Sérgio e todos,
   
  Nessa história do pioneirismo do Marcus Pereira, lembrei também de uma serie 
de LPs que ele lançou – e que até onde sei não viraram CD – em 1974, a 
“História das Escolas de Samba”. São discos das Velhas Guardas, mesmo as que 
ainda não eram chamadas assim. 
   
  No da Mangueira, tem Cartola cantando “Fiz por você o que pude” e outras, tem 
Carlos Cachaça e padeirinho cantando sambas seus. No do Salgueiro, tem Geraldo 
babão e Noel Rosa de Oliveira interpretando  antigos sambas da escola.
   
  Agora, o da Portela extrapola. Tem o “Hino da Velha Guarda” cantado pelo 
autor, Chico Santana. "Quitandeiro”, com Alvaiade, ainda como partido-alto, sem 
a segunda parte que o Monarco faria mais tarde e que gravaria no seu primeiro 
disco. “Sentimentos”, com Monarco. “Recado”, de Paulinho e Casquinha, cantada 
pelo Casquinha.
   
  Acho que, depois do LP produzido pelo Paulinho em 1970, o LP da Marcus 
Pereira pode ser considerado como o segundo disco da Velha Guarda da Portela, 
antes dos que o Tanaka faria na 2ª metade dos anos 80.
   
  E ainda sobre o Cartola,  como você observa, os discos da Marcus Pereira 
gravados com seu nome devem ter sido um estimulo para que ele não ficasse 
apenas como “monumento” da Mangueira, mas  mostrasse musicas novas e 
continuasse compondo, buscando parceiros novos inclusive. Representou mais do 
que projetar composições do Cartola, deu a um veterano do samba o status já 
reconhecido a outros autores da MPB, ou seja, o de um compositor que faz e 
grava suas próprias obras. Esse reconhecimento, esse status, talvez tenha sido 
fundamental para que tenhamos tido tantas composições feitas durante os últimos 
anos de vida do Cartola.
   
  Helion
     
   
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Na mosca Helion...

E só para ratificar o que escreveu, veja(m) esse depoimento emocionado 

do próprio Cartola em "Tempos Idos", de Marília T Barboza e Arthur 

Hélio de Oliveira, pag 114, Ed. Funarte:

"Quando a idéia do LP surgiu achei impossível O Marcus Pereira topar. 

As 

fábricas não queriam nada comigo. Eu já tinha tentado e sempre diziam: 

"Cartola não vende". Aí o Marcus Pereira fechou os olhos e disse: 

"vamos gravar!"Foi emocionante. Uma coisa de louco. O dia que ele telefonou e 

disse depois de amanhã vamos gravar eu pensei: "não é possível" E mesmo 

depois da gravação eu não acreditava. Precisei ter o disco na mão. 

Precisei ver ele sendo vendido nas lojas, para acreditar. E me senti 

muito emocionado quando ouvi minha voz no disco. Eu já tinha até 

pensado que ia morrer sem gravar um disco. Tava até perdendo a vontade de 

compor, VENDO QUE TANTA GENTE GRAVAVA E NÃO CHEGAVA A MINHA VEZ. QUANDO 

O DISCO SAIU VOLTEI A FAZER MÚSICA CORRENDO." (...)

 

                
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