Celso F. Rocca
advogado - S�o
Carlos - SP
----------------------------------------Mensagem original-----O fator FHC no H20....ou a Na��o do Eufemismo
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED]]Em nome de Sunda Hufufuur
Enviada em: 15 de maio de 2001 03:38
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Assunto: [Juris-L] O fator FHC no H2O ou a Na��o do Eufemismo
� isso mesmo: se ao H2O se adiciona FHC com fator reagente (ou ali�s n�o reagente - nenhuma rea��o apesar do alerta) o H2O fica reduzido.
J� est� causando irrita��o neste pa�s a manipula��o lexicol�gica para responder sem esclarecer. Wittgenstein teria enfartado por aqui antes de escrever seu tratado soibre a linguagem. Nunca tanto se falou para falar t�o pouco...H� quatro classes que inspiram a ret�rica do nada: a classe pol�tica, a classe jur�dica, os economistas (que est�o longe de ser classe econ�mica) e os administradores de empresa. Eles legam ao povo, de natureza imitativa, a mesma disposi��o para tentar responder as coisas mais simples usando de recursos de linguagem evasivos, de palavras dif�cies (na �tica popular), e rapidamente vamos esquecendo da li��odada pela Inglaterra, quando os Lordes proferiram seu voto contra Pinochet em simples e curtas palavras, ao contr�rio de nossos tribunais, que num simples caso de div�rcio nos brindam o aborrecido espet�culo de ouvir cada desembargador palestrar...
N�o me esque�o de Sebastiana, uma pobre mulher, bela, esfor�ada, com filhos barbados, que vinha fazer a faxina em minha casa. Um dia aprendeu a pronunciar a palavra "sistem�tico"...Pronto. Queria porque queria aplic�-la � cada coisa que via, a cada pessoa da casa, e, certamente, a mim. Se eu me entristecia pelo amor n�o correspondido, eu era sistem�tico. Se tinha dor dente, eu era sistem�tico. Mas, � claro, n�o lhe dizia nada, vendo compassivamente como aquelas pessoas que "n�o vivem, apenas aguentam", como canta Milton Nascimento em "Maria, Maria". Entretanto, n�o podia deixar de observar nisto o espelho antieducacional da verborragia das elites, resultando na cren�a em alguma aquisi��o, ao enotar a palavra "sistem�tico". O povo sabe muito bem, desde Lutero ou antes dele, que saber � poder. N�o � fortuito o fato de a Igreja ser contra a imprensa e o ensino da leitura para todos quando de seu advento.
O povo, como toda massa, est� acostumado a servir-se dos exemplos despejados de cima, estando em cont�nuo processo de apreens�o de tudo que possa significar um melhoria de vida, uma ascen��o social. A� � que torna-se p�rfida a invers�o valorativa, pois se transmite a este mesmo povo, de forma embutida, a no��o deformada (sobejamente presente em muit�ssimos ju�zes!) que faz associar o uso das "palavras dif�ceis" ao preparo e conhecimento.
N�o se estranha nada que no pa�s de �cones aut�matas e vazios como uma Xuxa, as apar�nciais preponderem at� na cultura, vindo a desviar sempre a vigil�ncia popular das causas fundamentais que lhe deveriam ocupar. O efeito asc�ptico da Rede Globo se projeta em todos os setores da vida nacional, invertendo valores, colocando bundas no lugar do m�rito, fazendo da "virtude hormonal" a maior das virtudes. E tudo isto se presta a qu�? A que um Lula ou qualquer outro representante mais fidedigno seja preterido em raz�o de um Collor, com as estampas empelicadas que a V�nus platinada nos acostumou.
No dom�nio sem�ntico ocorre o mesmo, ou seja, � o mesmo fator mutiplicando sua performance p�rfida de domina��o. Chaplin bem disse a Einstein, ao desfilar com ele pelas ruas de New York: "A mim aplaudem porque todos me entendem, e a vc, aplaudem justamente porque ningu�m te entende" (numa alus�o � dificuldade da teoria da relatividade). Quanto ao g�nio de Einstein se justifica, mas quanto aos Ju�zes, aos pol�ticos, aos economistas, que dizer? O povo t�m fasc�nio pela falta de cultura enrustida no palavr�rio que raia o gongorismo. Adora n�o entender. � de pasmar que um popular quase analfabeto venha dizer que Lula n�o estava preparado para a presid�ncia...com base na linguagem direta e simples que o mesmo usava;. entend�-lo era a falta mais grave cometida contra o entendimento popular! Nossa elite sabe usar o esc�rnio cortante, o deboche, sabe evidenciar uma cultura que n�o possui, quando isto serve a este fim.
Em que deriva, atualmente, a pr�tica recorrente nesta linguagem vazia? Em respostas que mascaram a falta de respostas. A loquacidade tribun�cia j� toma alento sem nenhuma dificuldade na t�cnica do embuste ret�rico. Isso se propaga, e assim � que hoje, na TV Record, fiquei pasmo ao ver um renomado professor de uma universidade federal, especialista em energia el�trica, num programa de audit�rio, ser consultado pela apresentadora se o Governo tinha culpa ou n�o na coisa toda; novamente ouvi aquela irritante demora em responder diretamente as coisas...Vi como rapidamente o modismo dos depoimentos do tipo Arruda e ACM se propalam. O tal professor n�o conseguia dizer as coisas de modo simples e direto, tecendo mil considerandos e se embatucando para coligir as palavras mais t�cnicas, com apar�ncia de isen��o, e etc., para ao fim dizer que n�o foram tomadas as devida sprovid�ncias quando houve o alerta. Ent�o a resposta era:
SIM, FOI CULPA DO GOVERNO!
Mas infelizmente n�o conseguimos ouvir isso. At� um professor universit�rio anda querendo aparecer em p�blico como bem falante, nessa m�stica da bobagem nacional! A entrevistadora, por inculta que seja (a companheira de cama de Mick Jager), foi bastante insistente, e pod�amos at� ver real irrita��o nela, que perguntava diversas vezes a mesma coisa. E nada do PHD responder..."Com certeza - pensei - � uma defesa indireta da classe, mostrando que cientistas tb. sebam falar!"...
E , para consumar o dia dessa verdadeira babil�nia tropical, nada poderia ser mais ilustrativo:
FHC declara tom altivo que qualquer coisa sobre o plano de racionamento � mera especula��o, porque ainda n�o possuem plano!Sr. Presidente gostaria de entender qual � o suporte de tanta dignidade, como quem passa uma reprimenda, quando � o Sr. quem deveria ter vergonha de nesta estas alturas ainda n�o ter plano e defender com tanta nobreza a sua pr�ria des�dia contra as especula��es! Ser�o entrevistas e mais entrevistas, de como o Minsitro encara a crise, que tem a dizer disso o tal secret�rio de n�o se sabe que porcaria de Minist�rio, Malan admitidno uma pequena falha e por a� vai. O desmentido do �bvio j� sedimentou-se pelas estruturas ret�ricas desse pa�s. Fosse Nuremberg no Brasil e Goering sairia do Tribunal pela porta da frente, pagando uma multa pela polui��o ambiental causada pleos fornos cremat�rios!
Enfim, quanto maior a cat�strofe, mais h�bil o eufemismo. Um pouco de vergonha na cara bem faria a tais governantes, que ao empenharem-se contra uma CPI mostram-se r�pidos e eficientes....S�ditos que s�o de uma pol�tica provinciana na dire��o de um pa�s continental, pequenas mazelas funcionais se sobrep�em ao interesse nacional...� ministro que n�o recebe fulano, � cicrano que n�o soube comunicar, � falha nisso e naquilo..Bras�lia deixou de ser a capital de um pa�s para ser a capital das questi�nculas!
E novamente os velhos mananciais sem�nticos vir�o em socorro da falta de argumento..Tudo se falar�, menos o que est� n�tido: "sou incompetente, errei, n�o atinei para o problema verdadeiro porque estava ocupado com a maquin��o do Poder".
Resta ainda perguntar: as Cias. adquiriram o controle das fornecedoras de energia n�o ter�o, nesse maldito processo de privatiza��o, nenhum investimento a fazer no setor, sen�o receber de nossas hidroel�tricas tudo prontinho?
Restamos nesta Na��o do Eufemismo.
Sunda Hufufuur
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