Olha quem apareceu por aqui!!!
Agora eu quero ver se essa lista não decola de novo!!!
Como é que está essa terra chata????
Bom, botar água nesse feijão...
O compartilhamento de músicas pela Internet é uma questão bem complexa
e que merece uma (outra) boa discussão aqui na tribuna. A tendência é
acreditarmos que não existe conduta ilegal nessa prática, talvez pela falta de
legislação específica. Apesar da falta de empatia com as grandes gravadoras,
não podemos esquecer que existem profissionais que dependem da vendagem de
discos para sua subsistência.
A gravação de um disco envolve algumas dezenas de pessoas. São
compositores, músicos, produtores, arranjadores... Quando baixamos um cd da
Internet, essas pessoas deixam de receber sua parte do bolo.
Ao mesmo tempo, temos o aparecimento de alternativas para a divulgação
de produções independentes e de pequenas gravadores. Existem artistas que
conseguiram adquirir um público considerável sem nunca ter vendido um cd.
Vejo esse paradoxo afligir muitos dos músicos que conheço. Quase nenhum
tem opinião formada sobre o assunto. Ao mesmo tempo em que não se depende mais
da venda de cds para a divulgação, existe o processo de produção do trabalho
que permanece intacto, a não ser, talvez, pelo custo mais baixo.
Existe ainda a discussão sobre o direito de propriedade. Qual o direito
do consumidor sobre a música que ele compra? É conduta ilegal obrigar o
consumidor a comprar um cd inteiro para ter acesso a uma música? É crime copiar
um cd que eu comprei pro computador ou pro meu tocador de mp3? São questões
complexas que devem ser bem definidas para que se possa ter uma base para uma
regulamentação sólida da distribuição de material multimídia.
O problema só deve se agravar com a implantação da TV digital e com o
constante barateamento das tecnologias e, ao que parece, ainda não se está nem
perto de uma solução. Por enquanto, o caminho que as gravadoras e produtoras
encontraram é o de brigar na justiça pelo fechamento de empresas que fornecem
soluções para o compartilhamento de músicas. Esse foi o caso do Napster,
Audiogalaxy e, mais recentemente, do servidor Razorback (Rede edonkey).
Abraços,
Gabriel Gomes
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Ronaldo Braslavsky
Leite
Enviada em: segunda-feira, 23 de outubro de 2006 11:37
Para: [email protected]
Assunto: En: Res: Re: [S-C] E o pagode burguesinho
Caro Arthur,
realmente o panorama da música na mídia é desolador. São anos de jabá e de
domínio absoluto dos esquemas de gravadoras e distribuidoras. Nas cidades que
conheço, oitenta por cento das rádios têm a mesma programação, independente da
região do país em que se encontram. É muita porcaria.
Por outro lado, acredito que algumas coisas novas estão acontecendo. A maior
rede de lojas de discos do mundo está fechando as portas. A divulgação, a
comercialização e o compartilhamento de músicas pela Internet parece que vieram
pra ficar. A reação das gravadoras contra o compartilhamento é violenta.
Existe, inclusive, uma ação na justiça tentando classificar como criminosos
alguns jovens que compartilharam músicas.
A mídia tradicional, também ameaçada pelo novo modelo, embarca na onda. A tal
campanha contra pirataria difunde mentiras pela TV, pelo rádio e pelos jornais,
comparando o ato de compartilhar uma música ao ato de roubar um carro ou um
telefone celular. Pirataria é quebrar patentes ou direitos autorais para
COMERCIALIZAR alguma coisa.
O que observo é o surgimento de diversas "redes" de usuários com interesses
semelhantes. Como essa nossa Tribuna. Vários artistas consagrados já fizeram
lançamentos de seus álbuns, ou de canções, pela Internet. A produção também
está mais barata. É possível gravar um CD de boa qualidade em um estúdio por
2.000 reais. Novos cantores, compositores e bandas já conquistaram o seu espaço
dessa forma.
Esse caminho abre a possibilidade de um mercado independente das emissoras e
das gravadoras. Evidentemente a mídia tradicional vai continuar existindo por
muito tempo e produzindo seu sucessos. Os grandes vendedores de discos
continuarão sendo construídos pelo mesmo esquema. Mas já começa a existir vida
fora dele.
Tem mais. Os chamados tocadores de MP3 já custam mais baratos que os tocadores
de CD. Vários aparelhos de telefone celular também são tocadores.
Não estou querendo dizer que seja fácil. Quem quiser ocupar o lugar de SPC,
Exalta Samba, etc.. tem que entrar no esquema. Se o objetivo é apenas divulgar
o seu trabalho e, a partir daí, impulsionar uma carreira profissional, acho a
situação hoje melhor do que há alguns anos.
Nesse novo mundo, o samba ainda está atrasado, se compararmos com o rock, por
exemplo. Acho que é uma questão econômica e cultural. A garotada do rock é mais
cosmopolita e integrada tecnológicamente.
Mãos à obra, pois.
Grandes abraços a todos.
Observação: mensagem anexa encaminhada.
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Música para ver e ouvir: You're Beautiful, do James Blunt
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