José Ramos Tinhorão, no livro "Os negros em Portugal - Uma presença
silenciosa" (Ed. Caminho, Lisboa), sustenta "a procedência brasileira da
maioria das danças de influença negra tornadas populares nos anos de
Oitocentos em Portugal" (pag. 211);  no caso da fofa, ele cita o título dum
folheto português da primeira metade do século XVIII: "Relação da Fofa que
veyo agora da Bahia e do Fandango de Sevilha, aplaudido pelo melhor som, que
há para divertir melancolias ............".
Tinhorão cita também outra dança daquele tempo, o "cumbé", mas ele acha uma
questão hoje impossível de deslindar, por falta de documentos, a de
determinar se seria essa dança uma criaçao dos negros de Portugal ou do
Brasil.

Quanto à  tradição de racismo e repressão para com essas danças de origem
negra,  leiam o testemunho do oficial da guarnição de Gibraltar  William
Dalrlympe, que percorreu Portugal em 1774 e deixou suas impressões no livro
"Travels through Spain and Portugal": "A fofa, particular deste país como o
fandango da Espanha, era exibido na farsa por um preto e uma mulher; foi a
coisa mais indecente que já vi, e embora parecesse coisa de bordel, não
parecia desagradar a ninguém ; pelo contrário, as mulheres não demonstraram
qualquer reacção, e os homens aplaudiram a apresentação"(citado por
Tinhorão, em "Os negros em Portugal .....", pag. 314).

Abs da Itália.
Filippo




Citando "Eduardo S. Martins" <[EMAIL PROTECTED]>:

> Nossa tradição de racismo e repressão a tudo o que é ligado ao universo
> cultural negro é ancestral. "...É a partir de 1780 que de fato alusões à
> dança do lundu começam a aparecer com frequência nos documentos
> históricos.
> A mais antiga referência encontrada, segundo Oneyda Alvarenga, é uma carta
> datada de 10.6.1780, do conde de Pavolide, que havia sido governador de
> Pernambuco, onde defendia certos bailes dos escravos de acusações feitas ao
> Tribunal da Inquisição. Lê-se nesta carta: "Os pretos...dançam e fazem
> voltas como arlequins, e outros dançam com diversos movimentos do corpo, que
> ainda que não sejam os mais inocentes são como os fandangos de Castela, e
> fofas de Portugal, e os lundus de brancos e pardos daquele país..."(Carlos
> Sandroni, "Do lundu ao samba")
> valeu!
> Edu
>
> PS: Notem que a carta faz referência aos "lundus de brancos e pardos" de
> Portugal, onde esta dança, de origem negra, foi mesclada com a influência
> do
> fandango ibérico.
>
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