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Caros colegas
listeiros,
Bem sei q o assunto � �
jur�dico, mas � posso deix�-lo passar "em branco".
Viva o Cear�, Ax�
Brasilz�o!...e arrocha o "velho" FORR�.
WALDEMIR FARIAS
J�NIOR
M�SICA
De volta ao
aconchego
Universit�rios do Sudeste
descobrem o prazer de dan�ar juntos e revalorizam o forr� nordestino
 Casa
paulistana KVA em noite agitada | Numa min�scula sala de
ch�o cimentado, ao lado de uma quadra esportiva desativada, no bairro de
Pinheiros, em S�o Paulo, o Trio Virgulino era a atra��o das noites de
sexta-feira e tocava para pequenos grupos de jovens universit�rios. De boca em
boca, o evento, batizado de Projeto Equil�brio h� mais de cinco anos, passou a
interessar o p�blico fora das faculdades e ampliou seus dom�nios. Surgiu da� uma
esp�cie de movimento hoje conhecido como forr� universit�rio. O termo virou
sin�nimo de forr� p�-de-serra, tocado � maneira tradicional, com os instrumentos
b�sicos do g�nero: sanfona, zabumba e tri�ngulo.
Esse movimento surge na
contram�o do sucesso de superbandas como Mastruz com Leite e Magn�ficos, que
proliferam no Nordeste - o chamado forr� pop. Os forrozeiros universit�rios do
Sudeste dedicam-se com afinco ao cultivo do legado de Luiz Gonzaga (1912-1989).
� um estilo totalmente diferente do forr� pop, cuja f�rmula re�ne elementos
copiados da ax� music: parafern�lia eletr�nica, shows com efeitos c�nicos e
coreografias er�ticas.
 Estilo
arrasta-p�
Ele Sand�lia de couro para deslizar, camisa e cal�a
largas ("para dar mais mobilidade")
Ela Blusa curta ("por causa do calor"), cal�a justa
("mas saia � melhor") e sapatilhas, que facilitam seguir os passos
do parceiro | |
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O baiano Gilberto Gil, que lan�ou
recentemente um disco com cl�ssicos de Gonzag�o seguindo os arranjos originais
de seu mestre, credita o sucesso de todos os estilos de forr� ao ritmo e ao som
da sanfona. "O forr� � o g�nero mais importante do Brasil depois do samba." Para
ele, a divis�o entre forr� pop e p�-de-serra tem tra�o cultural. "H� os nichos
de classe m�dia alta, escolarizada, instru�da, informada, que est�o em busca do
mais aut�ntico, e por isso preferem o velho forr�", diz. "A classe m�dia baixa
gosta de pop, ax� e pagode. S�o dois fen�menos sociol�gicos diferentes."
 O
Falamansa, de S�o Paulo, acaba de lan�ar o CD de estr�ia. O grupo �
formado por ex-universit�rios que deixaram os estudos para se dedicar �
m�sica | Para os estudantes que lotam os shows de
Gil, Elba, Alceu Valen�a, Z� Ramalho e Dominguinhos pouco importam an�lises t�o
detalhadas. Como milh�es de outros brasileiros de origem diversa, n�o resistem
ao som da sanfona. Para eles, o ritmo sensual, o prazer de dan�ar de corpo
colado e o ambiente prop�cio para fazer amigos s�o os principais atrativos do
ritmo nordestino.
A moda do forr� p�-de-serra cresceu em S�o Paulo,
alastrou-se por outras capitais como Rio de Janeiro e Belo Horizonte e j� atinge
Florian�polis. Chegou � internet, fez surgir bandas de jovens forrozeiros, como
Falamansa, Forr��acana e Rastap�, e fisgou o p�blico de danceterias de m�sica
eletr�nica - j� h� uma rave de forr� programada para agosto em S�o Paulo. Para
coroar a situa��o, passou a devolver o forr� tradicional ao ber�o, o Nordeste.
 Forr��acana, do Rio, arrasta multid�es para shows
| "Tenho at� vergonha de dizer isso, mas os
universit�rios paulistas e cariocas est�o dando exemplo aos nordestinos", diz o
pernambucano Dominguinhos, que est� comemorando 50 anos de carreira. "Esse
movimento influenciou a abertura de duas casas no Recife, Zabumba e Sala de
Reboco, com forr� p�-de-serra."
Atra��o ass�dua das grandes festas
juninas no Nordeste (abriu a de Caruaru no dia 2 de junho para 80 mil pessoas),
Elba Ramalho � defensora do forr� tradicional. "Nunca deixei de ouvir Luiz
Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festas de S�o Jo�o, mas o fato de os
universit�rios estarem mandando o forr� p�-de-serra de volta ao Nordeste � uma
vit�ria da qualidade sobre o modismo", diz.
 Molejo Criador de site para forrozeiros, o engenheiro
Melchiori d� show com a parceira | O engenheiro
Leandro Melchiori, de 24 anos, trazia no aprendizado o preconceito ancestral de
que forr� era coisa brega, de mau gosto. At� que experimentou trocar o
bate-estaca das danceterias badaladas por um bom arrasta-p�. Hoje d� show de
molejo nas pistas do Remelexo, do KVA e do Danado de Bom, em S�o Paulo. "Eu era
o maior playboy at� descobrir h� dois anos as vantagens do forr�", diz. "Aqui
ningu�m fica fingindo o que n�o �, nem d� import�ncia muito grande ao que voc�
est� vestindo. Voc� faz amigos, parece uma cidade do interior." A empolga��o de
Melchiori � tanta que ele at� criou um site (www.forrozeiros.com.br),
com o amigo Tiago Rossi, para informar o p�blico que j� gosta de forr� e
incentivar quem ainda n�o conhece o ritmo.
Fan�ticos como Melchiori, os
tamb�m paulistas Marco Ant�nio Ferraz e Juliana Moura conheceram-se nas casas de
forr� que visitam todas as noites. Ali encontram amigos e exercitam o prazer da
dan�a. "Al�m de tudo emagrece", diz Juliana. Freq�entadora do Remelexo, Vanessa
Miguel, de 23 anos, rec�m-formada em Direito, acabou transformando o lazer em
fonte de renda. Com o parceiro Cl�udio dos Santos, de 21 anos, come�ou a ensinar
os passos de xote, bai�o e xaxado h� dois anos. "Ganho mais do que se fosse
trabalhar como estagi�ria", diz. Na trilha sonora de suas aulas, s� h� figuras
da linha de frente do forr�: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos,
Marin�s, Elba Ramalho. Quem quiser treinar em casa pode recorrer aos CDs da
rec�m-lan�ada cole��o Eu s� Quero um Forr�, com oito compila��es dos bambas
citados e outros.
 Os
templos do ritmo
S�o
Paulo Remelexo - Rua Paes Leme, 208 Telefone
(11) 212-9225 KVA - Rua Cardeal Arcoverde,
2958 Telefone (11) 3819-2153
Rio de
Janeiro The Ballroom - Rua Humait�,
110 Telefone (21) 537-7600
Belo
Horizonte Lapa Multishow - Rua �lvares Maciel
com Avenida Brasil Telefone (31) 241-2074
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 Baronesa
do forr� A produtora Lu Brand�o � m�e de um dos roqueiros dos Tit�s
| Vanessa tomou gosto por forr� como milhares de
outros jovens: nas f�rias passadas em Ita�nas, vilarejo litor�neo do Esp�rito
Santo, pr�ximo da fronteira com a Bahia, considerado o para�so do g�nero
p�-de-serra. O grupo Falamansa nasceu l� h� pouco mais de um ano e meio. Fez
p�blico cativo em S�o Paulo e hoje chega a tocar para 4 mil pessoas em cidades
do interior de Minas. "Mantemos a base tradicional, mas damos espa�o para novas
linguagens sem desvirtuar para o pop", diz Tato, violonista, cantor e compositor
da banda.
Igualmente defensora das tradi��es, mas contr�ria �
estagna��o, a produtora Lu Brand�o, m�e do roqueiro Branco Mello, dos Tit�s,
estimula a aproxima��o de forrozeiros com roqueiros e cantores de funk-soul,
como Claudio Zoli. "Sou superecl�tica", diz. Conhecida por suas intensas
atividades nos arrasta-p�s em que atua h� quatro anos, Lu ganhou o apelido de
Baronesa do Forr�. Com a autoridade de quem acompanha do lado de dentro o
crescente fen�meno entre universit�rios, conclui: "Da maioria das coisas
bonitas, o jovem s� n�o gosta enquanto n�o as descobre".
 O xote
que gruda no ouvido Pernambucano criado na
Bahia, o sanfoneiro Targino Gondim emplaca o novo hit do forr�
 Xote 2000 Gil e Targino dividem o sucesso de
"Esperando na Janela" | Targino
Gondim � a nova promessa do forr�. Sanfoneiro seguidor da cartilha
de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, nasceu em Pernambuco, como seus
mestres. Tornou-se "peba" - meio pernambucano, meio baiano - ao se
mudar de Salgueiro, em Pernambuco, para Juazeiro, na Bahia, aos 2
anos. Naquela cidade, numa festa de forr�, foi encontrado pela
equipe de Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington. Convidado a participar
do filme que estr�ia em agosto, Targino mostrou ao elenco o xote
"Esperando na Janela", do qual � um dos autores. O encanto foi geral
e imediato.
Gilberto Gil, autor de parte da trilha sonora do
filme, decidiu gravar o xote, que virou o novo hit dos forr�s e
carro-chefe do disco As Can��es de Eu Tu Eles. Venceu a
"concorr�ncia" com cl�ssicos imbat�veis do repert�rio de Luiz
Gonzaga, que Gil recriou. Grupos das casas de S�o Paulo e do Rio
apressaram-se em aprender a m�sica de Targino. Ela ganhou espa�o na
programa��o de v�rias r�dios no Recife, em Salvador, no Rio e em S�o
Paulo. Quando tocada ao vivo ou na grava��o de Gil, � garantia de
pista cheia. O p�blico pede bis nos shows. "Por isso eu vou na casa
dela, ai ai/Falar do meu amor pra ela, vai/T� me esperando na
janela, ai ai/N�o sei se vou me segurar", diz o refr�o, que os
forrozeiros repetem em coro.
"N�o esperava esse sucesso
todo, mas sabia que, se Gil gravasse, a m�sica iria estourar", diz
Targino, distribuindo aut�grafos e ainda surpreso com o fen�meno
repentino. "Essa m�sica � chiclete de ouvido", diz Gil. "No sentido
de mascar, que � aquela coisa meio autom�tica e obstinada, e porque
ela gruda." Aos 27 anos, Targino tem seis discos independentes
lan�ados. O s�timo ser� produzido pela GG, empresa do padrinho
baiano. Gil repete o feito de 1974, quando deu impulso � carreira de
Dominguinhos ao gravar "Eu s� Quero um Xod�" (parceria com
Anast�cia), tamb�m um xote. Targino almeja tocar como Dominguinhos.
O conterr�neo aposta no sucesso do disc�pulo. Luiz Gonzaga, o rei do
bai�o, aprovaria. | |
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Lauro Lisboa
Garcia
Fotos: La Costa/�poca; Adriana
Pittigliani
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