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OUTRAS PALAVRAS -- BOLETIM DE ATUALIZA��O DO
PORTAL PORTO ALEGRE 2002 --
I. AS ESTRAT�GIAS DE GUERRA DE WASHINGTON: Por que o Imp�rio precisa tanto de inimigos - www.portoalegre2002 publica hoje, em primeira m�o no Brasil, um texto indispens�vel para compreender os verdadeiros motivos da guerra em que a Casa Branca procura envolver o mundo. O cientista pol�tico David N. Gibbs analisa, para a Montly Review, o sentido da pol�tica externa dos EUA, ap�s a Guerra Fria. Suas conclus�es centrais s�o: 1. O fim da Uni�o Sovi�tica representou para Washington uma vit�ria not�vel, mas ao mesmo tempo um enorme problema. Eliminada a "amea�a comunista", acabou a legitimidade de os estadunidenses dispunham para ocupar a posi��o de pot�ncia dominante do Ocidente. 2. Acostumados ao poder, �s vantagens e ao conforto da antiga posi��o, eles ir�o se orientar em seguida pela busca incessante de atores que cumpram o papel do "grande inimigo" e justifiquem, dessa maneira, a submiss�o financeira e militar da Europa e do Jap�o a sua lideran�a. Tais teses aplicam-se, evidentemente, � nova iniciativa militar dos EUA, que segundo o presidente George W. Bush, dever� "durar muitos anos", admitir o uso de "todas as armas" e obrigar o resto do mundo a escolher a posi��o "de aliado ou de inimigo". Mas, al�m da atualidade, o artigo de Gibbs chama aten��o pela abrang�ncia da an�lise e demonstra��o rigorosa do que afirma. Ao longo do texto, ele examina e interpreta alguns dos principais fatos do cen�rio internacional das �ltimas d�cadas: o esfor�o da Europa (Fran�a e Alemanha, em especial) para ampliar sua unidade e fugir do tac�o do imp�rio; a contra-ofensiva da Casa Branca, feita atrav�s do refor�o da OTAN; a import�ncia, para os EUA, de ampliar e desregulamentar os fluxos de capitais; o papel do FMI como bra�o oculto dos interesses estadunidenses; os motivos da press�o permanente de Washington por mais pol�ticas de abertura comercial na OMC. O artigo, que vale tradu��o para outros idiomas, est� dispon�vel por enquanto (em ingl�s).
C�sar Benjamin analisa: guerra pode visar a �sia - A escolha do Afeganist�o como na��o inimiga do imp�rio pode ter a sua raz�o de ser, segundo C�sar Benjamin, da Consulta Popular. A �sia �, segundo ele, o continente mais in�spito � globaliza��o financeira e onde desenham-se algumas pot�ncias ascendentes (em especial, a China). "Uma tens�o duradoura no cora��o da �sia se ajusta perfeitamente aos interesses dos EUA. O Afeganist�o tem fronteiras com Ir�, Paquist�o, China, al�m de ficar muito perto de �ndia e R�ssia. Ideal para quem deseja manter seus advers�rios voltados para dentro" (em portugu�s). James Petras v� a��o contra movimentos sociais na Am�rica Latina - Segundo o intelectual estadunidense James Petras, os latino-americanos podem ser os mais prejudicados com a nova reafirma��o do poder imperial de Washington. Na onda da sataniza��o dos advers�rios, os EUA poderiam incentivar, na Am�rica Latina, a forma��o de governos opressores dos movimentos sociais. O autoritarismo seria apresentado, tamb�m, como sa�da para enfrentar a crise econ�mica que j� est� em curso, provocada em primeiro lugar pela pr�pria crise do neoliberalismo (em espanhol). FMI, a nova pe�a na m�quina da guerra - Uma pequena mostra do retrocesso pol�tico que a guerra do Imp�rio provocaria surgiu no �ltimo fim de semana. Num gesto em tudo semelhante �s pr�ticas mais fisiol�gicas das elites brasileiras – por�m de conseq��ncias muito mais dram�ticas, o Fundo Monet�rio Internacional anunciou a poss�vel aprova��o de "ajuda financeira importante" ao Paquist�o. Foi o pr�mio, certamente decidido pelos Estados Unidos, � decis�o do governo de Islamabad, que autorizou o uso de seu territ�rio e espa�o a�reo para ataques ao Afeganist�o. O analista Mushahid Hussain explica, por�m, num artigo para a Ag�ncia IPS, que o apoio � guerra de Washington n�o ser� t�o simples no mundo �rabe. No �ltimo fim de semana, por exemplo, o secret�rio-geral da Liga �rabe e os ministros das Rela��es Exteriores do Conselho de Coopera��o do Golfo lan�aram comunicados reticentes em rela��o a um novo conflito e cr�ticos ao papel desempenhado, no Oriente M�dio, por Israel – aliado estadunidense n�mero 1 na regi�o (em espanhol).
II. A LUTA PELA PAZ DESAFIA O SIL�NCIO:
M�dia omite crescimento da luta pela paz... - Mais dois textos colhidos por www.portoalegre2002.net mostram que h� espa�o para lutar contra a barb�rie anunciada pelo governo estadunidense. Em "A growing opposition", John Nichols relata para a revista The Nation uma s�rie de iniciativas tomadas: protestos, cria��o de grupos de milit�ncia, aulas p�blicas, p�ginas eletr�nicas. S� na �ltima quinta-feira ocorreram manifesta��es simult�neas em 105 campi universit�rios nos EUA Dados impressionantes escondidos pela grande m�dia, que segue sua campanha em favor da guerra (em ingl�s). ...que pode crescer apoiado na �tica e na informa��o - H� motivos muito simples que fazem a popula��o estadunidense, a despeito da quase unanimidade do Congresso e da imprensa, buscar uma solu��o pac�fica. Elas s�o analisadas por Michael Albert, editor de Znet, no texto "Peace movement prospects". Segundo ele, os argumentos a favor da paz s�o simples e universais. O que falta s�o dados que mostrem o car�ter nefasto da vingan�a pretendida por Bush. "N�s vivemos num mundo preparado para argumentos contra a guerra. A humanidade n�o carece de escr�pulos ou l�gica, mas de informa��o e conhecimento" (em ingl�s). Cubanos: para garantir a paz, atingir a raiz dos conflitos - Ainda h� tempo, "mas n�o se pode perder nem um minuto", para a constru��o de "uma verdadeira associa��o mundial pela paz". Em nota oficial, o governo cubano afirma que deve-se articular, urgentemente, um esfor�o internacional para resolver as contradi��es mundiais que d�o origem a conflitos armados em v�rias regi�es (em espanhol).
III. OS CEN�RIOS MUTANTES DO ORIENTE M�DIO Uma poss�vel guerra n�o ser� um passeio - O governo dos EUA e a m�dia aliada a ele continuam intensificando, todos os dias, os preparativos para a guerra e o tom belicista de seu discurso. A Casa Branca procura envenenar a sociedade de seu pa�s criando um ambiente no qual n�o ir � guerra significar� uma humilha��o. Os motivos ficam claros ap�s a leitura do texto de Gibbs, citado acima. Robert Fisk pondera, no entanto, num texto para The Independent, que uma coisa s�o os desejos de Bush filho; outra, a realidade. Fisk, famoso por sua s�rie de encontros com Bin Laden, e um dos jornalistas com conhecimento mais amplo sobre o Oriente M�dio, pensa que "a cada dia fica mais evidente a culpabilidade de Laden" nos atos terroristas contra Nova Iorque e Washington. Mas adverte: o objetivo principal do milion�rio saudita � "acabar com os regimes pr�-EUA no Oriente M�dio"; os atentados podem ter sido uma provoca��o (em portugu�s). Sufocar o Afeganist�o em fome e sede, uma t�tica poss�vel? - Pelo menos num sentido, a guerra j� come�ou. Algum poder que n�o quis se identificar – e que a m�dia oficial mant�m protegido pelo sigilo – ordenou que se retirassem do Afeganist�o a ONU e as ag�ncias humanit�rias que davam apoio � popula��o. Chris Buckley, respons�vel pelo programa de apoio da ag�ncia internacional Christian Aid conta em detalhes, num texto publicado originalmente na revista Z-Net, as conseq��ncias desta medida. Chris relata que at� o fim do ano as vidas de 5,5 milh�es de pessoas depender�o da ajuda agora cortada. O per�odo cr�tico come�a agora. O inverno e a neve, que come�a a cair em algumas semanas, isolar�o os vilarejos um dos outros, tornar�o muito dif�cil acesso �s fontes de �gua que restam. A semeadura dos cereais b�sicos precisaria ser feito imediatamente, enquanto � outono. Mas os afeg�os precisam das sementes que eram oferecidas pelas ag�ncias. Sem elas, haver� fome massiva durante todo o pr�ximo ano. O relato permite supor que o verdadeiro objetivo da medida n�o � proteger os funcion�rios das ag�ncias, mas ampliar ainda mais as mortes e o sofrimento dos civis -- e criar, atrav�s deste expediente, uma situa��o de instabilidade pol�tica. Ao desencadear a poss�vel invas�o, o Imp�rio encontraria, portanto, um pa�s em frangalhos (em ingl�s). -- Para assinar Outras Palvras, basta visitar www.portoalegre2002.net e digitar seu endere�o eletr�nico na janela apropriada; ou ent�o enviar email para [EMAIL PROTECTED] N�o � preciso registrar nada, nem no t�tulo nem no corpo da mensagem. Se voc� n�o deseja mais receber o boletim, envie um e-mail para: [EMAIL PROTECTED] Seu uso do Yahoo! Grupos � sujeito aos Termos do Servi�o Yahoo!. ----------------------------------- Endere�os da lista: Para entrar: [EMAIL PROTECTED] Para sair: [EMAIL PROTECTED] -----------------------------------
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