Olhaí, mais uma preciosidade na praça, os Cd e DVD da jovem Beth Carvalho, 20 anos de idade e 40 de carreira, de samba.
O "40 Anos de Carreira Ao Vivo no Theatro Municipal" é lançamento do recém-criado selo "Andança", e foi gravado na véspera do Dia Nacional do Samba, em 2006. Segundo jornais, a Beth conta a história do samba, de Donga a Dudu Nobre, por exemplo, cronologicamente. No palco, com ela, Nelson Sargento, Zeca Pagodinho, Vó Maria (viúva de Donga), Ary do Cavaco, Darcy da Mangueira, Monarco, Sombrinha, Almir Guineto, Bira Presidente (Fundo de Quintal), Luiz Carlos da Vila, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira. Ou seja, bem acompanhada, como sempre. Estou no interior de Minas, mas, chegando em Brasília, no caminho de casa, passo em uma loja e vou comprar, claro. Em seguida, transcrição da matéria do Correio Braziliense de hoje, 1º de janeiro, matéria do competente Irlam Rocha Lima. Caio Tiburcio =============================== Consagração de rainha Madrinha de gerações de sambistas, Beth Carvalho reuniu vários deles em noite de gala, no Municipal do Rio, para comemorar 60 anos de vida e 40 de carreira Irlam Rocha Lima Da equipe do Correio Em novembro de 2005, Beth Carvalho estava dentro de um carro no congestionado trânsito do Centro do Rio de Janeiro e começou a pensar no show que iria comandar nos Arcos da Lapa, no dia 1º de dezembro, para comemorar o Dia Nacional do Samba. Aí lhe vieram à mente histórias relacionadas com sambistas da velha guarda. Lembrou de uma música de João da Baiana, na qual ele diz que o samba era muito maltratado. Recordou que o jongo, avô do samba, não teve a devida valorização. E que muitos sambistas nunca haviam posto o pé no Theatro Municipal. Aquele turbilhão de pensamentos a ajudou a tomar uma decisão. No dia seguinte procurei a Helena Severo, diretora do Municipal, e lhe pedi que cedesse aquele templo da cultura para comemorarmos o Dia Nacional do Samba. Mesmo com a pauta do teatro cheia, ela sensibilizou-se e abriu as portas do Municipal ao samba e aos sambistas, que ocuparam palco, balcões e platéia numa noite memorável. Naquela noite, o sentimento dos sambistas, como ficou constatado, foi de conquista de um território que, até então, abria-se para eles somente em visitas esporádicas e rápidas. Madrinha de boa parte dos participantes daquele show, Beth juntou à data a comemoração de seus 40 anos de carreira e tratou fazer algo com produção cuidada. O espetáculo histórico foi gravado e resultou em dois CDs ao vivo e um DVD, lançados pelo selo Andança (da cantora) e distribuídos pela Sony BMG, nos quais foram reunidos momentos marcantes da trajetória dessa extraordinária artista e cidadã. Afilhados Beth Carvalho teve a seu lado afilhados como Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Sombrinha e Dudu Nobre, e representantes da velha guarda, da importância de Monarco da Portela, Nelson Sargento, Darcy da Mangueira, Ary do Cavaco e Dona Ivone Lara. Estava lá, também, Vó Maria, viúva de Donga, que, aos 90 anos, cantou Pelo telefone, primeiro samba gravado de autoria do marido. Beth levou ao Municipal, ainda, o mítico Jongo da Serrinha, representante da raiz do samba, que abre o DVD. Para a cantora, convocar tantos convidados ilustres foi, com certeza, a parte mais fácil. Todos aceitaram de imediato. A idéia de participar de uma grande roda de samba, de um grande pagode no Municipal, os entusiasmou. E isso ficou comprovado durante a apresentação de cada um no espetáculo, dirigido por Túlio Feliciano e sob a batuta do maestro Ivan Paulo, comenta. As dificuldades apareceram na hora de definir o repertório. Na hora de escolher as músicas, algumas que se tornaram emblemáticas no meu trabalho, como Saco de feijão (Chico Santana) e Mil e oitocentas colinas (Gracia do Salgueiro), acabaram ficando de fora, lamenta. O show foi aberto com a interpretação de Nas veias do Brasil, de Luiz Carlos da Vila, uma apologia à negritude e Se você jurar, de Ismael Silva (um dos fundadores da Deixa Falar, primeira escola de samba, surgida no Morro de São Carlos, no bairro Estácio de Sá), Nilton Bastos e Francisco Alves, gravado por Beth no CD Pérolas, de 1992. Na seqüência, o tema do samba oprimido mostra que o gênero sofria repressão das autoridades, como revelado em Delegado Chico Palha, que não prendia, só batia. Nesse momento do DVD, são projetadas imagens de uma conversa entre João da Baiana, Donga e Pixinguinha, sobre a violência que o samba sofreu. Tradição Na parte sobre a voz do morro, em que exalta a tradição do samba e das escolas, a cantora recebe Darcy da Mangueira (em O mundo encantado de Monteiro Lobato e Samba do trabalhador), Nelson Sargento (Cântico à natureza e Agoniza mas não morre), Monarco (Vai vadiar e Coração em desalinho) e Ary do Cavaco (Reunião de bacana e Mordomia). No bloco sobre samba de subúrbio, a cantora homenageia Nelson Cavaquinho (tocando o instrumento que lhe foi presenteado pelo poeta dos cabelos cor de prata) e seu aparceiro Guilherme de Brito, cantando Folhas secas. Presente na platéia, Guilherme, que viria a morrer em 2006), viu a música ser dedicada a ele. Já João Nogueira ganhou homenagem do filho, o jovem sambista Diogo Nogueira, intérprete de O poder da criação, parceria do pai com Paulo César Pinheiro. Dona Ivone Lara relembrou a luta do samba pelos direitos do negro com Acreditar, dela e de Délcio Carvalho. Uma das principais referências ao subúrbio, o bloco Cacique de Ramos marcou presença no Municipal, representado por ritmistas com tantã, banjo e repique-de-mão. Foi aí que Beth levou a irreverência às últimas conseqüências para promover o pagode no Municipal, aberto pelo Samba no quintal (Toninho e Everaldo Cruz), com os músicos tocando panela. Em seguida vêm Doce refúgio, hino do Cacique, e os pagodeiros Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Dudu Nobre, Luiz Carlos da Vila, Sombrinha, Bira (do Fundo de Quintal) e partideiros do famoso bloco em O show tem que continuar (Sombrinha, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila), Só pra contrariar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Almir Guineto), Não quero saber mais dela (Almir Guineto e Sombrinha), Conselho (Adilson Ramos e Zé Roberto) e Quem é ela (Zeca Pagodinho e Dudu Nobre). Com o afilhado mais famoso, Zeca Pagodinho, Beth faz duo em Camarão que dorme a onda leva (primeiro sucesso dele gravado por ela, em 1984), São José de Madureira (Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho), Iaiá (Serginho Merito e Beto Sem braço) ) e Bagaço da laranja (Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz).A sambista fecha o pagode com Coisa de pele, de Jorge Aragão e Acyr Marques. Quase ao final, a interpretação de Beth em Meu guri (Chico Buarque) emociona o público. Samba de ouro, o bloco final, reúne as duas maiores manifestações do carnaval carioca: as escolas de samba e os blocos de rua. Com bateria, mestre-sala e porta-bandeira da Mangueira (sua escola do coração), canta Exaltação à Mangueira (Aloísio A. da Costa e Enéas Brittes). Com o auxílio luxuoso da filha, a bela atriz Luana Carvalho (a quem dedicou o show), lembrou os tempos do Cacique de Ramos com Coisinha do pai (Almir Guineto, Jorge Aragão e Luiz Carlos da Vila) e Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci). Samba de roda Aos 60 anos, Beth Carvalho mantém-se em intensa atividade. Em julho voltou a participar do Festival de Montreux, 18 anos depois da primeira apresentação na cidade suíça. O show foi registrado em outro DVD, a ser lançado pela gravadora Eagle, com distribuição na Europa, Japão e Estados Unidos, primeiro, e posteriormente no Brasil. Nos dias 22 e 23 de agosto a cantora gravou, no Teatro Castro Alves, em Salvador, o CD e o DVD Beth Carvalho canta o samba da Bahia, filmado pela Conspiração. Eu tinha a idéia de realizar esse projeto há bastante tempo. Havia gravado um CD só com sambas paulistas, que teve ótima vendagem. Depois que o ministro Gilberto Gil tombou o samba de roda, achei que havia chegado a hora de voltar ao tema, que havia abordado no meu primeiro disco, em 1972, ao gravar Flor de laranjeira e Sereia. Para o Samba da Bahia, Beth convidou alguns dos maiores nomes da MPB nascidos naquele estado. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Margareth Menezes e Olodum me receberam com muito carinho, afirma. Gravamos compositores baianos de várias gerações, como Assis Valente, Dorival Caymmi, Batatinha, Riachão, Edil Pacheco e Roque Ferreira, e reunimos representantes de comunidades do Recôncavo Baiano, onde o samba de roda é forte. Foi uma coisa linda. O CD e o DVD devem ser lançados no segundo semestre de 2007, adianta. BETH CARVALHO 40 ANOS DE CARREIRA CDs e DVD gravados no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a cantora e convidados, sob direção de Túlio Feliciano. Lançamento do selo Andança, distribuição da Sony BMG. Preço médio: CD, R$ 27 (cada) e DVD, R$ 55. http://dyn5.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_19.htm _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
