Constitucional_Brasil - 22.jul.2001
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Subject: [Constitucional_Brasil] Geleia -- Laerte Braga
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OS DONOS, OS BANANAS,
A GEL�IA DA GLOBALIZA��O � VOC�,
SOMOS N�S


Laerte Braga


Todas as vezes que os "pensadores" do capitalismo (ser� que existem?)
aparecem para defend�-lo o argumento � um s� e sempre o mesmo, s� varia
na constru��o da frase, nas palavras: "� preciso fazer o bolo crescer
para depois reparti-lo".


A grande vantagem que o capital leva sobre o socialismo � que para
fazer dinheiro n�o h� necessidade de c�rebro, de escr�pulos, s� de uns
porretes para assegurar toda a explora��o poss�vel. Qualquer Bush da
vida vira "boss" de companhia petrol�fera.


A sedu��o do verde do d�lar propicia que apare�am, em todos os cantos,
bananas como FHC, Menen, De La Rua, Banzer, Tony Blair, etc, etc.
Mas a gel�ia � voc�, somos n�s.


O socialismo, em qualquer �ngulo tem a �tica da inclus�o, ao contr�rio
da �tica da exclus�o que � inerente ao capitalismo.


Em nenhum momento da hist�ria a luta teve outra conota��o que n�o de
classes: opressores e oprimidos.


Quando um jornal como a "Folha de S�o Paulo", ou o "Jornal do Brasil"
falam em "rebeldes sem causa" aludindo aos manifestantes de G�nova
procura, de imediato, desqualificar o protestos, deixando no ar,
literalmente, a afirma��o impl�cita: "� falta de tu vai tatu mesmo".


Ou seja: o capitalismo ocupa o espa�o de todo o mundo contempor�neo por
falta de alternativa, mesmo que seja ruim.


Isso equivale, mais ou menos, na verdade mais, a jogarem voc�, todos
n�s, num triturador, tal e qual gladiadores nas arenas de Roma e
proclamarem que � poss�vel a travessia.


N�o � n�o.


Os rebeldes de G�nova, tanto quanto os de Seattle, ou os de Davos, t�m
causa: a vida.


A segunda metade do s�culo XX registrou duas manifesta��es
extraordin�rias de amor � vida, a liberdade e ambas significando paz e
justi�a. Woodstock e a revolta de Paris, em 1968.


N�o importa que Woodstock tenha sido s� um c�ntico de jovens comedores
de hamb�rgueres. Nem que anos depois muitos deles tenham virado yuppies.
Sobrou o esp�rito de Bob Dilan, a dor incomensur�vel de Janis Joplin e
toda a incompreens�o que permeava seu esp�rito, ou a guitarra ora
dolorida, ora guerreira de Jimmy Hendrix.


Pete Towsend � um dos maiores fil�sofos contempor�neos da Europa. N�o
abandonou o sonho. Talvez tenha cortado os cabelos, s� isso.
O mundo hoje, o mundo do capital � o mundo dos bo�ais. Dos que
proclamam a superioridade do dinheiro sobre o ser humano.


N�o h� o que discutir com esse tipo de gente. � como lutar por dentro,
aceitando as regras deles. Por que?


Progresso onde? Nas Ilhas Cayman? Nas penitenci�rias norte-americanas
onde pelo menos 25 dos mais de mil acusados e condenados � morte foram
executados e eram inocentes?


A morte de um manifestante italiano - um tiro na cabe�a - foi
deliberada. Decidida na cabe�a de um policial que apontou sua arma,
mirou e atirou na cabe�a de um ser humano. Um cidad�o. Se outro chorou
paci�ncia. O corpo esta ali estendido.


Terminado o festival de Woodstock, Lindon Johnson disse que estava
chocado com as imagens de "jovens americanos, meninos e meninas tomando
banho nus em um lago, como se isso fosse natural e n�o ofendesse aos
princ�pios de nossa na��o".


O Vietnan, nesse instante, estava recebendo toneladas de napalm e isso
n�o ofendia aos olhos est�pidos e repulsivos de Johnson.
Bush era todo sorrisos no dia de hoje. Lamentou a morte de um jovem e
voltou-se para o interior do Pal�cio onde decide o que os bananas que
rodeiam v�o fazer e as ordens que os bananas, como o nosso aqui, v�o
receber.


E v�o falar em progresso. Em riqueza. Em avan�o tecnol�gico. Em escudo
protetor da liberdade e contra m�sseis que n�o existem. V�o mostrar e
exibir ret�rica preocupa��o com a pobreza, mas v�o continuar a
transformar-nos, a todos, em gel�ia.


O capitalismo n�o � um fogo brando. � um inferno.
N�o h� respeito, m�nimo que seja, a integralidade do ser humano, que
dir� a sua integridade.


Anos atr�s, mais precisamente em 1996, o vice presidente nacional do
PSDB, deputado Cust�dio Matos, ao tomar conhecimento que uma crian�a
morrera num hospital da cidade em que era prefeito por falta de socorro,
disse o seguinte: "gente morre todos os dias, o que eu posso fazer? " �
a ponta de baixo repetindo a mesma fala da ponta de cima.


Capital significa bancos; grandes corpora��es. S�o olhos postos sobre
as pessoas/gel�ias, sem o menor conte�do humano. Sem �tica que n�o a
�tica da falta de �tica.


A sedu��o do n�on ultrapassa almas, cora��es e leva l�deres como Lula a
proclamarem que "o socialismo acabou..." A tentar ser igual a eles para
ser aceito e ostentar uma faixa presidencial. Transforma, por seu
comando, partidos como o PT em ap�ndice fisiol�gico de vontades e
vaidades deslumbradas com banheiros repletos de espelho, nos moldes dos
melhores mot�is.


Lula quer banho de espuma, como Bush. Como FHC. Acha poss�vel humanizar
satan�s.


O jovem estendido no ch�o de uma rua de G�nova, 23 anos anos, mais novo
que o mais novo dos meus filhos, tinha um sonho. Todos temos. N�o h�
como deixar de sermos gel�ia enquanto formos contemplativos diante dessa
chamada nova ordem.


Nesse momento transgress�o � a palavra que significa vida. O resto �
morte. Ainda que permane�amos vivos. Como escreveu Miguel Gustavo e
cantou Carminha Mascarenhas: "acorda, levanta, trabalha, come, deita e
dorme/acorda..." S� isso.





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