P.O.D.E. para referir-se a pessoa portadora de direitos especiais
"Minha proposta � que pessoas portadoras de defici�ncias sejam tratadas como Portadoras de Direitos Especiais (PODE). A sigla
exprime capacidade. Apesar de suas restri��es f�sicas e mentais, elas podem exercer m�ltiplas atividades e, como todos, aprimorar
seus talentos. O que as caracteriza como grupo social (...)"
Frei Betto
http://www.correiocidadania.com.br/ed244/opiniao.htm
Deficientes f�sicos? P.O.D.E.?
Por Frei Betto
_
A Organiza��o Mundial de Sa�de dedica sua campanha deste ano aos portadores de defici�ncias mentais, de modo que n�o sofram
exclus�es. O projeto de lei que p�e fim aos manic�mios brasileiros, apresentado no Congresso Nacional pelo deputado Paulo Delgado
(PT-MG), � um avan�o importante, tanto no sentido de fechar as portas dessas f�bricas de loucos que enriquecem seus donos (e n�o
melhoram seus pacientes), quanto no de educar fam�lias e sociedade para saber lidar com quem sofre de dist�rbios mentais.
Participei, em janeiro, da oficina promovida por entidades de deficientes f�sicos no F�rum Social Mundial, em Porto Alegre. A Onedef
(Organiza��o Nacional de Entidades de Deficientes F�sicos) congrega 72 filiadas e tem assento em v�rios conselhos nacionais, entre
os quais o Conselho Nacional de Sa�de.
� entrada da oficina, distribuiu-se um folheto "politicamente correto", ensinando que n�o se deve referir-se a uma pessoa marcada
por defici�ncia f�sica como "aleijada", nem chamar de "louco" o deficiente mental. Ali�s, n�o se usa mais cham�-los de
"deficientes". O correto, dizia o folheto, � "portadores ou pessoas portadoras de defici�ncias f�sicas ou mentais".
Manifestei a minha discord�ncia. O substantivo "defici�ncia" encerra o significado de falha ou imperfei��o, bem como o adjetivo
"deficiente". Atento ao peso das palavras, apontei a defici�ncia do termo e, sobretudo, sua impropriedade para a auto-estima dos que
assim s�o qualificados. � preciso deslocar a designa��o da dimens�o individual para o direito social.
Por que definir uma pessoa por aquilo que lhe falta? Quem n�o � deficiente f�sico? Todos n�s, desde quem traz um desvio no septo
nasal a quem perdeu um dente de siso, exceto a bailarina da m�sica de Chico Buarque, que n�o tem remela nem dente cariado como todo
mundo. Portador de �culos, sou um deficiente visual, mas ningu�m assim me qualifica.
Minha proposta � que pessoas portadoras de defici�ncias sejam tratadas como Portadoras de Direitos Especiais (PODE). A sigla exprime
capacidade. Apesar de suas restri��es f�sicas e mentais, elas podem exercer m�ltiplas atividades e, como todos, aprimorar seus
talentos. O que as caracteriza como grupo social � serem cidad�os portadores de direitos especiais.
Lula perdeu, em acidente de trabalho, o dedo mindinho da m�o esquerda. Ningu�m o trata como portador de defici�ncia f�sica, nem ele
necessita de direitos especiais. Por�m, uma pessoa que se move em cadeira de rodas, ap�ia-se em muletas ou padece de limita��o
auditiva ou visual merece � al�m dos direitos universais - direitos especiais, como rampas, elevadores, toalete ampliada, ve�culos
adaptados, pedagogia especializada etc. Na medida em que forem conhecidas como Portadoras de Direitos Especiais, o poder p�blico
ter� a obriga��o de assegur�-los.
Apesar de avan�os significativos nas �ltimas d�cadas, nossas cidades carecem de equipamentos sociais adequados a essas pessoas.
Tente entrar num banco em cadeira de rodas. Ou atravessar a faixa de pedestre apoiado em muletas. Como subir ou descer dos �nibus ou
as escadas do f�rum? A exig�ncia de direitos especiais �, hoje, pauta priorit�ria quando se trata de cidadania.
Na oficina de Porto Alegre, prop�s-se que os portadores de direitos especiais fa�am mobiliza��es para pressionar o poder p�blico,
como enfileirar cadeiras de rodas ao p� da escadaria de um pr�dio ou mandar quebrar cal�amentos para improvisar rampas. Por que os
fiscais de tr�nsito fazem vista grossa aos carros estacionados em locais reservados a quem tem direito especial?
Lidar com essas pessoas exige, de nossa parte, muito amor. Amor, na rela��o pessoal, e direitos especiais, na rela��o social, como
forma de se evitar a exclus�o e, em muitos casos, favorecer a recupera��o. Sei de horrores e encantos. A rica fam�lia de um m�dico
construiu, bem distante de sua cidade, uma cl�nica para internar, como morto-vivo, o filho afetado por dist�rbios mentais, a quem
visita rarissimamente.
A editora Lato Senso (S�o Paulo, 2001) acaba de publicar "Um testemunho de m�e", comovente relato de Benilde Justo Caniato, m�e de
quatro filhos, tr�s com paralisia cerebral e atrofia progressiva do cerebelo. Seu testemunho � um hino � grandeza do ser humano e
uma li��o de como agir em situa��es semelhantes.
Sei do que falo, pois meu irm�o ca�ula, por for�a de um acidente de moto, padece de les�o no c�rebro. O amor da fam�lia, entretanto,
faz dele um homem feliz.
Frei Betto � escritor, autor do romance "O Vencedor" (�tica), entre outros livros.
Copyright � 1998-2000 Correio da Cidadania - Todos os direitos reservados
fonte - opini�o - Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/ed244/opiniao.htm
================================================
-----------------------------------
Endere�os da lista:
Para entrar: [EMAIL PROTECTED]
Para sair: [EMAIL PROTECTED]
-----------------------------------
|
|
|
||
| p�gina do grupo | diret�rio de grupos | diret�rio de pessoas | cancelar assinatura |

