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Prezados,

S�o as palavras de Em�lio Costa Manso, quando enfatiza,
"...H� de se tomar conta da amizade e da solidariedade...", que me levam a escrever.

N�o creio que seja por mera coincid�ncia, que venho convivendo, h� tempos, nem sei 
quantos tempos, num mundo
heterog�neo e multiforme, com o mesmo pedido.

Um choro sofrido.

Pedimos por amizade e solidariedade.

As crian�as, j� escravizadas pelo mundo mesquinho, n�o podem pedir. Elas n�o sabem do 
que se trata. Elas trabalham
como adultos, e foram deixadas � margem de qualquer possibilidade de pensar, de 
escolher e de questionar. E est�o
aqui, largadas, mas n�o tem voz...

� a n�s, os adultos, que cabe a responsabilidade sobre a vida que elas t�m.

Lembrar disso n�o � o suficiente para tomar uma atitude?

A democracia que queremos se torne realidade, s� poder� existir com a participa��o de 
todos, a come�ar pela
participa��o pol�tica.

Participa��o pol�tica. Muito al�m do direito de votar, uma das faces da participa��o 
pol�tica � legislar, �
decidir. Nosso dever, carregado de responsabilidades.

Dentre os direitos de participa��o pol�tica, tais como a igualdade de sufr�gio, o 
direito de voto e de
elegibilidade, o direito de peti��o, entre outros, cumpre recordar do direito de 
iniciativa popular, iniciativa de
leis que cabe aos cidad�os (o 2o par�grafo do artigo 61 da Constitui��o da Rep�blica 
brasileira), o referendo e o
plebiscito s�o outras alternativas. Estas duas devem ser determinadas, para que se 
verifiquem, pelo Congresso
Nacional.

O Congresso precisa ser lembrado que as leis n�o podem ser simplesmente postas, 
impostas.
As leis devem ser aprovadas pelo povo.
A democracia que queremos, para que se torne realidade, depende da participa��o 
popular.

Cristiane Rozicki


----- Original Message -----
From: Menezes <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: <[EMAIL PROTECTED]>; Cristianne Rozicki <[EMAIL PROTECTED]>; 
<[EMAIL PROTECTED]>;
<[EMAIL PROTECTED]>; <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Tuesday, January 18, 2000 5:45 PM
Subject: Re: CORA��O DE ESTUDANTE

Prezados Em�lio e todos:

Nesses �ltimos dias, ao mesmo tempo, vem me amargurando e indignando, cada
vez mais, a zombaria com que est�o a lidar com o povo brasileiro, com o
futuro do Pa�s! E a aparente apatia de tantos. N�o � para menos.

H� dois dias, um companheiro destas listas de discuss�es me envia uma
poesia: amarga, amarga, profunda e bonita, sobre a qual escreverei
posteriormente. Depois, Em�lio Costa Manso escreve o
"Cora��o de Estudante", onde no seu relato da breve hist�ria destes �ltimos
quinze anos de democracia � brasileira, vai intermeando-o com as estrofes da
poesia da can��o Cora��o de Estudante, de Milton Nascimento e Wagner Tiso:
demais para o meu maduro cora��o!

Segue mensagem, algo emocionada, escrita imediatamente ap�s ler o texto do
Em�lio.

Um Abra�o
Ricardo

      O CORA��O DE ESTUDANTE DE EM�LIO COSTA MANSO

Neste pr�dio - muito, muito quente quando o ver�o aponta para c� seus olhos,
ou, muito, muito frio quando o inverno teima em ficar -, li o seu cora��o de
estudante contar a curta hist�ria desta democracia � brasileira.

Emo��o: foi o que me fez escrever agora.

N�o entendem muitos a quest�o do apego � forma, mas entendem todos - a
come�ar por este povo massacrado pelo cinismo e pela desfa�atez dos de
cima - quando a verdade � dita de forma t�o bonita que, de raiva, produz em
n�s emo��o quase extrema!

N�s, todos, lutamos honrada e desassombradamente pela redemocratiza��o deste
Pa�s. N�o tra�mos os democratas sinceros, como o historicamente
respeitabil�ssimo Ulisses Guimar�es, e nem tampouco ignoramos ou bajulamos
os liberais s�rios, como Teot�nio Vilela e Tancredo Neves. Pretend�amos, t�o
s�, que inaugur�ssemos um tempo em que os conflitos sociais e a luta
ideol�gica se dessem em um ambiente onde o vento das liberdades democr�ticas
animasse a vida e trouxesse esperan�a ao sofrido povo brasileiro.

A esquerda brasileira, enquanto lutava contra os governos autorit�rios do
ciclo militar, carregou nos ombros in�meros papagaios "progressistas" : n�s
trabalh�vamos e eles faziam os discursos; n�s quer�amos elei��es diretas e
eles negociavam nas nossas costas para chegarem depressa ao Poder; enfim,
n�s quer�amos implantar transforma��es nos setores sociais, m�nimas que
fossem, e eles nos designavam de "atrasados"...

E designando-nos de "atrasados" continuam, at� os dias de hoje, ao passo que
amea�am transformar o Brasil em uma Rep�blica de Bananas e reduzem a
autoestima do povo brasileiro aos n�veis mais tr�gicos que j� pude assistir.

N�s esper�vamos que muitos continuassem aguerridos e lutando, mas, talvez
por verem seus momentos serem podados, um a um, parece que eles desviaram-se
dos seus destinos e seus sorrisos n�o brilham mais. Parece que desaprenderam
a sonhar...

Quantas vezes, neste Pa�s, se escondeu do povo que se lhe quer retirar
d�cadas de direitos os mais elementares, com tamanha zombaria?

Quantas vezes, na nossa hist�ria, uma gera��o que protagonizou um per�odo
intenso de ac�mulo de esperan�a em melhores dias para os de baixo, viu
erigir sob seus olhos destrui��o mais profunda do que aquela que nossas
retinas perplexas custam por fixar?

Quantas vezes, na nossa hist�ria, uma gera��o assistiu, em �nfimo espa�o de
tempo, destrui��o tamanha?

Quantas vezes, na nossa hist�ria, uma gera��o assistiu a alegria e o sonho,
ao inv�s de espalharem-se no caminho, se dilu�rem no ar e o cora��o da
juventude eximir-se da f� no futuro?

Quantas vezes, na nossa hist�ria, uma gera��o constatou com tanta amargura
que, se cora��es de estudantes existem - e eles, ainda que maduros ou
velhos, existem -, inexoravelmente, partir� deles a iniciativa de cuidar da
vida, de cuidar do mundo!

H� de se tomar conta da amizade e da solidariedade - se � que a destrui��o
n�o aboliu ou revogou esses sentimentos - e tomar as ruas!

Que Brasil nossos filhos haver�o de herdar?

Parab�ns ao Em�lio Costa Manso, portador de um enorme cora��o de estudante,
pelo seu brilhante texto - que �, antes de tudo, uma concisa, bela e atual
an�lise. Segue o texto "Cora��o de Estudante".

                           CORA��O DE ESTUDANTE

Emilio Costa Manso

               "Quero falar de uma coisa
                 Adivinha onde ela anda ?
                 Deve estar dentro do peito
                 Ou caminha pelo ar " ___________

Mesmo tendo passados quinze anos, at� agora n�o foi encontrada porque raz�o
a m�sica de Milton Nascimento e Wagner Tiso foi eleita a marcha f�nebre do
enterro do presidente Tancredo de Almeida Neves, o qual candidato �
presid�ncia da Rep�blica em 1985, pela Alian�a Democr�tica (formada pelo
P.M.D.B. e pela Frente Liberal), venceu no Col�gio Eleitoral em 15 de
janeiro, mas, por motivo de doen�a, n�o p�de assumir o cargo em 15 de mar�o,
tendo o vice-presidente Jos� Sarney assumido efetivamente a presid�ncia, que
j� exercia interinamente.

                  " Pode estar aqui do lado
                  Bem mais perto que pensamos
                  A folha da juventude
                  � o nome certo desse amor " __________

Naquele 15 de janeiro de 1985, quando o Col�gio Eleitoral, por 480
contra 180 votos, elegia Tancredo Neves presidente ao inv�s de
Paulo Maluf, preferimos ver a larga festa popular  no gramado do
Congresso do que ficar no apertado espa�o interno reservado � Imprensa.

Nem mesmo a chuva forte ( sempre rara em Bras�lia ) impedia que a multid�o
comemorasse com uma enorme bandeira nacional (muitos manifestantes debaixo
dela) que balan�ava a cada voto cantado do plen�rio pelo servi�o de
auto-falantes especiais e provis�rios instalados para a festa de uma
democracia, a qual parecia alva e l�mpida, lavada pela chuva vinda da
natureza, todavia ningu�m poderia supor ( naquele clima de euforia que
tomava conta do Brasil ) como seria �rduo e tortuoso o caminho dessa tal
nova democracia brasileira.

                  " J� podaram seus momentos
                  Desviaram seu destino
                  Seu sorriso de menino
                  Quantas vezes se escondeu " __________

A morte de Tancredo Neves apagou da face do _Menino Brasil_ o
sorriso democr�tico e escondeu a alegria que tomou conta do Pa�s naquele 15
de janeiro de 1985, pois dois meses depois, no mesmo gramado em frente ao
Congresso, os autos falantes e demais itens de apoio para nova festa
popular, n�o foram instalados, pois o Dr.Tancredo Neves, na manh� de 15 de
mar�o, data da posse do
presidente, foi internado poucas horas antes no Hospital de Base
de Bras�lia, de onde seria transferido para o Instituto do Cora��o,
em S�o Paulo.

Como o Dr. Tancredo n�o vinha, o presidente Jo�o Figueiredo saiu pela portas
dos fundos do Pal�cio do Planalto para n�o dar posse ao Vice-Presidente Jos�
Sarney, negociada ( e conseguida ) pelo Dr. Ulysses Guimar�es com Leit�o de
Abreu, General Le�nidas Pires Gon�alves e o Senador Afonso Arinos.

No dia da posse do Jos� Sarney, a imagem inesquec�vel que ficou foi a cabe�a
branca do Dr. Ulysses Guimar�es, carregado nos ombros da multid�o,
despontando num mar de bandeiras vermelhas, brancas, verde-e-amarelas

                    " Mas renova-se a esperan�a
                    Nova aurora a cada dia
                    E h� que se cuidar do broto
                    Pr� que a vida nos d� flor e fruto "_________

O broto daquela nova arvore da democracia brasileira nunca daria
o primeiro fruto da semente plantada, pois em 21 de abril de 1985,
morria em S�o Paulo, o Dr. Tancredo de Almeida Neves, que voltou
para Bras�lia num caix�o, para ser velado com honras de Chefe-de-Estado,
tendo sempre ao fundo a m�sica de Milton Nascimento e Wagner Tiso.

Todos sabem a biografia do Dr.Tancredo de Almeida Neves, pol�tico
brasileiro (S�o Jo�o del Rei, MG, 1910 - S�o Paulo, 1985), deputado estadual
pelo P.S.D. em 1947; foi eleito para a C�mara Federal em 1950; e, em 1953,
foi ministro da Justi�a de Get�lio Vargas; reelegeu-se deputado federal em
1962; primeiro-ministro (1961-1962) no governo Jo�o Goulart, quando foi
institu�do o regime parlamentarista no pa�s; reelegeu-se deputado federal em
1962.

Ingressou no M.D.B. e novamente foi eleito para a C�mara Federal (1966) e
para o Senado (1978 ) e em 1979, foi um dos fundadores do Partido Popular
que, em 1982, incorporou-se ao Partido do Movimento Democr�tico Brasileiro,
pelo qual foi eleito governador de Minas Gerais, em 1982.

                     " Cora��o de estudante
                     H� que se cuidar da vida
                     H� que se cuidar do mundo
                     Tomar conta da amizade " _____________

Depois da morte do Dr. Tancredo Neves, n�o se cuidou com o carinho
necess�rio a nova planta da democracia brasileira, pois
logo j� se criticava o Presidente Sarney como sendo a vanguarda
do atraso e o povo preplexo n�o acreditar ser real o turbilh�o que
se seguiu na vida pol�tica do Brasil.

O Congresso Nacional aprovou uma Constitui��o-peregrina, que
tamb�m era Constitui��o-cidad�, que segundo o Dr. Ulysses vinha
para garantir justi�a, educa��o, sa�de e sal�rio, pois tudo isso
estava escrito no papel, contudo o futuro mostrou ser uma grande
balela.

Veio a Nova Rep�blica com o Plano Cruzado, o Cruzado II, o Plano
Bresser, a pol�tica feij�o-com-arroz de Ma�lson da N�brega, o Plano
Collor ( e o confisco da Z�lia ), a tabela progressiva do Itamar Franco e,
last but not the least, os nefastos dois mandatos do mafioso presidente
Fernando H. Cardoso.

                          " Alegria e muito sonho
                          Espalhados no caminho
                          Verdes; plantas e sentimento
                          Folhas, cora��o, juventude e f� " _______

Fernando H. Cardoso, ingrato, pulha e cr�pula at� a medula, recusou-se a
participar das comemora��es dos quinze anos da
morte de Tancredo Neves, ( embora tenha sido um frequente papagaio-de-pirata
nos palanques das Diretas-J� ) e o povo brasileiro percebeu que a democracia
t�o sonhada nunca esteve assegurada.

A d�vida externa brasileira continua a crescer, a infla��o zero do Malan � a
mais penosa poss�vel, o sal�rio-m�nimo tem menor valor de compra do que a
quinze anos atraz, ( o qual o General Figueiredo disse que daria um tiro na
cabe�a caso fosse remunerado com o valor do mesmo ), Plano Real,
privatiza��es, reformas, reelei��o, crise financeira, recess�o, desemprego,
e a amea�a da flexibilia��o do emprego, que vai retirar os direitos dos
trabalhadores brasileiros.

Nos quinze anos de morte do Dr.Tancredo de Almeida Neves, o povo brasileiro
tem muitos outros motivos para chorar.


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