Mário, aqui em Brasília, temos a Nacional FM. A = programação é
   excelente (embora, sempre que trocam os diretores, = os ouvintes tenham que
   entulhar a caixa de email e o telefone deles de = reclamações quanto
   às mudanças na programação), com muito = choro e samba, inclusive. E
   toca, em 90% do tempo, só música = brasileira. A rádio pode ser ouvida
   pela internet:
   [1]http://www1.r= adiobras.gov.br/radio_nacional_fm.htm
   -----Mensagem original-----
   De:     [EMAIL PROTECTED] em nome = de Mario Fernandes
   Enviada:        sex 1/9/2006 = 15:22
   Para:   Tribuna Samba-Choro
   Cc:
   Assunto:        Re: [S-C] O samba da = Bahia
   Oi, Gabriel.
   Na verdade, não discordamos muito. Você deu mais ênfase a um = ponto,
   eu a
   outro. Mas o problema tem muitos aspectos. Para ficar num tamanho = decente,
   super-simplifiquei.
   Queria esclarecer duas coisas, que acho não ficaram bem = explicadas.
   1. Ser simples não é ruim. Acho até uma virtude. Dei o exemplo do    Caymmi. 
Há
   outros. Talvez "simplório" seja um termo melhor.
   2. Minha preocupação não é com a educação musical. É com a    cultura em 
geral,
   a falta de (e o desprezo a) uma base de conhecimentos que permita à    pessoa
   evoluir e adquirir ainda mais conhecimentis. Mais uma vez, o problema = é
   muito amplo, estou super-resumindo.
   Vamos ficar no caso da programação das rádios, um ponto que você    levantou
   bem. Você conhece alguma emissora boa de música, no nível da = rádio
   JB do Rio
   ou da Eldorado de São Paulo nos tempos citados? Parece que há uma    emissora
   desse  tipo em Santos, embora um pouco puxada demais para a música    
americana,
   rádio Atlântica, eu acho. Será que há outras?:
   Abraços.
   Mário
   ----- Original Message -----
   From: "Gabriel Gomes" <[EMAIL PROTECTED]>
   To: "Mario Fernandes" <[EMAIL PROTECTED]>; = "SANDRA FARÁ"
   <[EMAIL PROTECTED]>; "Tribuna Samba-Choro" = <[email protected]>
   Sent: Friday, September 01, 2006 8:56 AM
   Subject: RES: [S-C] O samba da Bahia
   Mário, vou discordar um pouco de você.
   Apesar  de  existirem  as tais fórmulas, acredito que não seja a    
simplicidade e
   falta de lirismo que leva as pessoas a gostarem desse tipo de = "música".
   O
   que acontece é uma espécie de lavagem cerebral coletiva conseguida = as
   custas
   de muito jabá.
   Funciona assim: a música toca umas 20 vezes (estou chutando, não sei    se é
   isso) por dia em cada emissora de rádio. No fim de semana o
   grupo/cantor/cantora aparece em todos os programas populares (Faustão,    
Gugu,
   Sabadaço, etc...). Sem contar outros meios de divulgação.
   Não acredito que seja necessário nenhum conhecimento para gostar de    música
   boa. Essa educação musical que muitos falam, deve impreterivelmente    passar
   por  estudo  musical ou mesmo lingüístico. Acredito que o grande    problema 
seja
   a falta de acesso à boa música.
   Quer ver? Coloque na vitrola o Carinhoso ou Rosa de Pixinguinha. Todo    
mundo
   sabe  a letra (mesmo que mais ou menos). São letras difíceis. As    harmonias
   então... e isso não impede que gostem da música.
   Repare que há alguns anos o que se ouvia nas rádios eram músicos = do
   nível de
   Chico, Caetano, Gilberto Gil, Jobim , João Gilberto, não dá pra    citar nem
   uma fração. O que se tinha de mais popular (a simplicidade musical = da
   época)
   eram do nível de Roberto e Erasmo. Experimente voltar ainda mais no    tempo 
e
   verá que os artistas que tocavam nas rádios são exatamente aqueles    mestres
   que tanto reverenciamos atualmente.
   As pessoas naquela época não tinham mais educação musical do que    hoje. O 
que
   faz com que sejamos privilegiados é o fato de que, um dia, alguém = nos
   apresentou à música boa. Um dia tivemos a oportunidade de conhecer    outras
   freguesias musicais, deixando o reino da bestialidade e = massificação
   cultural.
   Abraços,
   Gabriel Gomes
   -----Mensagem original-----
   De: [EMAIL PROTECTED]
   [[2]mailto:tribuna-bounces= @samba-choro.com.br] Em nome de Mario Fernandes
   Enviada em: quinta-feira, 31 de agosto de 2006 16:48
   Para: SANDRA FARÁ; Tribuna Samba-Choro
   Assunto: Re: [S-C] O samba da Bahia
   Vou meter minha colher na história.
   É preciso não esquecer que boa parte da música popular de hoje em    dia é
   produzida exclusivamente como bem de consumo. Ou seja, faz parte de = um
   esquema comercial destinado a obter renda por meio da venda de = discos,
   ingressos para shows, etc.
   Para atingir o maior número possível de consumidores, precisa ser    muito
   simplificada. Existem fórmulas que facilitam esse acesso. O exagero do    uso
   de  vogais  e a ausência de palavras é um recurso do gênero. O    consumidor
   dessa música não está interessado em usar a inteligência. Ele    reage a
   estímulos. E faz parte das fórmulas fornecer este estímulo.
   Outro fator importante é a redução cada vez maior no vocabulário    da 
maioria
   das pessoas. Elas simplesmente não entendem palavras supostamente
   corriqueiras. Como passar o conceito de orvalho a quem não sabe -- e,    
muitas
   vezes, nunca viu nem vai ver -- o que é o orvalho?
   Não estou dizendo que ser simples seja ruim. Notem, por exemplo, a    
evolução
   das  letras do Dorival Caymmi. Ele está cada vez mais simples. E o    
resultado,
   quase sempre, é bom.
   Vai ainda a questão do gosto, uma coisa pessoal. Eu, por exemplo, = tenho
   catapora com esses novos conjuntos eletrificados de chorinho. = Entendo,
   instrumentos elétricos são muito mais práticos. Mas, para o meu    ouvido, o
   que sai de um cavaquinho elétrico não chega aos pés de um cavaco = de
   pau.
   Vou contar uma história. A professora de música de minha neta de = oito
   anos,
   que está na segunda série, está usado duas músicas populares -- = A
   Banda
   (Chico Buarque) e o Samba de Uma Nota Só (Antonio Carlos = Jobim/Newton
   Mendonça)  em  suas  aulas,  ao lado das canções infantis mais    
tradicionais.
   Outro dia, estava dando uma mão para a mocinha, com uma vizinha de 15    anos
   perto.  Toquei  no computador o Samba de Uma Nota Só numa versão    
instrumental
   (do próprio Jobim, no primeiro Lp que ele gravou nos Estados Unidos, = The
   Composer of Desafinado Plays, com o Edison Machado na bateria). A = mocinha
   ficou espantada. Nunca tinha ouvido algo semelhante. Pediu para ouvir = com
   a
   letra. Só tinha uma versão bem jazzística, com a Leny Andrade. A    mocinha
   detestou.Notei que ela não entendia toda a letra, Com A Banda, foi = ainda
   pior, apesar de ela ter gostado muito do ritmo.
   Bom, as harmonias do maestro Jobim não são fáceis -- embora em    muitos 
casos
   as melodias o sejam. Mas me pergunto, às vezes. Gostar de música = não
   seria
   um  conhecimento  adquirido?  Uma  pessoa  que não tenha a base de    
conhecimentos
   necessária, inclusive do idioma, vai conseguir aproveitar nossos = sambas,
   choros e etcéteras? Até que ponto somos privilegiados?
   Obviamente, super-simplifiquei. Mas é isso. Gostaria de ter uma = maneira
   de
   dar a mais gente acesso ao mesmo prazer que sinto com a música. Mas    está
   difícil. Parece que cada vez mais.
   Abraços.
   Mário
   _______________________________________________
   Para CANCELAR sua assinatura:
           [3]http://www.samba-c= horo.com.br/tribuna/cancela
   Para ASSINAR esta lista:
           [4]http://www.samba-ch= oro.com.br/tribuna/assina
   Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
           [5]http://www.samba= -choro.com.br/tribuna/netiqueta

References

   1. 3D"http://www1.radiobras.gov.br/radio_nacional_fm.htm";
   2. 3D"mailto:[EMAIL PROTECTED]"
   3. 3D"http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela";
   4. 3D"http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina";
   5. 3D"http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta";
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a