Jornal da Comunidade (Brasília), Edição 893 - 07/01 a 13/01 de 2006 

CADERNO Número Um

O mágico do bandolim
  
Hamilton de Holanda, um brasiliense de coração, fala ao Jornal da Comunidade sobre a 
sua grande paixão: a música 
 
Luciana Amaral   

Ele sorri intensamente, enquanto toca. O bandolim e Hamilton tornam-se um, numa mágica 
inebriante, que encanta olhos e ouvidos dos espectadores. Parece inacreditável ver 
como esse grande bandolinista contemporâneo expressa suas emoções pela música. De 
fato, Hamilton de Holanda é um mago das cordas, cujo dom conquistou milhares de fãs 
pelo Brasil afora e pelo mundo. O melhor de tudo: é prata da casa, carioca de 
nascimento, mas brasiliense de coração, tendo vindo à capital com apenas 11 meses. Seu 
pai, o violonista José Américo de Oliveira, percebeu o talento de seus filhos muito 
cedo. Ainda crianças, Hamilton e seu irmão Fernando César foram iniciados, 
respectivamente, na escaleta e no cavaquinho. Daí, não pararam mais. Todos os dias, 
religiosamente, às 19h30, tinha ensaio na casa de Américo, mas nada era forçado. A 
música estava nas veias e nos genes da família.

Hamilton descobriu o bandolim ainda com seis anos, quando ganhou o instrumento de seu 
avô. Como não havia professores do instrumento na época, o jeito foi aprender violino 
– que tem a mesma afinação – e adaptar o aprendizado ao bandolim. Daí, para tocar com 
grandes músicos no Clube do Choro, foi um pulo. No entanto, ele não se considera mais 
um “chorão”. “Faço música brasileira, mas não consigo identificar um estilo 
específico. Deixo isto a cargo dos especialistas”, avisa.

Antes mesmo do encerramento de sua extensa temporada em 2005 – quando fez entre 100 e 
120 shows – Hamilton recebeu o Jornal da Comunidade para a seguinte entrevista:

Você e sua família se consideram precursores do choro para as novas gerações?
Realmente, fomos precursores da nova geração de Brasília. Já havia “chorões” na 
capital antes mesmo da inauguração, em 1959. É coisa da cidade.

Ao tocar, você expressa fortemente suas emoções. O que sente enquanto toca?
Não é pensado. É natural. É o prazer de estar fazendo o que eu mais gosto na vida e 
poder proporcionar prazer às pessoas. A gente vira um corpo só, uma coisa só. Isso 
mexe com a emoção. Eu rio em alguns momentos, mas, quando a música é triste, eu também 
choro. Cada emoção no seu devido lugar. Nasci com esse dom especial e preciso 
compartilhá-lo; não posso ser egoísta.

As preocupações somem nesses momentos?
Na hora que estou ali, não existe mais nada. Só eu e a música. Se não estiver dando, 
no mínimo, 100%, para mim não vale a pena. Sou um apaixonado, às vezes até demais.

Como é esta relação da Europa com a música brasileira? Lá você é muito mais valorizado?
Acho que há um certo mito em relação a isto. Não é que o europeu valoriza mais o 
artista brasileiro, mas existe, é claro, uma diferença de cultura evidente. Veja a 
quantidade de compositores do nível de Beethoven, Mozart e outros, que nasceram e 
criaram a obra toda lá. É claro que há uma grande diferença em relação ao Brasil, mas 
o carinho, aqui ou lá, é o mesmo. Já as formas de se receber o artista são diferentes 
e vemos isso no momento do aplauso. O brasileiro estoura, assovia, é explosivo. Na 
Europa, as pessoas não são tão efusivas, mas, quando gostam de algo, os aplausos são 
longos, levando de dois a três minutos.

Quais os projetos para 2006?
A exemplo do Cultura em Conjunto Premium, teremos um novo projeto com o Conjunto 
Nacional, intitulado “Brasilianos”, que é o nome do meu próximo CD. O projeto começa 
em março e terá também músicos e atores convidados. Por enquanto, é só o que eu posso 
revelar. Quanto ao CD, já temos uma turnê marcada em 12 cidades, para o lançamento do 
disco.

Novos talentos

Brasília sempre foi considerada um celeiro de grandes artistas do rock, mas, o mais 
surpreendente, é a grande quantidade de talentos da nova geração trocando os ídolos da 
guitarra por Pixinguinha, Jacob do Bandolim e conterrâneos. O choro tomou conta da 
cidade, graças, em grande parte, à influência do Clube do Choro e os bons músicos 
revelados pela Escola de Choro Raphael Rabello.

O Trio Cai Dentro é um dos exemplos mais marcantes desta tendência. Henrique Neto, 19 
anos (violão 7 cordas); Márcio Marinho, 21 (cavaquinho); e Rafael dos Anjos (20) fazem 
um trabalho inovador, no qual o choro é apenas um dos estilos. O repertório do grupo 
também inclui baião, samba e frevo, numa simbiose perfeita entre o antigo e o moderno. 
Os três músicos também fazem parte do Choro Livre, um grupo de instrumentistas do 
Clube do Choro que faz o acompanhamento de boa parte dos artistas que se apresentam no 
local. Com isso, o Trio já teve a oportunidade de tocar com grandes nomes da música 
brasileira, como Armandinho, Sebastião Tapajós, Hamilton de Holanda e Hermeto Pascoal. 
Além de darem continuidade aos projetos musicais, Henrique, Rafael e Márcio prometem 
agora voltar à Escola de Choro Raphael Rabello, mas, desta vez, como professores.

Outra novidade para 2006 é o lançamento – previsto para o final do semestre – do 
primeiro CD de Dudu Maia, um grande bandolinista e discípulo de Hamilton de Holanda. O 
músico, que é professor de bandolim na Escola de Choro, tem experiência internacional 
e já abriu shows de grandes artistas, como Gal Costa e o grupo português Madredeus. “O 
CD será um resumo da minha vivência musical, mas não é um disco de chorinho”, avisa. O 
repertório deverá incluir alguns clássicos da MPB, como Disparada, de Geraldo Vandré e 
Theo de Barros; Upa Neguinho, de Edu Lobo; e Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, 
além de composições do próprio Dudu Maia. 
 
Fonte: http://www.jornaldacomunidade.com.br/?idpaginas=15&idmaterias=106802

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