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“A globaliza��o traz a interdepend�ncia, e a
interdepend�ncia traz a necessidade de tomar
decis�es coletivas em todas as �reas que nos afetam.” Joseph
Stiglitz MOREIRA FRANCO
Uma an�lise inspirada pelo bom senso, mesmo ainda sob o
rescaldo dos covardes atos terroristas nos Estados Unidos, h� de indicar os valores da democracia como as �nicas
ferramentas capazes de administrar os conflitos do mundo
contempor�neo e alcan�ar a paz. Querer usar as mesmas armas do
terrorismo, como estrat�gia de solu��o de conflitos, � escolher a
via do autoritarismo, da divis�o entre na��es, da teoria do olho por
olho, dente por dente, o que em �ltima an�lise constitui retrocesso
� barb�rie.
O contexto de crise e
tens�o por que passa o mundo pode muito bem servir � consolida��o do
ide�rio do direito e da justi�a, ao contr�rio do que pregam os
defensores da guerra permanente. Trata-se de um
grave erro de vis�o, que pode custar caro aos cidad�os do mundo,
querer combater o terrorismo com as suas pr�ticas. Significa
abdicar da for�a da diplomacia, do di�logo, da efic�cia das
institui��es multilaterais e da pr�pria Organiza��o das Na��es
Unidas na condu��o do processo da paz mundial.
Ora, o que pretende
o terrorismo, se n�o expressar a vontade de minorias, usando a for�a
de destrui��o como t�tica e atingindo s�mbolos do poder de grupos ou
na��es poderosas? Na Hist�ria da Humanidade, o terrorismo sempre foi
usado pelos que est�o extremamente fracos contra os que est�o
extremamente fortes, mas nunca se constituiu em m�todo vitorioso nas
pr�ticas e lutas pol�ticas e revolucion�rias. Ao contr�rio, os movimentos revolucion�rios sempre
combateram o terror, na cren�a de que a sociedade mobilizada jamais
deveria ceder aos apelos de minorias radicais e fan�ticas.
Se o uso das mesmas t�cnicas terroristas n�o parece ser o
mais adequado para combater o terrorismo, pela raz�o de que esse
jogo s� aos terroristas conv�m, que outros caminhos devem ser
trilhados? O caminho mais largo � o da democracia: o do direito e o da justi�a. Significa fazer com que
os tribunais internacionais sejam convocados para arbitrar os
conflitos, com regras de conviv�ncia que preservem e ampliem os
direitos dos povos, consolidando os valores da cidadania, refor�ando
os v�nculos entre na��es, evitando, de todas as formas, que
inocentes sejam tragados pelas for�as brutas da viol�ncia e da
retalia��o.
O mundo globalizado n�o pode aceitar a id�ia de
conflitos globalizados. O esfor�o das na��es deve se dirigir para a
constru��o de um grande edif�cio do direito internacional, que aja
como �rbitro, que garanta a soberania das na��es, que trabalhe pelo
ideal da igualdade, pelos direitos humanos e pela justi�a social. A
democracia abriga conflitos, mas ela tem o dever moral de abrir
espa�os e regras claras para que possam ser equacionados. N�o � o jogo bruto, a retalia��o pela engenharia de
guerra, a solu��o mais adequada. Portanto, o mundo globalizado
implica democracia globalizada, que se expressa nos valores da
liberdade, do respeito aos direitos humanos, da representatividade
social nos parlamentos, na rotatividade dos poderes, na organiza��o
dos partidos, no sufr�gio universal, na soberania popular e na
inclus�o social.
Por n�o ver tais
princ�pios valorizados, muitos pa�ses abrem brechas para a
manifesta��o de distor��es, injusti�as e, at� mesmo, atos de
barb�rie. O campo econ�mico, por exemplo, os fundamentalistas de
mercado freq�entemente minam de “bombas” que acabam explodindo no
meio da sociedade, devastando grupos sociais, criando bols�es
de pobreza, adensando o cord�o dos exclu�dos. E as explos�es que
abrem as desigualdades sociais ocorrem porque confunde-se economia
de mercado com sociedade de mercado. Trata-se de conceitos
diferentes, o primeiro significando o modo de produ��o, o segundo, a
aus�ncia do Estado na regulamenta��o das rela��es econ�micas e na
participa��o dos grupos sociais no bolo das riquezas nacionais. A
democracia h� de defender o primeiro conceito; e combater o segundo.
Nunca foi t�o premente afirmar o rep�dio ao
terrorismo e reafirmar os valores da democracia
como estilo de vida quanto neste tormentoso ciclo que
atravessa a Humanidade. � fundamental que os partidos pol�ticos n�o
apenas tomem consci�ncia dessa verdade, mas exprimam este discurso
com vigor e determina��o. Afinal de contas, os conflitos constituem
uma quest�o de natureza pol�tica. E quest�o pol�tica envolve
governos, dos quais fazem parte os poderes constitu�dos, e tamb�m as
institui��es nacionais, entre as quais os partidos. Esse � um
momento apropriado para que possam se afirmar como interlocu��o
entre governo e Estado, governo e sociedade. � assim que n�s, do
PMDB, devemos pensar e querer agir. W. MOREIRA FRANCO �
presidente da Funda��o Ulysses Guimar�es.
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