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Entre os ensinamentos deixados
pelos atentados que abalaram os EUA em 11 de setembro, est� a
inconsist�ncia pol�tica do Liberalismo e a tentativa do governo
norte-americano de implantar uma nova ordem mundial baseada num certo
USAcentrismo.
A julgar pelas suas conseq��ncias
imediatas, ao
quebrar as estruturas que sustentavam as torres do World Trade Center, em
Nova York, jogando-as ao ch�o, aquele ataque terrorista liberou graves
contradi��es do liberalismo, abrindo caminho para sua d�b�cle enquanto
doutrina de governo. De fato, na seq��ncia dos atos
terroristas, premido pelas circunst�ncias ou, quem sabe, se aproveitando
delas, o presidente George W. Bush, maior l�der do capitalismo mundial,
tomou uma s�rie de medidas que, a exemplo dos ataques terroristas (que
destru�ram s�mbolos do capitalismo), fez desmoronar alguns dos fundamentos
mais preciosos do liberalismo capitalista. Em nome do
combate ao terrorismo, o presidente dos EUA, George W. Bush, suspendeu
direitos individuais, aumentou o poder policial dos investigadores,
autorizou o abate sum�rio de aeronaves comerciais, autorizou a ajuda
estatal a seguimentos espec�ficos da economia, congelou contas e dep�sitos
banc�rios, condenou pessoas sem julgamento, etc., etc., etc., instalando
um regime que pode ser tudo, menos liberal. Em resumo: submetido �
realidade que costuma impor a uma s�rie de pa�ses, o governo
norte-americano n�o titubeou e tomou medidas que desmoralizaram alguns dos
fundamentos b�sicos do liberalismo, deixando claro sua fal�ncia como
modelo, o que, na pr�tica, amplia, ainda mais, a vit�ria das for�as que os
atacaram em 11 de setembro.
Esse processo, ainda em curso, �, ao mesmo tempo,
curioso e espantoso, pois, da mesma forma que as torres do WTC n�o
ofereceram maior resist�ncia aos ataques e ru�ram fragorosamente, os
pilares que fundamentam o liberalismo tamb�m n�o est�o oferecendo nenhuma
resist�ncia aos atentados que a sanha vingativa do l�der capitalista
George W. Bush vem lhe perpetrando e tamb�m est�o ruindo sem nenhuma
resist�ncia. Uma ap�s outra, sem resist�ncia ou choro,
est�o caindo o direito de reuni�o e de associa��o, o sigilo postal e
telef�nico, o direito de propriedade e o velho princ�pio liberal que
defende um Estado amorfo, longe do affair econ�mico. Com efeito, em
epis�dios solenes, marcados pela chancela do presidente dos EUA e pela
cumplicidade da maioria dos Chefes de Estado e de Governo de pa�ses que
professam o liberalismo, os fundamentos da doutrina que os anima v�m sendo
destru�dos, deixando em seus escombros um quadro geral de contradi��es
que, evidentemente, inviabiliza sua continuidade como eixo pol�tico e
econ�mico.
Na realidade, diante da sua destacada participa��o no
processo de desmoraliza��o do liberalismo, n�o seria
impens�vel que, sob a desculpa geral de �combater o terrorismo
internacional�, o governo dos EUA esteja se aproveitando da situa��o para
tentar impor uma nova ordem mundial, baseada numa esp�cie de
�fundamentalismo norte-americano�, segundo o qual a vontade do presidente
George W. Bush e seus asseclas tenha a validade de lei em todo o planeta.
N�o � outro o sentido do discurso oficial manique�sta que o governo
norte-americano vem proferindo a exaust�o: �quem n�o ap�ia os EUA
irrestritamente, est� com os terroristas e ser� tratado como tal�. Na
esteira das amea�as, o presidente dos EUA, o texano George W. Bush,
comandante em chefe da for�a armada mais poderosa do mundo, vem impondo a
vontade norte-americana � maioria dos pa�ses, criando o ambiente prop�cio
para a instala��o da ordem mundial que lhe interessa. Se n�o encontrar
resist�ncia imediata, o presidente dos EUA George W. Bush instalar� um
regime universal no qual apenas a vontade norte-americana ter� for�a de
lei. Esse � um momento extremamente perigoso, pois, a eventual instala��o
do USAcentrismo far� o mundo imergir no per�odo mais negro da hist�ria da
humanidade.
O combate ao terrorismo n�o precisa
significar a submiss�o aos caub�is e cors�rios de
sempre.
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