Outra do Sr. Nei :
. Você levantou uma lebre justíssima sobre essa besteira de falar de MPB e
de samba como se fossem coisas distintas. De certa forma, fica parecendo que
a discriminação continua, apesar de light. Temos um CD da novela, duplo, com
repertório nacional e internacional, e outro, separado, "Celebridade Samba".
Até que ponto isso é bom ou é ruim.
Isso, pra mim, é sempre ruim, não tem aspecto nenhum positivo -- a não ser
que os números me provem que o "Celebridade Samba" venda menos ou mais que o
outro; e me digam o porquê. Pessoalmente, estou bem, pois tenho música nos
dois. Mas continuo achando que não tem que separar: samba é música popular
brasileira, sim! João Gilberto canta samba, todo mundo canta samba, uns bem
outros mal... Até o grande Henri Salvador lançou há pouco, na França, um
disco com sambas e até pandeiro. Mas no Brasil, por causa desse racismo
babaca, ainda se associa samba a escravidão, favela, malandragem,
marginalidade... E o pior é que certo fundamentalismo que existe por aí
fomenta essa distinção. Por exemplo, quando o cara acha que samba só é
verdadeiro com cavaquinho, pandeiro e violão, ele prende o samba no velho
gueto. É por isso que eu, desde o Sincopando o Breque, CD que eu gravei pelo
selo CPC-UMES, venho procurando fugir dessa camisa-de-força. Agora mesmo,
estou gravando, pelo selo Fina Flor, um CD de partido-alto com piano, baixo
acústico e bateria, além de cavaquinho e pandeiros, claro, mas com um
pouquinho de percussão afrocubana, porque tem tudo a ver. Fica gostoso
demais! Com "sandunga", como dizem lá na terra do "mojito". O nome do CD é
"Partido ao Cubo". Mas, de sacanagem, estou chamando de "Raiz Cúbica", pra
gozar os fundamentalistas.
Outro Abraço
Raphael
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