Esquentando os vagões 

Sambistas antecipam Dia do Samba com os shows do Pagode do Trem 


 - Sergio Martins 



O samba anda de vento em popa (ou seria quilowatt em popa?). Começa a circular hoje, 
às 18h, o expresso Pagode do Trem, com o primeiro de cinco shows na sede da Central do 
Brasil, antecipando as comemorações do Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro, quando 
serão reunidos mais de dez mil sambistas em 35 rodas de samba nos vagões de cinco 
trens, rumo à estação de Oswaldo Cruz. 
Os sambistas têm também outro motivo para comemorar: o Pagode do Trem está completando 
dez anos e a programação selecionou o que há de melhor da malandragem desse ritmo tão 
carioca, com homenagens a alguns bairros do subúrbio do Rio, além de comunidades 
próximas à linha da Central do Brasil. Os outros quatro shows estão programados para 
os dias 30 de setembro, 28 de outubro, 11 de novembro e 25 de novembro. 



No de hoje, Marquinhos de Oswaldo Cruz receberá Almir Guineto e Agrião, numa homenagem 
ao Salgueiro e a Vila Isabel. Os artistas, nas cinco apresentações, serão acompanhados 
por Josimar Monteiro (violão de sete cordas), também responsável pela direção musical, 
Marcinho do Pandeiro, Banana (tantan), Marcio Wanderley (cavaco e bandolim), Joe Luiz 
(percussão) e Tcha Tcha Tcha (surdo). Os shows serão gratuitos e as pessoas que 
desejarem poderão doar alimentos não perecíveis, que serão enviados para o Programa 
Fome Zero. 



O Pagode do Trem surgiu há dez anos, com Marquinhos de Oswaldo Cruz resgatando um 
acontecimento que se repetiu durante muito tempo na década de 20 do século passado. 



- Naquela época, o samba era marginalizado e considerado coisa de malandro. Para fugir 
à repressão da polícia, Paulo da Portela reunia outros sambistas num dos vagões do 
trem da Central do Brasil, rumo à estação de Oswaldo Cruz, e todos cantavam e 
apresentavam suas novas composições. O show também era gratuito e reunia, além dos 
sambistas, os trabalhadores que voltavam para suas casas no subúrbio - disse 
Marquinhos. 



Ele contou ainda que a idéia de criar o Pagode do Trem surgiu da vontade de divulgar o 
bairro de Oswaldo Cruz: 



- Se tirassem a placa da estação de trem, ninguém sentiria falta, o que é, no mínimo, 
incoerente, até porque Oswaldo Cruz é um berço de sambistas tão importante quanto a 
Mangueira. Mas há uma coincidência, espiritualista mesmo. Paulo da Portela cantou pela 
última vez num circo. Saiu passando mal e morreu em sua casa. A coincidência é que 
alguns anos depois, meu pai comprou o terreno exatamente onde ficava o circo. Estava 
escrito nas estrelas. Claro que foi difícil fazer o evento, o que tentamos desde 1991. 
Finalmente, em 1996, fizemos a primeira viagem, da Central do Brasil rumo a Oswaldo 
Cruz. E hoje temos um evento que reúne mais de 60 mil pessoas. 



A programação dos cinco shows que antecederão às festividades do Dia Nacional do Samba 
inclui, ainda, os seguintes sambistas: Diogo Nogueira e Walter Alfaiate, numa 
homenagem ao bairro do Méier; Arlindo Cruz, Baianinho e Renatinho Partideiro, 
representando os bairros de Piedade, Pilares e Cavalcanti; Dona Ivone Lara, Tantinho e 
Xangô da Mangueira e Monarca, dos outros cantos do Rio; e Ney Lopes, Luiz Carlos da 
Vila e Camunguelo, homenageando Penha e Irajá. 

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/
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