Parabens Aiyumi, você é uma guerreira, mesmo diante de tanta dificuldade não
desistiu.
O Slack é uma grande distro, uso-a em varios servidores, sempre estável,
confiável.

Parabens.



- Arch Linux User
- Administrador de Sistemas Linux
- Desenvolvedor Java/Python/Web
- Contato (88)
- http://www.lokisoftware.com.br


2009/6/23 Aiyumi Moriya <[email protected]>

>
> Introdução
>
> Sou uma deficiente visual que teve a doida ideia de migrar de Rwindows
> para Linux (Slackware). Estou escrevendo para dar meu depoimento sobre
> a experiência que tive com a instalação e a configuração do sistema.
> Uso computador desde 1996. Fui usuária de Rwindows até fevereiro deste
> ano (2009), quando mudei para Linux de uma vez por todas. Na verdade,
> fazia tempo que fiquei curiosa e quis experimentar o Linux, mas nunca
> tive coragem. Há cerca de dois anos, precisei fazer um trabalho sobre
> Software Livre na faculdade, desde então passei a acompanhar mais os
> acontecimentos nas comunidades. Os dias passavam e o Rwindows foi
> deixando de atender  as minhas necessidades e ia dando mais vontade de
> migrar, mas ainda não sabia como.
>
>
> Primeira Tentativa, Primeiras Impressões
>
> Certo dia, fiquei sabendo que existia um leitor de telas para Linux
> chamado Orca
> http://live.gnome.org/Orca
> e que ele vinha por padrão no Ubuntu. Resolvi testar. Instalei no meu
> laptop e, que beleza, funciona direitinho! Ou pelo menos foi o que eu
> achei no começo. Havia vários problemas que atrapalhavam, um dos mais
> irritantes era uma medida de segurança do Gnome que fazia com que o
> Orca não falasse na hora de realizar tarefas administrativas. Fiz o
> que é indicado em
> http://live.gnome.org/Orca/SysAdmin
> não adiantou muito, às vezes falava, na maioria das outras não. Também
> acontecia muito de parar de falar, ou travar tudo de repente. O
> problema foi ficando cada vez mais frequente, até que o meu Ubuntu não
> funcionou mais. Li alguns artigos que me levaram à conclusão de que a
> acessibilidade no pinguim ainda estava fraca. Fiquei pensando que os
> problemas de travamento que tive eram "culpa" do Orca e resolvi
> esperar algum tempo até que ficasse mais maduro.
>
>
> Decepções
>
> Alguns meses se passaram. Ainda não queria desistir do Linux. Resolvi
> "ver" a quantas andava e baixei o Ubuntu 8.10. Infelizmente o áudio
> não funcionou no meu PC, que estava com uma placa de áudio Realtek
> daquelas consideradas problemáticas para usuários Linux. Testei no
> laptop e o leitor de telas finalmente falou: "Welcome to
> Orca." ... ... ..... E mais nada. Procurei em fóruns, no site oficial
> e na lista de discussão do Orca pela resposta do porquê de não ter
> funcionado no Ubuntu 8.10. Não encontrei nada parecido com o meu caso.
> Li várias coisas durante essa busca e cheguei a uma conclusão: não
> gostei do Ubuntu.
> - Primeiro, porque o Gnome é muito pesado e vem com um mundo de coisas
> desnecessárias, que se eu não quisesse, teria de remover uma a uma,
> ainda correndo o risco do APT ou do Synaptic removerem junto coisas
> que não deveriam.
> - Segundo, porque tem aquela falha que deixa o leitor de telas mudo
> como Root.
> - Terceiro, porque passou a usar o PulseAudio como padrão em vez do
> ALSA e várias pessoas postaram na lista do Orca que isso diminui a
> performance na acessibilidade, com umas soluções complicadas para
> desinstalar o Pulse e ficar sem som enquanto tenta instalar o ALSA.
> Li que o Orca funcionava com aplicativos em GTK2, não necessariamente
> só com o Gnome. O XFCE (que é mais leve que o Gnome) também é em GTK2,
> então tentei o Xubuntu (certo, também é Ubuntu, mas pelo menos não é o
> Gnome). Coloquei o Orca nele e também não deu certo, não falou nada!
> "Não, não é possível, tem de haver outra solução... Outra distro...",
> eu pensava enquanto vasculhava a Internet em busca de respostas.
> Encontrei perguntas do tipo:
> "Existe alguma distro acessível por padrão?"
> "Tenho um amigo deficiente visual e ele quer usar o Linux. Que distro
> vocês me indicam?"
> e as respostas eram:
> "Ubuntu"
> "Ubuntu"
> "Ubuntu"
> "Ubuntu"
> "Ubuntu", ou alguma outra baseada nele.....
> "Não! Eu já disse que não quero mais Ubuntu! Ah, chega! Vou tentar
> outra coisa...", resolvi testar o Oralux, uma tentativa de
> distribuição acessível já abandonada. Não funcionou no laptop, muito
> menos no PC principal por causa da placa Realtek problemática, apenas
> suportada a partir do Alsa 1.0.17 (sei lá qual era a versão
> ultrapassada do Alsa do Oralux...). Tentei outra distro (que não
> lembro qual era), disponível apenas em Inglês, também não funcionou
> pelo mesmo motivo da anterior.
>
>
> A Última Esperança
>
> Mais perguntas na Internet, mas apenas relacionadas a Linux, sem
> considerar acessibilidade:
> "Quero estudar Linux, que distro vocês recomendam?"
> Resposta:
> "Use Slackware. Distro simples, estável, bem testada, bastante
> respeitada, uma das poucas que ainda não perdeu suas raízes, e faz
> aprender na marra, porque não vem quase nada configurado e você é
> obrigado a se virar."
> "Ok, vai ser essa.", decidi.
> Relatos na net diziam "É muito difícil!", mas será que era tanto
> assim? Li vários artigos sobre a instalação e configuração, incluindo:
> http://www.gdhpress.com.br/blog/instalando-o-slackware/
> http://www.gdhpress.com.br/blog/slackware-sobrevivendo-ao-primeiro-boot/
> http://www.gdhpress.com.br/blog/configurando-o-x/
> E até o livro oficial, o SlackBook ("Slackware Linux Essentials"),
> entrou na dança:
> http://slackbookptbr.sourceforge.net/livro/slackbook.html
> A cada artigo que eu lia, ficava cada vez mais certa de que era o que
> eu queria. E mais, ele é acessível! Ou melhor, quase. Descobri que o
> Slackware já vem com um leitor de telas, o Speakup
> http://www.linux-speakup.org/
> e que era possível realizar a instalação falada por meio dele. O
> problema é que ele só suporta sintetizadores de voz via hardware por
> padrão e eu não tenho esses equipamentos. Também há suporte a síntese
> via software através do Speech-Dispatcher
> http://www.freebsoft.org/speechd
> e do Speechd-Up
> http://www.freebsoft.org/speechd-up
> , mas só depois de instalados o Slackware e os softwares de fala.
> Então, de qualquer jeito eu precisaria de ajuda de alguém que
> enxergasse.
> Mesmo com o contra acima, resolvi instalar o Slackware. Algo me dizia
> que seria difícil, enquanto outro algo dizia que não seria impossível.
>
>
> Instalando e Configurando
>
> Destruí todos os meus experimentos falhos do meu laptop e inseri o DVD
> do Slackware 12.2. Então, fiz minha mãe, que não entende nada de linux
> e quase nada de Inglês, ler o instalador inteiro para mim. Umas três
> horas depois, o Slack estava no meu laptop, mudo, mas funcionando.
> Seguindo os passos de um dos artigos já mencionados, ainda com ajuda
> não técnica, configurei o áudio com o "alsaconf", usei o "alsamixer"
> para aumentar o volume, seguido de "alsactl store" para salvar. Para
> fazer o negócio falar, usei o outro computador (que ainda estava com
> Rwindows) para entrar na Internet e baixar os seguintes softwares:
> - Espeak (sintetizador de voz com suporte a vários idiomas, inclusive
> o Português):
> http://espeak.sourceforge.net/
> - Speech-dispatcher (servidor de fala):
> http://www.freebsoft.org/speechd
> - YASR (leitor de telas para o console):
> http://yasr.sourceforge.net/
> Transportei-os <http://yasr.sourceforge.net/%0ATransportei-os> para o
> laptop com a ajuda de um pendrive e instalei
> cada um com os três comandos básicos "./configure", "make" e "make
> install". Assim, finalmente consegui usar o terminal e me virar sem
> auxílio visual.
>
>
> Aperfeiçoando
>
> Bastou viver um pouco no mundo Slackware para descobrir que usar os
> três comandos básicos não é a forma mais prática para instalar (e
> depois desinstalar) aplicativos. Fiquei sabendo dos SlackBuilds,
> scripts para compilar programas e gerar pacotes para o Slack,
> facilmente gerenciados pelas ferramentas da distro. Peguei um
> SlackBuild básico, o da biblioteca Glib, mais alguns do repositório
> http://repository.slacky.eu/
> e usei como base para compilar as últimas versões do Orca e suas
> dependências.
> Depois de muitos erros e acertos, consegui instalar o Orca. Coloquei-o
> para falar e ele disse:
> "Welcome to Orca." ... ... ..... E mais nada.
> "Ué? Por quê? Será que é porque não é o Gnome? Não, não pode ser, fugi
> tanto dele para acabar nisso... Será mesmo que não tem escapatória e
> vou ter de instalá-lo?"
> A resposta logo veio. Encontrei outra tentativa de distro acessível, a
> nova versão do Knoppix com um conjunto de softwares chamado ADRIANE
> (Audio Desktop Reference Implementation and Networking Environment)
> http://www.knopper.net/knoppix-adriane/index-en.html
> Baixei e testei. A versão do ALSA era meio antiga e não funcionou no
> PC por causa da placa de áudio problemática, mas no laptop foi que uma
> beleza. A distro apresentava uma interface com menus em modo texto,
> usando o Dialog e um leitor de telas para console, inclusive havia uma
> opção de usar a interface gráfica, com o Orca como leitor de telas,
> Firefox, OpenOffice e o LXDE
> (http://www.lxde.org)
> como desktop. Funcionou às mil maravilhas e sem Gnome!
> Encontrei um artigo interessante sobre o assunto:
>
> http://www.linux-magazine.com.br/images/uploads/pdf_aberto/LM_51_50_55_06_tut_adriane.pdf
> por meio dele e com base em alguns shell scripts do ADRIANE, soube que
> para integrar o Orca com outras ferramentas GTK que não o Gnome, era
> preciso setar algumas variáveis na inicialização:
> export SAL_USE_VCLPLUGIN="gtk"
>
> export GTK_MODULES="gail:atk-bridge"
>
> Mesmo assim não funcionou, nada mais era dito além de "Welcome to
> Orca.". Outra vez, procurei pelas listas de discussão e pelos fóruns,
> sem encontrar nenhum caso doido parecido com o meu. Até que encontrei
> o guia de como criar aplicativos acessíveis em GTK:
> http://live.gnome.org/GAP/AtkGuide/Gtk
> onde dizia para setar a variável "GNOME_ACCESSIBILITY" para "1".
> Apesar do guia informar que colocar essa instrução no script de
> inicialização do usuário estava depreciado (deprecated), foi só fazer
> isso que o Orca abriu a matraca de vez!
> Para iniciar uma sessão gráfica falante, era "só" colocar o seguinte
> no final do arquivo .xinitrc:
> # ----------------------------------------------------
> # Inicia o registro do AT-SPI
> exec "/usr/libexec/at-spi-registryd"&
>
>
> # Coloca em modo de acessibilidade
> gconftool-2 -s --type=bool /desktop/gnome/interface/accessibility true
>
>
> # "Engana" o programa, fingindo estar usando o GDM
> export LOGNAME="GDM"
>
>
> # Integração com aplicativos em GTK
> export SAL_USE_VCLPLUGIN="gtk"
>
> export GTK_MODULES="gail:atk-bridge"
>
> export GNOME_ACCESSIBILITY=1
>
> # Inicia o gerenciador de janelas
>
> sleep 0.5
>
> exec /usr/bin/startlxde& # Para o caso do LXDE
>
>
> # Inicia o leitor de telas Orca
> # (precisa ser a última coisa a iniciar)
>
> orca -n
>
> # ----------------------------------------------------
>
>
> Migrando
>
> Depois de fazer backup de todos meus arquivos importantes, sem dó,
> destruí a partição do Rwindows. novamente, com ajuda não técnica,
> dessa vez escolhendo o Kernel com o Speakup, repeti o processo de
> instalação e configuração do Slackware, agora no PC. Usei os
> pacotes .tgz que construí nos meus experimentos no laptop para
> instalar os aplicativos de acessibilidade. Mais alguns erros e acertos
> depois, já tinha o computador principal com Slackware Linux e, melhor
> ainda, falando!
>
>
> Como Estão as Coisas Hoje
>
> Ainda não consegui fazer o Speakup falar via software , as instruções
> disponíveis estão desatualizadas, vários nomes e comandos mudaram e já
> não sei mais qual é qual.
> Fora o Speakup(que não está funcionando) e o Orca, estou com mais dois
> leitores de tela (console) instalados para testes e para emergências:
> O YASR e o SBL (SUSE Blinux Screen Reader)
> http://en.opensuse.org/SUSE_Blinux
> que tem muito mais opções e configurabilidade do que o YASR.
> Uso os aplicativos "comuns" para as tarefas do dia-a-dia (Firefox para
> navegar na Internet, MPlayer para reproduzir vídeo e música, BROffice
> para abrir os documentos com formatos proprietários etc.).
> Quando preciso rodar algum aplicativo do outro sistema operacional
> (geralmente, coisas relacionadas a games), uso o Wine, brigo com ele
> reclamando das DLLs faltando daqui e dali, mas com um pouco de
> paciência, funciona. Infelizmente ele não consegue rodar o NVDA
> (leitor de telas aberto para Rwindows
> http://www.nvda-project.org
> ), mas como uso só de vez em quando, recorro à ajuda não técnica.
>
>
> Conclusão
>
> Apesar de ter apanhado bastante dos aplicativos de acessibilidade,
> agora estou usando o Linux e não me arrependo. O Slackware é uma ótima
> distribuição, os arquivos de configuração são bem organizados, (sei
> que muitos não concordam com isso mas na minha opinião) tem métodos
> simples e eficazes de gerenciar pacotes e vem por padrão com muitos
> programas úteis, tanto para usuários comuns quanto para
> desenvolvedores. Estou bastante satisfeita com ele.
>
> >
>

--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
GUS-BR - Grupo de Usuários de Slackware Brasil
http://www.slackwarebrasil.org/
http://groups.google.com/group/slack-users-br

Antes de perguntar:
http://www.istf.com.br/perguntas/

Para sair da lista envie um e-mail para:
[email protected]
-~----------~----~----~----~------~----~------~--~---

Responder a