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OUTRAS PALAVRAS -- BOLETIM DE ATUALIZA��O DO
PORTAL PORTO ALEGRE 2002 -- I – RUMO A PORTO ALEGRE 2002 Avan�a a prepara��o do II F�rum Social Mundial Entre 30 de outubro e 1� de novembro, o Conselho Internacional do FSM vai fazer, em Dakar (Senegal) sua segunda reuni�o. Desse encontro, e da an�lise que seus participantes fizerem sobre as mudan�as na conjuntura ap�s 11 de setembro, sair� o desenho do pr�ximo F�rum de Porto Alegre. Algumas passos j� foram dados pelo Comit� Organizador brasileiro. (Veja no final desta edi��o)
II – UMA GUERRA CADA VEZ MAIS SUJA
Distribui��o de alimentos mata e n�o substitui programas da ONU A suposta ajuda humanit�ria de Bush, ao jogar pacotes com alimentos para os afeg�os, pode estar tendo efeitos semelhantes ao das toneladas de bombas despejadas pelos avi�es estadunidenses. A den�ncia foi feita pelo rep�rter Peter Popham, da revista brit�nica Independent. Em um pa�s semeado por 10 milh�es de minas terrestres, e em que dez a quinze delas explodem por dia, jogar ra��es de comidas do ar, a esmo, n�o � a maneira mais segura de garantir alimentos � popula��o. "As �reas que est�o recebendo os pacotes – as plan�cies centrais e a fronteira com o Paquist�o – s�o aquelas em que h� mais suspeita de minas", informa uma fonte do Independent, que realiza trabalho humanit�rio no Afeganist�o. Al�m disso, os 37 mil pacotes de comida distribu�dos diariamente por Bush, de maneira "cordial", devem ser disputados, entre minas, pelos 5 milh�es de famintos do pa�s. E n�o substituem as 150 mil toneladas de alimentos que deixaram de ser distribu�das em caminh�es da ONU, desde que come�ou o bombardeio estadunidense. (ingl�s)
Para fugir da dor, m�dia se prende � publicidade de Bush "A m�dia estadunidense nunca encontra um modo de mostrar a morte, que �, afinal de contas, a mat�ria das guerras. Sempre h� pequenos novos fatos sem import�ncia que tornam o sofrimento algo inexpressivo". A avalia��o, feita pelo jornalista Michael Herr, � sobre a cobertura da guerra do Vietn�, mas vale perfeitamente para o que se tem visto hoje, segundo Norman Solomon, em sua coluna Media Beat. � o que se repete, na opini�o de Solomon, quando o New York Times ocupa suas manchetes e editoriais em elogiar a a��o "humanit�ria" de Bush, que joga alimentos sobre campos minados. Ou faz campanha para que crian�as estadunidenses enviem notas de um d�lar para os afeg�os – "duas das manobras mais c�nicas de manipula��o da m�dia nesse princ�pio de s�culo 21", segundo Solomon. (ingl�s)
III -- AM�RICA LATINA EM CHEQUE
Plan Puebla Panam�: diante da ame�a, comunidades ind�genas se organizam Uma estrada e uma ferrovia que liguem a cidade de Puebla, vizinha � capital do M�xico, com o Panam� -- rasgando Guatemala, Honduras, Nicar�gua, Costa Rica e, naturalmente, a selva Laconda, em Chiapas. Batizado de Plan Puebla Panam�, esse � o projeto de integra��o comercial que prepara terreno para a ALCA nos pa�ses da Am�rica Central. O plano garantiria o escoamento de uma nova onda de maquiladoras, agora para al�m do M�xico, e seria ao mesmo tempo um golpe contra a crescente autonomia ind�gena no sul mexicano, uma amea�a �s empresas que sonham controlar as reservas petrol�feras e a biodiversidade da regi�o. Diante desta amea�a, as comunidades ind�genas tamb�m tra�aram seu plano. Diversas entidades reuniram-se no M�xico, em setembro, e decidiram criar uma coordena��o regional das comunidades ind�genas, baseada em comit�s locais de informa��o. As informa��es est�o em uma mat�ria de Emanuel G�mez para a ALAI. (espanhol)
Plano Col�mbia pode ganhar novo f�lego depois de outubro Ainda este m�s, deve estar conclu�da a amplia��o da pista de pouso e decolagem da base militar de Manta, no Equador. Isso permitir� que a �rea, a partir deste ano sob controle do EUA ap�s acordo com o governo equatoriano, sirva para avi�es Galaxy, C-130 e C-140, que possibilitam o deslocamento r�pido de 15 a 20 mil homens. Esse contingente, equivalente ao que vem sendo empregado atualmente no Afeganist�o, parece desproporcional a um pa�s como o Equador. Mas faz sentido dentro da l�gica do Plano Col�mbia e da possibilidade de uma interven��o maci�a em breve. Esse, e outros dados essenciais para entender a estrat�gia da Casa Branca para a Am�rica Latina est�o em um relato corajoso do coronel equatoriano da reserva Jorge Brito Albuja. A exposi��o foi feita diante do Congresso do Equador e reproduzida pela organiza��o de direitos humanos Nizkor. Jorge Brito traz � tona o "Manual Bush", elaborado em 1990 durante o governo de Bush pai, pelo "Di�logo Interamericano", um grupo especial de estrategistas que tra�ou os planos da Casa Branca para a Am�rica Latina. A cartilha definia o combate ao narcotr�fico como uma forma de agrupar as for�as armadas do continente sob a tutela estadunidense. (espanhol)
Avan�a prepara��o do II FSM O que a conjuntura aberta em 11 de setembro pode mudar no novo encontro de Porto Alegre Com as reuni�es do Comit� Organizador Brasileiro de 18 de setembro, sistematizando as consultas ao Conselho Internacional sobre a grade de confer�ncias, e de instala��o do Conselho Brasileiro, composto por cerca de cinq�enta organiza��es brasileiras, em 19 de setembro, o processo de prepara��o do F�rum Social Mundial 2002 ganhou �mpeto. Isso se d� em um momento em que ocorre uma mudan�a importante na conjuntura internacional, com a retomada da iniciativa pol�tica pelo governo Bush em resposta ao atentado de 11 de setembro, a partir da orienta��o mais reacion�ria hoje disputando os rumos do campo pol�tico do grande capital internacional. O quadro ainda apresenta indefini��es importantes, mas parece claro que o sentido de uni�o nacional em torno do governo Bush, de um lado, e o seu sentido de oportunidade, aproveitando o evento para aplicar um programa que encontrava s�rias resist�ncias, j� imp�e uma mudan�a grande em nossa atua��o. Para o movimento antiglobaliza��o, a discuss�o feita inclui os seguintes aspectos: >> a defini��o de que a agenda anteriormente prevista para o FSM deve ser mantida; >> ela deve, agora, incorporar com centralidade a quest�o da paz, a defesa da autodetermina��o e da soberania nacional, das liberdades civis, da toler�ncia religiosa e cultural, o combate ao racismo e � xenofobia e a luta contra a militariza��o e as agress�es imperialistas; >> sem preju�zo da articula��o dos movimentos sociais em luta contra a globaliza��o neoliberal, o FSM deve ser um momento destacado de luta pela paz e contra as interven��es militares contra os povos dos pa�ses dependentes, em um cen�rio onde a mundializa��o do capital e a domina��o imperial norte-americana ganham fei��es cada vez mais agressivas. O Comit� Organizador adotou, em Porto Alegre, no pr�prio dia 11, uma declara��o inicial, mas esta reorienta��o de rumos dever� ser objeto de um debate mais profundo na reuni�o doConselho Internacional em Dakar. No Brasil, o debate j� deu ensejo a uma proposta, formulada pelo Emir Sader, de organizar em Porto Alegre o f�rum "Um mundo sem guerras � poss�vel". Esta discuss�o certamente ganhar� novos elementos no pr�ximo per�odo e ter� que acompanhar os desdobramentos da conjuntura, as iniciativas do governo Bush e a resposta que ela provocar, seja dos povos agredidos, seja do movimento pela paz. As confer�ncias A formata��o da organiza��o do FSM 2002 j� est� praticamente definida. Procurando dar conta da presen�a, em Porto Alegre, em final de janeiro e in�cio de fevereiro, de qualquer coisa entre 50 e 100 mil pessoas, o F�rum ser� composto por um leque muito diferenciado de atividades. As confer�ncias realizadas pela manh� s�o concebidas como um momento de apresenta��o de proposi��es alternativas ao neoliberalismo. Documentos ser�o lan�ados ainda em outubro com propostas para as confer�ncias (seis por eixo). No seu est�gio atual, a proposta das confer�ncias ainda apresenta lacunas. Foram fechadas as propostas de animadores (os organizadores do debates) e puxadores (os formuladores do documento inicial) de 18 das 24 confer�ncias e 3 confer�ncias especiais propostas (os debatedores dever�o ser definidos na reuni�o de Dakar). S�o temas das confer�ncias: Eixo I. Produ��o de riquezas Com�rcio mundial Corpora��es multinacionais Controle dos capitais financeiros D�vida externa Trabalho Economia solid�ria Terra e reforma agr�ria Eixo II. Acesso �s riquezas e sustentabilidade Saber e propriedade intelectual Sa�de e medicamentos Preserva��o do ambiente �gua: bem comum Povos ind�genas Cidades e popula��es urbanas Segruan�a alimentar Eixo III. Sociedade civil e espa�os p�blicos Combate �s discrimina��es Democratiza��o da comunica��o Produ��o cultural Perspectivas do movimento global Cultura da viol�ncia Migra��es e refugiados Educa��o Eixo IV. Poder pol�tico e �tica Poder globalit�rio Democracia participativa Soberania, na��o e estado Luta pela paz Princ�pios e valores Direitos humanos Outras atividades Entre as outras atividades previstas para Porto Alegre, est�o: >> Debate de propostas elaboradas em grandes eventos que preceder�o o FSM2002 (como o de Havana sobre Seguran�a Alimentar e o F�rum Mundial de Educa��o de Porto Alegre); >> Uma assembl�ia sobre a �rea de Livre Com�rcio das Am�ricas (ALCA), que deve lan�ar a id�ia de um plebiscito em toda a Am�rica >>Testemunhos, que a diferen�a de 2001 al�m de acontecerem ao final da tarde, poder�o ocorrer tamb�m na parte da manh�; >>Acampamento da Juventude (previsto para vinte mil pessoas) >> Coletivas de imprensa; >> Circuito cultural na cidade. O MST apresentou a proposta de realizar tr�s grandes confer�ncias pela manh�, para cinco mil pessoas, sobre socialismo, e j� iniciou consultas sobre sua organiza��o. Ainda � preciso discutir formas de fazer os debates de "per�odo e conjuntura", de uma maneira que seja construtiva para o movimento e n�o um tiroteio. Deste conjunto de atividades, vale destacar o papel dos semin�rios, concebidos como grandes oficinas organizadas por entidades capazes de garantir uma forte prepara��o pr�via. Se forem bem articulados, os semin�rios mais gerais, em conjunto com as confer�ncias da manh�, poder�o ajudar a construir uma compreens�o comum dos acontecimentos e das tarefas postas para o movimento antiglobaliza��o. Os sentidos pol�ticos do FSM 2002 � luz destes elementos, alguns aspectos gerais podem, do ponto de vista internacional, ser hoje definidos como poss�veis objetivos pol�ticos espec�ficos do FSM2002, dependendo do processo de constru��o pr�via que empreendamos, bem como da evolu��o da conjuntura, isto �, do espa�o que o movimento antiglobaliza��o e/ou movimento pela paz, volte a ocupar at� o F�rum, no in�cio de fevereiro: >> oferecer ao movimento um momento de reencontro, reflex�o, planejamento e emula��o, depois dos dif�ceis confrontos de G�nova e da dura conjuntura aberta em 11 de setembro; >> a articula��o dos movimentos sociais, para que seja poss�vel continuar desenvolvendo a mobiliza��o contra a globaliza��o neoliberal, em um cen�rio a curto prazo mais adverso, com iniciativas e um plano de lutas; >> a perspectiva de sairmos de Porto Alegre com cerca de 25 documentos propositivos sobre os temas fundamentais do nosso movimento e da disputa que ele trava, bem como com uma maior unidade pol�tica em torno da compreens�o geral da conjuntura que atravessamos; e, >> a realiza��o de uma atividade que possa, no novo contexto internacional, ser um grande marco na luta contra a guerra e o racismo, contra o aprofundamento das pol�ticas repressivas imperialistas, pela paz associada � democracia, justi�a e igualdade, permitindo ao movimento contra a globaliza��o e por um outro mundo politizar-se e recuperar iniciativa e espa�o pol�tico.
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