Por quê a dualidade? Será que é proibido gostar de samba e de rock? A música é universal Vamos tomar cuidado com rótulos comerciais
Caio Tiburcio <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Que rock que nada. Jovens brasilienses de 17 a 30 anos aderem ao samba e ao choro, atuando como músicos, produtores ou apenas consumidores dos gêneros musicais -------------------------------------------------------------------------------- Irlam Rocha Lima Da equipe do Correio Identificado com o rock desde a década de 80, quando a cidade entrou para o mapa da música brasileira, por conta dos Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, o jovem em Brasília nos últimos anos vem demonstrando preferência por outros gêneros, principalmente aqueles tidos como gênese da música popular brasileira: o choro e o samba. Além de ouvinte, ele tem formado grupos que ocupam palcos de bares e casas noturnas, e trabalha na produção de shows. Tem mais: protagoniza histórias que reafirmam o gosto pelas raízes da MPB. Uma delas: o Tartaruga, trêiler onde os estudantes do Instituto de Artes da Universidade de Brasília costumam se reunir no intervalo das aulas, entrou para a história do música na cidade. Lá, em julho de 2002, teve início uma despretensiosa roda de choro que deu origem ao Plano B, atualmente um dos melhores programas no fim de semana - ocorre às sextas-feiras, no Arena Futebol Society, no Setor de Clubes Sul. Tudo começou quando Rafael Dietzch, 27 anos, passou a reunir jovens para tocar e ouvir choro no Tartaruga, criando descontraído ambiente musical no campus da UnB. "Aos poucos as pessoas foram chegando e a roda de choro das sextas-feiras, às 18h, tornou-se acontecimento aguardado com expectativa durante toda a semana", conta o produtor. A muvuca, porém, não foi bem vista pela prefeitura do campus, que correu com a gente", lembra o produtor. Como a roda de choro se transformou num grande sucesso, Dietzch tratou de levá-la adiante. E, em dezembro de 2003, se instalou, juntamente com os músicos, no bar Pôr do Sol, na 408 Norte. O público os seguiu. Mas lá ficaram apenas durante um mês e meio. "A roda ia até 23h e quando terminava as pessoas queriam saber qual era o plano B. Aí, depois da festa do meu aniversário, no Arena, nos mudamos para lá, onde já estamos há um ano e meio, às sextas-feiras." Exemplo típico de projeto produzido, apresentado e consumido por jovens, o Plano B, desde que se transferiu para o Arena, se transformou em roda de choro e samba e costuma reunir, em média, 500 pessoas por dia. Da abertura, às 22h30, até a meia noite, ouvem-se chorinhos de mestres como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth e Waldir Azevedo. Em seguida, depois de breve intervalo, já com a pista de dança cheia, o samba rola solto. Quem comanda a roda é o grupo Sete na Linha, formado por Rafael dos Anjos (violão), Márcio Marinho (cavaquinho), Leonardo Benon (cavaquinho centro), Paulo Córdoba (bandolim), Dudu Sete Cordas (violão), Emir Godim (surdo) e George Lacerda (vocal), músicos com idades entre 19 e 30 anos. "O que fazemos aqui é um trabalho de valorização dos gêneros que são a base da música popular brasileira. Tocamos os mestres dos choro e levamos ao público clássicos da tradição do samba, assinados por Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola, e também criações de Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Fundo de Quintal", diz o vocalista. Proposta cultural Coordenado agora por Bruno Maciel, parceiro de Rafael Dietzch desde o começo, o Plano B é visto por Eduardo Clark, um dos sócios do Arena, como uma das melhores noites da casa. Embora a princípio seja uma festa, ele destaca a preocupação da produção e dos músicos em levantar a bandeira do choro e do samba. "Percebo que as pessoas - jovens na maioria - vêm para se divertir, mas porque têm, também, compromisso com a proposta cultural do projeto." Sexta-feira da semana passada, a peruana Arlena Nitidieri, estudante de Jornalismo, moradora de Brasília há oito anos, mostrava que já conhece tudo de samba, dançando com o publicitário e documentarista Lelê Teles. "Gosto de vários ritmos brasileiros, mas aprecio especialmente o samba", comentava. "Gosto do Arena, pela música, as pessoas e o ambiente." Rafael dos Anjos, violonista do Sete na Linha, é um músico muito requisitado. Da geração que teve contato inicial com o chorinho na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, ele integra, também, os grupos Cai Dentro e Choro Livre, com o qual se apresentou nos Emirados Árabes, no primeiro semestre. "O fato de participar de três formações contribui para minha bagagem musical, pois cada um dos grupos desenvolve linguagem própria. Com o Sete na Linha aumento meu conhecimento de samba", explica, aos 20 anos. Companheiro de Rafael no Cai Dentro e no Choro Livre, Henrique Neto, 19 anos, que toca violão de sete cordas, é considerado por mestres do instrumento uma das revelações da música na capital. Há duas semanas ele estreou como produtor, à frente do projeto Circuito do samba, que trouxe a Brasília, para três apresentações, o sambista carioca Sombrinha, ex-integrante do Fundo de Quintal. "Ganhei muita experiência ao produzir essa série de shows. Tive que correr atrás de apoio, divulgação, além da parte operacional. Os resultados, porém, foram positivos. O público lotou tanto o Feitiço Mineiro como o Bar do Calaf e o Clube do Choro", comemora. Além de produzir os shows, Henrique tocou com o sambista. Um dos palcos onde Sombrinha esteve, o do Bar do Calaf, é ocupado aos sábados, a partir das 13h, pelo grupo Samba & Choro. A roda ali tem diferentes platéias. Do início até as 17h, o público é mais adulto. "Em seguida começa a chegar a galera mais nova, na faixa dos 18 aos 30 anos, que vem aqui praticamente todo sábado", constata o ritmista Kunka. Ele, mais Evandro Barcellos (violão), Valerinho (cavaquinho e vocal), Leander Motta (bateria) e Chico Lopes (sax e flauta) estão à frente da roda de choro do Calaf há três anos e meio. Sábado passado, a médica Flaviane Prado, 29 anos, ocupava a mesa em frente ao palco, com as amigas Maíra Gonçalves, Daniela Assad e Jamille Carneiro. "Venho aqui com freqüência há cinco meses, e tenho boas razões para isso. Além da descontração do ambiente, da alegria das pessoas, posso ouvir o melhor do samba, um dos pilares da nossa cultura popular", justifica a jovem médica, de 29 anos. Os mesmos motivos foram determinantes para que o servidor público Gustavo Dorella, 26 anos, de Belo Horizonte, há um ano na capital, elegesse o Calaf um dos lugares preferidos. "A roda de samba contribui bastante para quem, como eu, em fase de adaptação à cidade, possa conhecer melhor a alma brasiliense. Costumo chegar mais cedo, pois antes do samba de raiz sempre rola uma roda de choro", observa, entusiasmado. Entusiasmo semelhante têm os que vão nas tardes de sábado ao Café Cancun. Ali, a partir das 13h, se apresentam os mais jovens chorões brasilienses, a garotada do Choro Moleque. Mesmo demonstrando reverência com criadores do gênero, Vinicius Viana (violão), Pedro Berto (bandolim), Renato Rocha (cavaquinho), Bruno Patrício (sax) e Artur Souza (pandeiro) - média de idade, 17 anos - não se atêm ao tributo. Eles ganham aplausos calorosos dos freqüentadores do restaurante ao mostrar arranjos que criam para choros de Pixinguinha e outros mestres. "No nosso repertório tem samba e outros estilos, mas tocados à nossa maneira", explica o pandeirista Artur, 20 anos, o "veterano" do grupo. "Todos tivemos o primeiro contato com o chorinho na Escola Brasileira de Choro, que vem formando muitos instrumentistas." ONDE OUVIR Bar do Calaf (Edifício Empire Center, Setor Bancário Sul) - Sábado, a partir das 13h Café Cancun (Shopping Liberty Mall, Setor Comercial Norte) - Sábado, a partir das 13h Clube do Choro (Eixo Monumental, ao lado do centro de Convenções Ulysses Guimarães) - De quarta a sexta-feira, às 21h30 Clube do Samba (Feitiço Mineiro, SCLN 306) - Segunda-feira, a partir das 21h Plano B (Arena Futebol Society, Setor de Clubes Sul) - Sexta-feira, a partir das 22h30 http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_32.htm _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta --------------------------------- Yahoo! Acesso Grátis: Internet rápida e grátis. Instale o discador agora! _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
