Caros,
Faz muito tempo que não posto nenhuma msg nesta lista. Infelizmente a ultima
vez foi para lembrar uma morte e esta, desgraçadamente, também. Talvez seja
porque, como já disse uma vez, cada vez somos menos (bobagem de velho
ranzinza!).
Acontece que na véspera de natal morreu Braguinha. Gozado que de todas as
listas que participo ninguém se manifestou, nem nesta gloriosa tribuna que
tantos glórias já deu para o samba e choro desta terra. Parece que, pelo fato
de João de Barro estar beirando os 100 as pessoas acharam normal a sua morte (
Ah! mas ele já estava velhinho, né!).
Mais gozado ainda, vendo a coisa sob o prisma jornalístico, é que na Folha de
S.Paulo a notícia de seu falecimento ocupou um quadrinho azul na capa com 8x8,
brigando com o papai noel submarino e a loira gostosona dormindo no aeroporto
(esta sim mereceu zona primária e foto em tamanho 5 vezes maior que a de
Braguinha).
Mais gozado ainda, ainda. Sou avesso a comparações, durmo ouvindo música e tomo
café escutando canções, mas não posso me furtar a proceder assim nessa merda de
mundo globalizado que conta os sentimentos por centímetro: ontem, 25, morreu
James Brow, perda irreparável, sem dúvida, ainda semana passada me lembrava da
cena bárbara que ele fez no Blues Brothers, e, com toda justiça ganhou cabeça
de página e uma página inteira no caderno principal da Folha. Mas, que me
desculpem os cultores do gênero, dentre os quais eu me incluo, mas, Braguinha
fez a música que foi considerada a canção do século 20, Carinhoso e no entanto
tem um espaço pífio nos jornais e, nos dias 24 e 25 pouquissima referência em
nossas TVs, incluindo os canais a cabo.
Triste país onde a mémória se perde dentro de um saco de batatas! O Zeca Louro
lembrou bem, no seu blog fantástico Loronix, a cena em que milhares de pessoas
saíram do Maracanã cantando as Touradas de Madrid, depois da goleada do Brasil
sobre a Espanha. Eu não estava lá, para dizer a verdade não tinha nem um ano
naquela data, mas outro dia, escrevendo uma crônica sobre outro assunto, citei
a passagem e me senti numa das ruas que margeiam o Maracanã, andando de
cavalinho sobre os ombros de meu avô. (Me esqueci o resultado, será que o
Roberto se lembra?).
E mais gostoso ainda é lembrar que Touradas de Madris foi desclassificada de um
concurso de marchas carnavalescas do DIP, em 37, porque, diziam, seria um
passo doble e não marcha (mas a emenda saiu melhor do que o soneto e a segunda
vencedora foi As Pastorinhas, do mesmo Braguinha de parceria com Noel Rosa).
Por tudo isto acho triste mesmo que pouca gente se lembrou ou passou
deliberadamente por cima da morte do Braguinha. Enfim, como dizia outro
circunstante "malhas que o império tece"...
Quem quiser encontrar alguma coisa do Braguinha já, já é só entrar no Loronix
ou no cápsula da cultura qonde foram postados excelentes amostras. Em todo
caso, anda Luzia, pega um pandeiro e vem pro carnaval, anda Luzia que esta
tristeza te faz muito mal.
Abraços e beijos fraternos para tuti quanti, principalmente para o Dr. Eduardo,
a Carmen, o Roberto Azevedo e o Paulo.
Valdir
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