Title: ANDES - Secretaria
 
Circular n� 331/2001 Bras�lia, 6 de agosto de 2001
 
"COMUNICADO DO ANDES-SN � OPINI�O P�BLICA EM GERAL E � COMUNIDADE UNIVERSIT�RIA EM PARTICULAR".
 
Documentos da Secretaria
Em caso de d�vidas, entre em contato:

endere�o:
http://www.andes.org.br/oficio%20331.htm

----------

 
 


Circular n� 331/2001 Bras�lia, 6 de agosto de 2001


PARA: Se��es Sindicais, Diretores e Secretarias Regionais


Companheiros:


Conforme indica��o da Reuni�o do Setor das Federais realizada em Bras�lia em 04 de agosto, estamos enviando �s Se��es Sindicais o documento em anexo intitulado "COMUNICADO DO ANDES-SN � OPINI�O P�BLICA EM GERAL E � COMUNIDADE UNIVERSIT�RIA EM PARTICULAR".
Sem mais para o momento, renovamos nossas cordiais,


Sauda��es Sindicais e Universit�rias,

Prof� Marina Barbosa Pinto
P/Coordena��o do Setor das IFES


COMUNICADO DO ANDES-SN � OPINI�O P�BLICA EM GERAL
E � COMUNIDADE UNIVERSIT�RIA EM PARTICULAR
 

Os docentes do Setor das Institui��es Federais de Ensino Superior do Andes-SN, reunidos em Bras�lia, no dia 04 de agosto de 2001, indicaram, por unanimidade, GREVE NACIONAL a partir de 22 de agosto. Os representantes das 29 Se��es Sindicais presentes estabeleceram que a GREVE deve ser ativa, envolvendo todos os segmentos da comunidade, com amplas Assembl�ias e mobiliza��es no conjunto das universidades p�blicas brasileiras.
 
O Sindicato Nacional dos Docentes das Institui��es de Ensino Superior- ANDES-SN - informa � opini�o p�blica que as medidas governamentais que objetivam viabilizar um super�vit or�ament�rio de 3,5% do PIB, conforme acordo com o FMI, para o pagamento da d�vida p�blica, inviabilizar�o o funcionamento digno das Institui��es Federais de Ensino. � responsabilidade da comunidade universit�ria exigir um basta a essas medidas.
 
 
A permanente corrida atr�s de complementa��o or�ament�ria para custear n�veis cada vez mais indigentes de funcionamento das institui��es; a aus�ncia de concursos regulares para docentes, cujo d�ficit alcan�a oito mil vagas; os sal�rios incompat�veis com a dignidade e a responsabilidade da profiss�o docente; a degrada��o acelerada da infra-estrutura, s�o marcas da pol�tica anti-universit�ria do MEC. Ap�s seis anos de governo FHC e de gest�o do Ministro Paulo Renato de Souza, n�o � mais poss�vel tolerar esses ataques que, lastimavelmente, recrudescem na medida em que se agudiza a fal�ncia do modelo econ�mico neoliberal.
 

De fato, como se n�o bastassem as ignominiosas a��es j� efetivadas, o novo acordo com o FMI, inspirado nas violentas medidas adotadas pela Argentina, ir� requerer cortes ainda mais violentos como a redu��o de sal�rios, por meio da redu��o das gratifica��es ( j� em curso na carreira dos t�cnico-administrativos), em especial da GAE, o item que comp�e a maior parte do vencimento dos servidores, e do aprofundamento da ruptura da isonomia entre os docentes das carreira de terceiro grau e do ensino b�sico e da paridade entre ativos e aposentados - medidas encaminhadas por meio do projeto de emprego p�blico que o MEC pretende apresentar ao Congresso Nacional. O referido projeto de emprego p�blico significa um gigantesco passo na dire��o da privatiza��o completa das institui��es federais, extinguindo a estabilidade no emprego - uma conquista secular das universidades, sem a qual n�o � poss�vel a plena autonomia individual do professor e, por conseguinte, a pr�pria autonomia universit�ria constitucionalmente garantida - a aposentadoria integral e a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extens�o.
 

Nem mesmo os cr�dulos, que julgaram que o "respons�vel" professor Fernando Henrique apoiaria as universidades, hoje acreditam nessa vers�o e imagem cuidadosamente cultuadas pela m�dia comprometida com o projeto neoliberal adotado pelo governo. Vale lembrar que ainda no in�cio de seu primeiro mandato, indagado sobre a primazia de sua pol�tica educacional, o Presidente respondeu: "a universaliza��o do ensino prim�rio e a freagem do crescimento da universidade federal" (Archard e Flores, Gobernabilidad: un reportaje de Am�rica Latina. M�xico: PNUD/Fondo de Cultura Econ�mica,1997, p. 85).
 
 
O Ministro Paulo Renato, em entrevista � revista Exame (10/06/96), completou: "a �nfase no ensino universit�rio foi caracter�stica de um modelo de desenvolvimento auto-sustentado que demandava criar pesquisa e tecnologias pr�prias (...) hoje este modelo est� em agonia terminal".
 
 
A ideologia da globaliza��o fornece ao Ministro argumentos para sustentar que "o acesso ao conhecimento fica facilitado, as associa��es e joint ventures se encarregam de prover as empresas de pa�ses como o Brasil do know-how de que necessitam. A terceiriza��o das universidades, como fez a Cor�ia, faz mais sentido do ponto de vista econ�mico". O Sr. Ministro parece esquecer que 99% das patentes pertencem a corpora��es multinacionais dos pa�ses do G-7 e que os custos da propriedade intelectual inviabilizam o acesso da popula��o a direitos essenciais como os medicamentos, insumos agr�colas etc.
 

Essas orienta��es n�o s�o apenas inten��es, mas, como vimos, pol�ticas efetivas. Estudo do IPEA (CARBUCCI, P. R. Indica��es sobre o Or�amento das IFES, Texto para discuss�o n. 752, RJ: IPEA, agosto de 2000) atesta a violenta redu��o das verbas de manuten��o e desenvolvimento das IFES. O gasto total com as 39 universidades federais aparentemente se manteve relativamente inalterado no per�odo ap�s 1995. Mas, se os valores forem desagregados, o quadro � outro: os gastos com "despesas de capital" (recurso destinado a bibliotecas, insumos, melhoria de instala��es etc.) despencou 80%: de j� irris�rios R$ 173 milh�es em 1995 para R$ 31 milh�es em 1998.
 

Ao mesmo tempo, o fornecimento de ensino superior pelo setor privado foi vigorosamente apoiado. A liberaliza��o do "mercado educacional" fez com que o crescimento do setor privado fosse n�o apenas acentuado, mas implementado sem quaisquer formas de controle social. Proliferaram, na atual gest�o do MEC, cursos irregularmente abertos fora de sua sede por universidades que, a rigor, n�o poderiam ostentar este t�tulo caso o Art. 207 da Constitui��o Federal estivesse sendo respeitado. Em n�tido contraste com o financiamento das Federais, em apenas dois anos foram liberados R$ 750 milh�es do BNDES para as institui��es privadas. Na pr�tica, o controle de qualidade do ensino foi reduzido ao chamado "produto final", por meio do Exame Nacional de Cursos em que quatro ou cinco anos de forma��o s�o avaliados por pouco mais de uma d�zia de quest�es de m�ltipla escolha, negando a autonomia universit�ria e a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extens�o (portanto, a pr�pria Constitui��o Federal) e, ainda, a verdadeira avalia��o acad�mica que deveria acompanhar toda a forma��o dos estudantes.
 

O Conselho Nacional de Educa��o, em vez de um �rg�o de Estado, como previsto no projeto de LDB original, assumiu a fei��o institucional de �rg�o de Governo. Atualmente, sua composi��o assemelha-se a um condom�nio de representantes do setor privado. At� mesmo conselheiros vinculados ao projeto governamental como J. A . Giannotti e Eunice Durhan, apesar de art�fices do projeto educacional neoliberal, mostram-se constrangidos com o clima de neg�cios que ronda o MEC, situa��o que levou o Chefe de Gabinete do Ministro Paulo Renato a se afastar do cargo.
 
 
Um representante da Funda��o Cesgranrio, poss�vel doadora de impressionantes R$ 500 mil para a reelei��o de FHC, foi nomeado membro do CNE enquanto que a Cesgranrio recebeu a atribui��o de elaborar parte do "Prov�o", um contrato que seguramente envolve valores significativos e confere consider�vel poder para a mesma.
 

As universidades p�blicas reagiram ao processo de desmonte e ampliaram a oferta de matr�culas apesar de in�dita redu��o do quadro docente. Professores e estudantes, por m�rito das universidades, de denodados membros dos comit�s da Capes e do CNPq que lutaram pela manuten��o das quotas de bolsas, e do esfor�o pessoal, qualificaram-se por meio do mestrado e do doutorado. Assim a produ��o cient�fica cresceu.
 
Por�m, essa expans�o her�ica trouxe seq�elas. Funda��es privadas foram constitu�das nas IFES, redefinindo-as como institui��es de venda de servi�os, em detrimento de seu car�ter de institui��o fomentadora de pesquisa orientada pelas quest�es l�gicas internas do campo cient�fico e pelas necessidades sociais.
 
 
Este processo insidioso de privatiza��o tem como combust�vel o arrocho salarial decorrente de sete anos de congelamento salarial, visto que a gratifica��o imposta pelo MEC, al�m de irris�ria e antiacad�mica, discrimina aposentados e docentes da carreira do ensino b�sico das IFES.
 
Em suma, o projeto governamental em curso j� avan�ou a ponto de despeda�ar o car�ter p�blico das Institui��es Federais de Ensino Superior. O ensino de qualidade, associado � pesquisa, j� n�o encontra nessas institui��es o ambiente necess�rio ao seu desenvolvimento. A participa��o das institui��es privadas no ensino superior n�o p�ra de crescer, sufocando as p�blicas. A ades�o dos docentes ao movimento de greve, nesse sentido, � um gesto de luta em defesa do ensino p�blico de alta qualidade, voltado para as necessidades da maioria do sociedade brasileira.
 

Bras�lia, 6 de agosto de 2001


Topo

 
-----------------------------------
Endere�os da lista:
Para entrar: [EMAIL PROTECTED]
Para sair: [EMAIL PROTECTED]
-----------------------------------

clique aqui Grupos.com.br
p�gina do grupo diret�rio de grupos diret�rio de pessoas cancelar assinatura

Responder a