Direito_Sa�de e Bio�tica -- 08.10.2001
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Revista Consultor Jur�dico
 
 
 
Filme de terror
Ex-agente diz que EUA iriam explodir bombas no Brasil
 

Travestido de empres�rio, um engenheiro qu�mico norte-americano foi enviado a S�o Paulo, no in�cio da d�cada de 70, com miss�es como espionar brasileiros e, eventualmente, assassinar pessoas e explodir bombas em alvos como a Catedral da S� e no consulado americano para justificar a repress�o � esquerda que resistia � ditadura militar no pa�s.

A revela��o foi feita neste domingo pelos rep�rteres Amaury Ribeiro Jr. e Raphael Gomide, no Jornal do Brasil. As informa��es decorrem de depoimento secreto do ex-agente da CIA, Robert Muller Hayes, ao Senado americano.

O depoimento do ex-espi�o, que no Brasil usava o nome de "Reis", n�o � recente. � de 1987, mas s� agora tornou-se conhecido e foi confirmado pelo pr�prio Hayes aos jornalistas. Sendo verdadeiro, � desconcertante para um governo que, a partir de 11 de setembro, elegeu o terrorismo como o grande mal do planeta.

Na entrevista, o americano afirma que passou a rejeitar as tarefas depois que se falou em explodir o consulado americano. "Nesse ponto, eles passaram dos limites. Eu seguia uma regra simples: matava apenas pessoas m�s. Nada de inocentes, mulheres e crian�as. � preciso ter certos princ�pios," afirmou ele.

Seu trabalho de rotina era vasculhar a vida de pol�ticos, sindicalistas e at� mesmo militares brasileiros. Sua miss�o ultrasecreta: eliminar militantes cubanos e latinos em geral que tentavam se infiltrar no Brasil.

Em 1987, o ex-agente foi intimado a depor em uma comiss�o do Senado que investigava a participa��o de colaboradores da CIA com o contrabando de armas. Mesmo depois de ser avisado de que poderia ser preso por perj�rio (falso testemunho), Hayes surpreendeu. Revelou um plano, elaborado em 1976 por colaboradores da CIA, para realizar um atentado que seria atribu�do �s organiza��es de esquerda. Tr�s op��es de alvo foram selecionadas: um Teatro no Jardim Paulista, a Catedral de S�o Paulo e o consulado americano na capital paulista.

Segundo Hayes, a inten��o do plano era a mesma que, mais tarde, na d�cada de 80, motivou militares do DOI-Codi - �rg�o de repress�o de militantes de esquerda no pa�s durante o regime militar - a explodir bombas no in�cio da d�cada de 80 no pa�s: responsabilizar os militantes da luta armada.

"Por ter me recusado a participar do plano, passei a ser perseguido e amea�ado de morte", afirmou Hayes, de seu escrit�rio na Fl�rida, ao JB.

Durante cinco horas de entrevista gravada nas duas �ltimas semanas, Hayes revelou ao jornal sua trajet�ria em servi�os secretos americanos e suas passagens pelo Brasil e outros pa�ses da Am�rica Latina. No Brasil, as atividades foram de espionagem, seq�estros e assassinatos, como afirmou, em depoimento � comiss�o do Senado dos EUA, em 1987. Sob os codinomes de Roberto Reis, Roberto Reyes e Salim Al Assal, disse ter trabalhado como agente free-lancer da CIA, do Mossad (israelense) e do Servi�o Secreto da Alemanha Oriental.

Entre os alvos de espionagem no pa�s, estavam personalidades da pol�tica brasileira, como os economistas Roberto Campos e Henrique Simonsen, sindicatos e altos oficiais das For�as Armadas brasileiras. "A CIA queria saber detalhes da vida pessoal deles, queria ouvir fofocas, se tinham amantes, com quem dormiam, o que faziam", afirmou Hayes, que contou ter obtido informa��es e fotos comprometedoras de algumas figuras p�blicas.

Hayes, que tinha a empresa de engenharia Hayes-Bosworth disse que sua atividade permitia que ele conhecesse muitas pessoas e tivesse acesso a muitas informa��es. Sua empresa assumiu contas milion�rias como o projeto de uma f�brica da Ford, em S�o Jos� dos Campos, que nunca saiu do papel.

De acordo com Hayes, sua experi�ncia militar em setores de intelig�ncia o levou a trabalhar para a CIA. No seu curr�culo de servi�os prestados aos servi�os secretos dos EUA, destaca suas passagens pela Ag�ncia de Seguran�a do Ex�rcito (ASA), pela Ag�ncia Nacional de Seguran�a (NSA) e pelo Boinas Verdes, divis�o de elite do ex�rcito dos Estados Unidos. L�, aprendeu a falar mandarim - dialeto oficial da China - e �rabe, o que o levou a trabalhar por um ano como tradutor.

Depois de passar para a reserva, decidiu estudar engenharia em Nova Iorque. Definindo-se como um patriota, Hayes fala, com certo orgulho, que se tornou, nessa �poca, uma esp�cie de "dedo-duro" no meio estudantil. Foi cooptado pelo FBI (pol�cia federal americana) para investigar estudantes e professores. Logo depois, a CIA lhe pediu o mesmo. "Mas n�o queriam que o FBI soubesse que estava fazendo isso. Eles (CIA) me disseram: Voc� � um de n�s. Eu era um estudante pobre que n�o gostava de comunistas, ent�o n�o vi muito problema em fazer isso. Se um professor me desse uma nota ruim, eu dizia que era comunista", revelou ao JB.

No fim dos anos 60, quando j� trabalhava como engenheiro qu�mico, voltou a ser procurado para fazer "opera��es" pela Europa. Questionado sobre que tipo de opera��es, ele despista. "Era engenheiro."

Revista Consultor Jur�dico, 7 de outubro de 2001.
 
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