Parabéns pelo seu e-mail. Achei muito legal

Cicero Soares <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:  Caio Pontual disse:

>fazer misturas de alhos com bugalhos, apenas por
>esperimentalismos ou pra ver no que vai dar é besteira

Não acho besteira, não. Afinal, não foi misturando música européia com 
africana
que deu no samba? E o chorinho? E "Pelo telefone", reputado o primeiro samba
gravado no Brasil, é samba ou maxixe? E o próprio maxixe não é uma mistura 
de
habanera e polca?

Deixa misturar, Caio. O experimentalismo pode dar numa coisa legal, ou
numa joça - o que não tem qualidade não dura muito. Seleção natural.

>Será que essa música rotulada de Axé-Music tem algum nível de inspiração,
>tem arte ?... tem mensagem ?....Qual a contribuição que um grupo do tipo
>É o Tchan, e outros tantos que vieram nesse mesmo veio, pode ter
>contribuido para essa salada cultural ? ... Aguardo respostas ...

A música que é rotulada como "axé music" não existe.
( Aliás, considero o termo "axé-music" de péssimo gosto, desrespeitoso
ao candomblé e umbanda, onde "axé" tem significado bastante específico).

Quer dizer, não existe como autonomia musical, rítmica, melódica etc.
O que chamam de axé-music é "música de carnaval da Bahia", que pode ser
marcha, balada, samba-reggae (esse sim, bastante interessante), e outras
misturas de salsa, forró etc.

Posso apontar uma contribuição imediata à salada cultural: mercado,
emprego, salários, para músicos, cantores, compositores, instrumentistas,
arranjadores, estúdios, vendedores e reparadores de instrumentos,
produtores etc. etc. etc.
Só isso, no meu entender, já legitimaria o mercado do carnaval da Bahia.
A qualidade vem da quantidade, Caio.
Lembre das dezenas de grupos de "roque" dos anos 80, muitos de qualidade
duvidosa, e dos excelentes Paralamas e Barão Vermelho (meus prediletos)
que sairam desse caldo!

Inspiração e arte? Sim, existe. Diversos exemplares, originais, bonitos em
letra e em melodia. E há também um bocado de porcaria, 
cópia-da-cópia-da-cópia...
O mesmo que acontece com o samba. Tem uns lindos, tem umas merdas. É só ver
o CD dos sambas-enredos de cada ano.

Mas se cairmos na generalização, corremos o risco de usar os mesmos 
argumentos
falsos que se usou (e usa?) contra o samba - música pobre, de pretos e 
malandros,
etc. E o risco de deixar de dar valor a muita gente boa, cantores e músicos,
apenas por preconceito:

"Madame diz que a raça não melhora que a vida piora por causa do samba
madame diz que o samba tem pecado que o samba coitado devia acabar
madame diz que o samba tem cachaça mistura de raça mistura de cor
madame diz que o samba democrata é musica barata sem nenhum valor"

"Pra que discutir com madame", de Haroldo Barbosa

Aquele abraço,

Cícero Gabriel


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