Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_93.htm


Samba em Berlim

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio


A menina do Rio foi a Berlim e botou os gringos para sambar. No dia 16 de junho, Mart’nália, convidada a participar da Copa da Cultura, fez uma apresentação empolgante na Hans Der Kulturen Der Welt (Casa das Culturas do Mundo). Concebido, roteirizado e dirigido por Márcia Alvarez, o show foi gravado sob a direção de Roberto de Oliveira e agora pode ser curtido em CD e DVD, que acabam de ser lançados pelo selo Quitanda, da Biscoito Fino.

Mart’nália em Berlim tem por base Menino do Rio, álbum lançado em fevereiro, que traz 16 faixas e mais os extras Sem compromisso e Deixa a menina (com Chico Buarque), gravadas no mesmo local, em show do cantor; e Estácio, Holly Estácio (com Luiz Melodia), que ganhou registro posterior em estúdio, no Rio de Janeiro.

“Quando fui para a Alemanha, só sabia que ia fazem um show pela Copa da Cultura. Mesmo no palco, na hora da apresentação, vendo câmeras em volta, não me toquei que ia rolar uma gravação. Soube depois que o show iria ser transformado num CD ao vivo e num DVD. Foi um complô da Marcinha e do Roberto que, depois, a Bethânia aprovou”, diz Mart’nália, com seu jeito moleque. “Quando cheguei ao Rio, me mostraram as imagens e chamaram o Melodia para gravar comigo. Foi muito bacana”, acrescenta.

Embora Márcia Alvarez tenha se incumbido de escolher o repertório, tudo foi feito em acordo com Mart’nália. “Houve o acréscimo de umas coisas mais balançadas, até porque era um show com clima de celebração. Mesmo com a presença de muitos alemães e gringos de outros países da Europa e de outros continentes na platéia, havia uma galera de brasileiros saudosos”, justifica.

A cantora se refere à inclusão dos sambas reunidos em três medleys: Casa 1 da Vila (Monsueto e Flora Matos), Tiro ao Álvaro (Adoniran Barbosa) e Formosa (Baden Powell e Vinicius de Moraes), no primeiro; Alguém me avisou (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho) e Sonho meu (Dona Ivone Lara), no segundo; e Todo menino é um rei (Nelson Rufino e Zé Luiz do Império) e Vazio (Nelson Rufino), no terceiro. “São músicas que têm tudo a ver com meu universo musical e pessoal. Minha intimidade com Dona Ivone é tanta que a chamo de vó. O Roberto Ribeiro, que gravou com sucesso Todo menino é um rei, sempre foi amigo do meu pai e freqüentava nossa casa. Lembro que, quando era molequinha, fui à casa do Vinicius com meu pai. Cantar Adoniran Barbosa é uma forma de homenagear São Paulo, onde sempre tenho boa acolhida. Enfim, são várias homenagens”, explica.

É certo que em Nas águas de Amaralina (Martinho da Vila e Nelson Rufino), Renascer das cinzas (Martinho da Vila), Boto meu povo na rua (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho), Celeuma, composta para ela por Djavan, e Fato consumado, também do compositor alagoano, Mart’nália continua passeando pela praia do samba. Mas, com impressionante adaptação a outros estilos, ela interpreta Cabide, uma levada pop com a marca registrada de Ana Carolina, que fará parte da trilha de Paraíso tropical, a próxima novela das 19h na Globo; Benditas, primeira canção que fez com Zélia Duncan; Menino do Rio (Caetano Veloso) e Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia), reunidas numa mesma faixa; Chega, Entretanto e Pretinhosidade, parcerias da cantora com Mimbaça.

Há, ainda, Essa mania, versão de Mart’nália e Moska para Res´t la Maloya, do francês Alain Peters, músico da Ilha da Reunião. “Há dois anos estive na Ilha da Reunião dando um workshop de percussão, juntamente com Esculeba (percussionista da banda de Zeca Pagodinho). A ilha, que fica perto de Madagascar, tem um certo ar de Rio de Janeiro, com as pessoas andando nas ruas com pouca roupa e sandálias. Lá, onde o dialeto é o creole, fiz muitos amigos, principalmente entre os músicos, e a canção Res’t la Maloya ficou retida na mente”, conta. “Quando cheguei ao Rio, fiz um esboço de letra em português e mostrei para o Moska, que complementou. Mas não pensava em gravá-la. A Bethânia ouviu e sugeriu que a incluísse no Menino do Rio. Depois de gravada, acabou entrando no repertório do show de Berlim.”

Pé do meu samba (Caetano Veloso), o maior sucesso de Mart’nália, não poderia faltar nesse projeto. “Até gravar Pé do meu samba, eu não havia decidido levar adiante a carreira de cantora. Estava satisfeita com a função de percussionista do meu ‘véio’ (Martinho da Vila) e de outros artistas. Mas, depois que o Caetano me deu esse presente, deixei de lado o receio e a preguiça e encarei a profissão para valer. Agora estou aqui”, revela em meio à sonora gargalhada. No DVD, os extras trazem depoimentos da cantora sobre sua primeira viagem à África, a mãe, Anália, e o pai “e patrão”, Martinho da Vila.

Mart’nália em Berlim
CD ao vivo e DVD com 15 faixas e dois bônus, gravados em julho, durante a Copa da Cultura, com direção de Roberto de Oliveira. Lançamento do selo Quitanda, da gravadora Biscoito Fino. Preço médio: CD a R$ 29 e DVD a R$ 40.

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