Caderno B
Uma flauta mágica 

Instrumentista da nata da MPB, Andrea Ernest Dias investe em carreira solo 


 - Nelson Gobbi 



O que Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Baden Powell, Milton Nascimento, Edu 
Lobo, Martinho da Vila, D. Ivone Lara, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Wagner Tiso e 
Cássia Eller têm em comum? Além de serem parte do inestimável patrimônio da música 
brasileira, os artistas citados tiveram a flauta de Andrea Ernest Dias tocando ao 
fundo de alguns de seus discos. Instrumentista desses e de outros nomes de peso da 
MPB, integrante da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, da Banda Anacleto de Medeiros, 
do Quinteto Pixinguinha e do Pife Muderno, Andrea se prepara para enfrentar os 
holofotes depois de anos escoltando, com sua flauta, algumas das vozes mais conhecidas 
do país. 
A flautista, que vai lançar um CD com o pianista Tomás Improta até o fim do ano, 
estará à frente de um palco cheio de feras, como o saxofonista e flautista Carlos 
Malta, o pianista Cristóvão Bastos, o violonista Maurício Carrilho, o percussionista 
Marcos Suzano, o baixista Luiz Alves e o bandolinista Rodrigo Lessa, hoje, às 21h30, 
no Estrela da Lapa. O repertório do show, baseado na obra de compositores flautistas, 
de Joaquim Callado até Franklin da Flauta, vai reunir mais de 100 anos de música. 

- Será muito especial ter todos estes músicos no palco, já que um encontro destes é 
difícil de acontecer. Conheço todos há muitos anos e fiquei muito feliz quando eles 
aceitaram de primeira o convite para o show - conta Andrea, que também participa do 
DVD ao vivo Ouro negro, uma homenagem ao maestro Moacir Santos, gravado em maio deste 
ano no Sesc Pinheiros, em São Paulo. 



A excelência no instrumento surgiu por influência da mãe, a flautista Odette Ernest 
Dias - que é tema do documentário A vida na flauta, de Sérgio Bloch, lançado anteontem 
na Casa França-Brasil. Com a formação musical musical iniciada em casa, apenas uma 
entre os cinco irmãos de Andrea não seguiu carreira como instrumentista: 



- Minha mãe nasceu em Paris, onde ela teve uma orientação musical muito forte. Depois 
de vir para o Brasil, onde desenvolveu uma extensa atividade como flautista, acabou 
criando os filhos com familiaridade com a música. 



A formação musical iniciada aos 12 anos foi complementada na graduação da Universidade 
de Brasília, no mestrado da Universidade Federal do Rio de Janeiro e em cursos 
realizados no exterior. Ao chegar no Rio, no início da década de 80, Andrea começou a 
trabalhar como arranjadora, e aos poucos passou a gravar em estúdio com alguns dos 
astros da música brasileira. 



- Comecei gravando com o Martinho da Vila. Depois surgiram convites, através dos 
próprios instrumentistas, para gravar com Caetano, Chico, Gal, Milton, entre outros 
grandes da MPB. É uma honra ter gravado com essas pessoas, além de ser uma excelente 
vitrine para o meu trabalho - avalia. 



Dentre os trabalhos realizados com tais artistas, a flautista se recorda de um em 
especial: a participação no documentário Velho amigo, uma homenagem de Jean Claude 
Guiter ao violonista e compositor Baden Powell, lançado em DVD em 2003. 



- Eu brinco dizendo que ele era meu velho amigo sem eu saber. A mulher dele me viu 
tocando na França, na década de 80. Ela telefonou para o Baden e disse: ''Escute a sua 
flautista''. Ele me contou isso quase 15 anos depois, quando finalmente toquei com ele 
- relembra a instrumentista. 



Depois de muito emprestar a flauta aos discos alheios, Andrea aguarda a finalização do 
CD gravado ao lado do pianista Tomás Improta, finalizado no ano passado, que será 
lançado pela Biscoito Fino entre os meses de novembro e dezembro. 



- É um trabalho mais intimista, de influência camerística. Acho que as coisas vêm a 
seu tempo. Se tivesse gravado o disco há dez anos, seria completamente diferente. 
Minha autocrítica é muito forte, mas acho que posso dizer que hoje me sinto mais 
pronta. 

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