Brasília, segunda-feira, 11 de dezembro de 2006.
Garotos nacionais
Nova safra de músicos brasilienses brilha no palco, em discos e DVDs de
artistas como Zeca Pagodinho, Maria Bethânia e Ney Matogrosso, entre tantos
outros nomes consagrados da MPB
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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Quem assistiu ao Acústico MTV Zeca Pagodinho 2 Gafieira, ou ao DVD gerado
pelo programa, certamente percebeu, em vários momentos, a presença de um
jovem violonista na banda que acompanhou o sambista. Trata-se de Rogério
Caetano, músico formado em Brasília, originário do Clube do Choro, que desde
1994 está radicado no Rio de Janeiro, onde sempre é requisitado por
produtores de disco como Rildo Hora e Paulão Sete Cordas.
Foi Rildo Hora, aliás, quem convidou Rogério para tocar em Mar de Sophia, um
dos álbuns recentemente lançados pela cantora Maria Bethânia. Tenho
trabalhado muito com o Paulão Sete Cordas, que tem produzido discos para
muita gente do samba. De Tantinho da Mangueira a Beth Carvalho, diz. Embora
Paulão seja diretor musical da banda de Zeca Pagodinho, foi Mauro Diniz
(filho do mestre Monarco da Portela) quem apresentou Rogério ao cantor.
O Zeca é um cara muito bacana, alegre, engraçado. Ele deixa todo mundo à
vontade na hora das gravações. Nos intervalos, costuma brincar bastante e
tomar cerveja. Senti muito orgulho ao ser elogiado por ele, com quem toquei
pela primeira vez numa roda de samba na casa dele, comenta o violonista,
natural de Goiânia, que veio para a capital aos 18 anos. Toda a minha base
musical foi construída em Brasília, tocando com vários artistas que vinham
para apresentações tanto no Clube do Choro quanto no Feitiço Mineiro ou em
outros lugares.
Quando ainda morava em Brasília, Rogério foi convocado para acompanhar Leila
Pinheiro, na turnê do disco Mais coisas do Brasil, e Ney Matogrosso, na
série de shows do álbum em homenagem a Cartola. Armazenei boa experiência
antes de me instalar de vez no Rio. Na companhia de Hamilton de Holanda e
Daniel Santiago, com quem formou o Trio Brasília Brasil, Rogério lançou o
álbum Abre alas. No ano passado, chegou às lojas com o primeiro disco solo,
Pintado o sete.
Rogério é um entre os inúmeros músicos da nova geração de Brasília que hoje
brilham nacionalmente. Só para se ter idéia, Cariocando, álbum mais recente
de Ivan Lins, conta com a participação do violonista e de mais quatro
instrumentistas brasilienses: o bandolinista Hamilton de Holanda, o gaitista
Gabriel Grossi, o violonista Daniel Santiago e o baixista André
Vasconcellos.
Instrumental
Profissional da música desde 1994, quando ainda era adolescente, André
Vasconcellos fez parte dos grupos Auravil e Bigroove e ainda integrou a
banda que acompanhava Hamilton de Holanda e Fernando César no Dois de Ouro.
Em janeiro de 1998, o Carlos Bala, baterista de Djavan, me viu tocar no
Curso Internacional de Verão da Escola de Música e me indicou a ele. De 1998
a 2001, toquei na banda do Djavan e gravei com ele os discos Bicho solto e
Ao vivo, que também ganhou registro em DVD, conta. Mais recentemente, o
baixista participou das gravações de Signo de ar (de Jorge Vercilo) e Canção
sem fim (de Flávio Venturini).
Em 2002, André lançou Observatório, disco solo com temas instrumentais de
sua autoria, e agora grava, no estúdio de Djavan, de quem se tornou amigo, o
segundo disco da carreira. Neste ano, o músico esteve várias vezes em
Brasília para integrar o Quinteto Brasiliano, liderado por Hamilton de
Holanda. O álbum de estréia do grupo foi lançado na Sala Villa-Lobos, em
show pelo projeto Cultura em Conjunto Premium.
Daniel Santiago é outro jovem músico candango que tem se destacado
nacionalmente. A exemplo de André, faz parte do Quinteto Brasiliano. No Rio
desde 2002, viajou no ano seguinte com o Trio Brasília Brasil para uma turnê
na Europa. Neste ano, lancei nos Estados Unidos o disco One the way, bem
recebido pela crítica, diz. Entre os artistas consagrados com quem o
violonista gravou figuram Ivan Lins, Olívia Hime e Flávio Venturini.
Gaitista elogiado por Paulinho da Viola e Chico Buarque, Gabriel Grossi,
discípulo do mestre Maurício Einhorn, fez duo com Daniel Santiago antes de
seguir para o Rio, em 2002. Naquele ano, lançou o disco solo Diz que fui por
aí. Depois, gravou com o violonista Marco Pereira o álbum Afinidade. Os dois
estiveram juntos com Hamilton de Holanda e o baterista Márcio Bahia na
gravação de Eu me transformo em outras, de Zélia Duncan. Beth Carvalho,
Jorge Vercilo e Ivan Lins também contaram com o som da gaita de Gabriel em
seus trabalhos assim como Chico Buarque. Embora tenha gravado apenas na
faixa Renata Maria, de Carioca, para mim foi uma experiência incrível tocar
ao lado de um dos maiores ícones da MPB. E ainda ganhei elogio dele,
festeja.
Pioneiro
Da turma de jovens músicos brasilienses, o tecladista Léo Brandão foi um dos
primeiros a tomar o rumo do Rio. Quando deixei Brasília, levei uma bagagem
considerável, pois toquei muito na noite, integrei bandas e acompanhei muita
gente boa. No Rio, inicialmente fiz parte das bandas de Oswaldo Montenegro e
Sandra de Sá. De 2001 a 2003, toquei na banda de Ana Carolina, com quem
gravei o disco anterior ao de Seu Jorge. Atualmente, Léo toca com Zélia
Duncan e com ela gravou, nos dias 18 e 19 últimos, o álbum e o DVD Ao vivo,
no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. O que ocupa o tempo do
instrumentista atualmente, porém, é a trilha da novela Vidas opostas, da TV
Record. Tenho trabalhado com Léo Gandelman e Nico Rezende nas canções de
Chico Buarque que dão tom à trilha.
Multiinstrumentista, Daniel Musy é mais um brasiliense bem cotado no mercado
fonográfico brasileiro. Na música desde 1994, bacharel em produção musical
pela Berkley College of Music, de Boston, se apresentou na capital ao lado
de Renato Vasconcellos, Eduardo Rangel e também das bandas Bigroove, Maskavo
e Nativus (depois Natiruts), antes de se radicar no Rio. Como engenheiro de
som, participei da gravação de praticamente todos os discos do Hamilton de
Holanda. E continuo no estúdio do Torquato Mariano. Como músico, gravei
Signo de ar, do Jorge Vercilo, e o DVD de Wando. Em 2004, atuei na banda do
Roupa Nova. Toquei sax, flauta e harmônica no disco Ao vivo e no DVD Roupa
acústico 2, que foi lançado há duas semanas e está entre os mais vendidos.
Da turma de Hamilton de Holanda, Rogério Caetano, Daniel Santiago e Gabriel
Grossi, o percussionista Amoy Ribas possui vasto currículo como acompanhante
de nomes de destaque na MPB. Esteve várias vezes no exterior. Entre 2002 e o
começo deste mês, se fixou no Rio, tocando no circuito dos bares da Lapa
integrou até grupos como o Onze Cabeças e o Tia Ciata, com Leandro Braga e
Rogério Caetano. Gravei com artistas importantes, como Joyce, Gilson
Peranzzetta, Marco Pereira, Olívia Byington, Yury Popov e, claro, Hermeto
Pascoal e o acordeonista francês Richard Galliano. De volta a Brasília,
Amoy foi contratado para dar aula de percussão na Escola Brasileira de Choro
Raphael Rabello.
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Com quem gravou
Rogério Caetano
Zeca Pagodinho, Maria Bethânia, Beth Carvalho, Ivan Lins e Hamilton de
Holanda
André Vasconcellos
Djavan, Ivan Lins, Jorge Vercilo e Hamilton de Holanda
Daniel Santiago
Ivan Lins, Olívia Hime, Flávio Venturini e Hamilton de Holanda
Gabriel Grossi
Chico Buarque, Ivan Lins, Zélia Duncan, Beth Carvalho, Jorge Vercilo e
Hamilton de Holanda
Léo Brandão
Ana Carolina e Zélia Duncan
Daniel Musy
Roupa Nova, Jorge Vercilo e Wando
Amoy Ribas
Hermeto Pascoal, Joyce, Olívia Byington, Marco Pereira, Gilson
Peranzzetta, Iury Popov e Richard Galliano
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