Caro Arthur,
realmente o panorama da música na mídia é desolador. São anos de jabá e de
domínio absoluto dos esquemas de gravadoras e distribuidoras. Nas cidades que
conheço, oitenta por cento das rádios têm a mesma programação, independente da
região do país em que se encontram. É muita porcaria.
Por outro lado, acredito que algumas coisas novas estão acontecendo. A maior
rede de lojas de discos do mundo está fechando as portas. A divulgação, a
comercialização e o compartilhamento de músicas pela Internet parece que vieram
pra ficar. A reação das gravadoras contra o compartilhamento é violenta.
Existe, inclusive, uma ação na justiça tentando classificar como criminosos
alguns jovens que compartilharam músicas.
A mídia tradicional, também ameaçada pelo novo modelo, embarca na onda. A tal
campanha contra pirataria difunde mentiras pela TV, pelo rádio e pelos jornais,
comparando o ato de compartilhar uma música ao ato de roubar um carro ou um
telefone celular. Pirataria é quebrar patentes ou direitos autorais para
COMERCIALIZAR alguma coisa.
O que observo é o surgimento de diversas "redes" de usuários com interesses
semelhantes. Como essa nossa Tribuna. Vários artistas consagrados já fizeram
lançamentos de seus álbuns, ou de canções, pela Internet. A produção também
está mais barata. É possível gravar um CD de boa qualidade em um estúdio por
2.000 reais. Novos cantores, compositores e bandas já conquistaram o seu espaço
dessa forma.
Esse caminho abre a possibilidade de um mercado independente das emissoras e
das gravadoras. Evidentemente a mídia tradicional vai continuar existindo por
muito tempo e produzindo seu sucessos. Os grandes vendedores de discos
continuarão sendo construídos pelo mesmo esquema. Mas já começa a existir vida
fora dele.
Tem mais. Os chamados tocadores de MP3 já custam mais baratos que os tocadores
de CD. Vários aparelhos de telefone celular também são tocadores.
Não estou querendo dizer que seja fácil. Quem quiser ocupar o lugar de SPC,
Exalta Samba, etc.. tem que entrar no esquema. Se o objetivo é apenas divulgar
o seu trabalho e, a partir daí, impulsionar uma carreira profissional, acho a
situação hoje melhor do que há alguns anos.
Nesse novo mundo, o samba ainda está atrasado, se compararmos com o rock, por
exemplo. Acho que é uma questão econômica e cultural. A garotada do rock é mais
cosmopolita e integrada tecnológicamente.
Mãos à obra, pois.
Grandes abraços a todos.
Observação: mensagem anexa encaminhada.
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