O choro começa o ano de 2007 com o pé direito. Salve o Clube do Choro de Brasília, salve Reco do Bandolim!!!


Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_89.htm


Templo da música

Com projeto de Oscar Niemeyer e liberação pelo GDF de uma área no Eixo Monumental, a nova sede do Espaço Cultural do Choro começa a sair do papel

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Breno Fortes/CB

Maquete do projeto de Niemeyer e Fernando Andrade para o local, que reunirá o Clube do Choro e a Escola Raphael Rabello


Admirador de Pixinguinha, Oscar Niemeyer tinha no rol de amigos Tom Jobim e Vinicius de Moraes, dois ícones da bossa nova. Há dois anos, ao receber em seu escritório, na Avenida Atlântica, em Copacabana (Rio de Janeiro), o arquiteto Fernando Andrade e o presidente do Clube do Choro de Brasília, Henrique Santos Filho, ouviu deles um pedido: elaborar projeto para a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello.

Generoso, o genial criador da arquitetura de Brasília aceitou de pronto a incumbência, mas com uma ressalva: “Você faz comigo o projeto”, disse carinhosamente a Fernando Andrade. Tinha razões para isso. Além de ser um dos representantes do seu escritório em Brasília (o outro é Carlos Magalhães), Andrade conhece bem a estrutura da Escola de Choro, da qual é aluno de saxofone.

“Quando procuramos o Oscar propondo a criação da sede, tínhamos em mente a idéia de que isso iria estimular o interesse do Governo do Distrito Federal pela criação da Escola de Choro. Fiquei surpreso com seu convite carinhoso. Obviamente não fugi da intimação”, comenta, em tom brincalhão. “Depois de estudos preliminares, desenvolvemos o projeto, que ficou pronto em um mês”, acrescenta.

De 2004 para cá, houve uma mudança na denominação da instituição, que vai se chamar Espaço Cultural do Choro e se localizará no Setor de Difusão Cultural, no Eixo Monumental, ao lado de onde hoje funciona o Clube do Choro. De acordo com Andrade, o prédio abrigará a Escola de Choro, uma sala de concertos com capacidade para 450 pessoas e outras dependências, além de área de convivência, com um café e bancos. “Será um novo ponto de encontro dos brasilienses, que poderão manter contato com professores e alunos da escola, de maneira informal”, observa o arquiteto.

Entusiasmo
Andrade conta que, antes das últimas eleições, ele e Henrique Filho tiveram um encontro com o governador eleito, José Roberto Arruda, na casa do jornalista Silvestre Gorgulho, no Lago Sul. “Sugerimos a incorporação do projeto de Oscar ao programa de governo na área da cultura. A sugestão foi aceita com entusiasmo e ele prometeu se empenhar na construção do Espaço Cultural do Choro.”

Emocionado ao se recordar do encontro com Niemeyer, o presidente do Clube do Choro contou que levou a ele, simbolicamente, as aspirações dos músicos brasileiros, “que não querem mais ser vistos como cidadãos de segunda classe”. Para Henrique Filho, o pessoal da música ser acolhido numa área nobre como o Eixo Monumental, num espaço com a assinatura de Niemeyer, lhe dará respeitabilidade ainda maior. “O Clube do Choro ousou ao buscar apoio de empresas do porte de Banco do Brasil, Petrobras, Correios. Para a temporada de 2007, vamos ter ao nosso lado, também, a Eletrobrás e o Banco Regional de Brasília”, comemora.

No último dia 6, no Palácio do Buriti, a governadora Maria de Lourdes Abadia assinou documento aprovando a liberação do terreno no Setor de Difusão Cultural para a construção do Espaço Cultural do Choro. “O projeto entregue à governadora tem a assinatura do secretário de Cultura José Ricardo Marques. Outra defensora foi a secretária de Habitação, Diana Mota. Eles consideram que a iniciativa se incorpora ao espírito da cidade”, comenta Henrique Filho.

“Já pensando na ampliação da Escola de Choro, vamos fazer parceria com a Universidade de Brasília, para criar um centro de referência, visando ao aprofundamento dos estudos do gênero musical. O Departamento de Música da UnB colocará à nossa disposição um manancial de conhecimentos, para que possamos disponibilizar o material que reunimos ao longo dos últimos 10 anos”, anuncia. “São partituras, cifras, programas das tevês Senado e Câmara e da Radiobrás, além de matérias publicadas em jornais e revistas.”

Outra idéia de Henrique Filho é transformar a sala onde hoje funciona o Clube do Choro numa luteria, para construção e conserto de instrumentos. “Temos que promover o desdobramento das atividades dos alunos da Escola de Choro. Depois das salas de aula, eles, há dois anos, passaram a contar com um palco, com a criação do projeto Prata da Casa, destinado a músicos da cidade. Em 2007, a escola terá 500 alunos. Vamos oferecer aulas de bandolim, cavaquinho, violão de seis e sete cordas, pandeiro, sax, clarineta, flauta e teoria musical, além de percussão e gaita, que serão incorporadas”, adianta.

COMEMORAÇÃO DOS 30 ANOS
Em 2007, o Clube do Choro vai completar 30 anos da fundação. As comemorações começarão na primeira semana de março, com o início da programação, que revisitará os projetos desenvolvidos nos últimos 10 anos. Os músicos convidados a participar vão prestar tributo a Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Ary Barroso, Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali, homenageados entre 1997 e este ano.

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