases de competição, sem gdes saltos qualitativos, são as inovações de sustentação incrementais. Eu tenho um exemplo caseiro na minha "coleção" de Palms: tenho desde um dos primeiros da linha (o Palm Personal) até o Palm T|X, passando pelo Palm M515 e pelo Palm ZIre71 no meio do caminho. Se vc colocá-los lado a lado, a proposta do produto mudou muito pouco. Os aperfeiçoamentos foram no tamanho do produto, na introdução da tela colorida, na capacidade de memória e coisas assim.

As inovações de sustentação radicais trazem um gde salto nas bases de competição, porém sem alterá-las. Aqui o exemplo pode ser o MS Office 2007 em relação aos seus antecessores. Cada geração anterior mantinha mais ou menos a mesma proposta de valor e trazia apenas pequenas funcionalidades a mais. O 2007 promete mudar o formato padrão de armazenamento e a própria interface com o usuário, praticamente intocada há décadas.

As inovações de sustentação de substituição mudam um componente inteiro de uma rede de valor em um ponto de modularidade. A substituição da tecnologia analógica pela digital na rede celular é um exemplo disso.

O interessante são as inovações de ruptura. Qdo uma empresa utiliza uma inovação de sustentação para aperfeiçoar sua tecnologia, ela persegue sempre aquela faixa de clientes disposta a pagar mais por algum aperfeiçoamento em seus produtos. Neste processo, alguns clientes têm suas necessidades "super-atendidas" e não se dispõem mais a pagar mais caro por funcionalidades extras q não lhe interessam. O MS Office pode entrar nessa categoria, já q há tempos os clientes da MS q compram efetivamente o produto têm pulado uma ou duas versões do mesmo ao invés de fazer um upgrade toda vez q sai uma versão mais nova. É só ver a bizarra publicidade dos dinossauros da MS, onde até hj eles ficam instigando os clientes a sair do MS Office 97 (depois dele já veio a 2000, a XP e agora a 2007 - eu acho). Aí uma empresa pode oferecer uma tecnologia q não seja tão boa qto a dominante do mercado, mas tenha um custo menor e seja mais conveniente, atraindo essa faixa de mercado "super-atendida". Se vc pensar no OpenOffice.org agora, acho q é por aí. Essa é uma inovação de ruptura de "baixo-mercado".

As inovações de ruptura de novo mercado mudam as bases de competição de uma indústria, trazendo uma nova proposta de valor. No início elas não competem diretamente com uma tecnologia estabelecida, mas criam um novo mercado, atraindo pessoas q não realizavam a tarefa executada por esta tecnologia pq era impossível ou muito difícil (ou ainda muito caro). O exemplo clássico seria o walkman da Sony. Até então o mercado de áudio era dedicado a produzir sempre aparelhos q tocassem com mais fidelidade o som gravado. Daí aparece o walkman e os clientes tradicionais de áudio ignoram o bicho pq ele não atende às necessidades deles (som perfeito). Só q havia milhares de pessoas q queriam poder carregar consigo suas músicas favoritas, mesmo q a qualidade de reprodução não fosse a coisa mais maravilhosa do mundo.

Depois q uma empresa introduz uma inovação de ruptura, ela costumam utilizar inovações de sustentação para aperfeiçoá-la. Isso pode acabar por gerar novamente o ciclo de inovação descrito acima. O curioso é q as empresas estabelecidas costumam ter uma séria dificuldade em lidar com inovações de ruptura, em geral por causa dos seus processos, valores e recursos. A maneira como uma empresa tradicional em um mercado produz (seus processos), seus recursos (capital intelectual e estrutural, etc) e seus valores (aquilo q ela considera importante) costumam favorecer as inovações de sustentação. Assim, elas acabam por ignorar uma inovação de ruptura até q ela foi aperfeiçoada o suficiente para incomodar o mercado da empresa estabelecida. Só q aí as empresas novatas (q introduziram a ruptura) apresentam diferenciais q as tradicionais não tem. E esses diferenciais são de difícil imitação por parte das empresas já estabelecidas.

Tudo o q escrevi acima pode ser encontrado em O Dilema do Inovador, O Crescimento pela Inovação e Seeing Waht's Next. Este último, por ser mais recente, traz um resumo de tudo o q os outros falam. Obviamente, há muito mais teoria por trás do q descrevi, mas aí seriam páginas e páginas de reply. :-)

Além disso, há inúmeras outras formas de categorizar inovações (e de definir o q é uma inovação). O handbook of innovation de 2003 traz vários conceitos. Aqui eu me restringi às teorias de Christensen.

[ ]s,

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