Rui ... como o Eugenio comentou, as manifestações populares que vieram a
resultar no que hoje é o samba, sempre sofreram toda sorte de perseguição
policial na tentativa de subjugar os costumes e as culturas que "destoavam"
do que era apregoado nos salões ... os negros escravos usaram a música como
uma maneira de manter vivas as suas origens, seus costumes, enfim, tudo
aquilo que amavam e que foram obrigados a abandonar ... os batuques no fundo
da Casa Grande sempre traduziram este sentimento ... e, como a música tem
uma força incontrolável, mexe nos sentimentos e nos transporta para o que
mais amamos com uma rapidez enorme, sempre reviviam sua terra ... a sua
liberdade!
Isto foi passando de pai pra filho ... e, qdo o país começou a deixar de ser
só agrário-exportador, nas cidades apareceram os instrumentos que estavam
relegados aos fundões das Casas Grandes ... claro q a repressão sabia q
aqueles instrumentos eram mais do que simples objetos, eram os
reconstrutores de uma identidade .. e, isto tinha q ser banido .. tinha q
ser destruído ... nada mais fácil q associa-lo a vadiagem. Na região da
extinta Praça Onze no Rio, com a abolição, sobraram muitos casarões que
acabaram servindo de albergues para os escravos recém saídos do campo ....
e, naquela região aglomeraram-se muitas famílias negras a procura de
trabalho e de uma vida mais digna ... associar a sua musica a vadiagem era a
melhor maneira para a repressão agir com "rigor" em defesa da ordem vigente
.. Morava naquela região Tia Ciata,baiana, grande conhecedora de ritmos e
danças africanas, e as outras tias que acolhiam em seus quintais e serviram
como refugio para este tipo de manifestação, "protegendo" aqueles q queriam
cantar e tocar suas dores e alegrias .... mas, claro q eram tocados sons q
conduziriam ao samba ... ritmos e danças africanos como o lundu, o jongo, a
capoeira, o batuque etc ...foi esta mistura que criou este ritmo que amamos
tanto ...
Foi reprimido, com certeza, porq representava uma identidade e uma cultura
diferente daquela que a elite assumia ... meu avô contava que uma vez entrou
assobiando um samba em casa, na década de 40, e seu pai mandou sair e entrar
de novo, pois casa era lugar de respeito ...
A baiana Tia Ciata, representou muito na história do samba, mas seguramente,
o mais importante foi promover a mistura destes ritmos todos que resultaram
nesta música maravilhosa que hoje nós podemos usufruir em liberdade ....
beijos
----- Original Message -----
From: "Rui Velocci" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: "Tribuna Samba-Choro" <[email protected]>
Sent: Wednesday, July 11, 2007 8:45 PM
Subject: Re: [S-C] Re: Meus CDs /LPs de
sambapreferidos(era:conselhosparacompras/2)
Eugênio: Foi muito perseguido até década de 50 se não me engano. O que estou
querendo dizer, é que eu não acho que o samba nasceu para protestar, veja o
Rap e o Reggae, que sua principal função era expressar a voz dos oprimidos.
Sambas de protesto existem milhares sobre diversos temas.
Abs
Em 11/07/07, Eugenio Raggi <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Rui,
O samba, como gênero, não estava consolidado. Mas toda manifestação
cultural praticada pelas camadas populares era visto como "ato de
vadiagem". Portar um violão já era mesmo motivo para prisão. Zeca
Pagodinho resgatou um samba que nos conta como era dura a vida dos
pioneiros. "Delegado Chico Palha", de Tio Hélio e Campolino dizia:
"Delegado Chico Palha,
sem alma sem coração,
não quer samba nem curimba
na sua jurisdição"
João Nogueira e Paulo César Pinheiro regsitraram " E lá vou eu":
"Ai se não fosse o violão
e o jeito de fazer samba
Do tem que quem fazia
Corria do camburão
Hoje não corre não
Hoje o samba é decente
E ninguém aguenta, oh gente!
A força do samba, não"
A cultura popular sempre foi alvo de repressão.
Em 11/07/07, Rui Velocci<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Carmen: Como eles podiam reprimir um gênero que não existia?
>
> Beijos.
>
>
> Em 11/07/07, Carmen <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> >
> > Rui ... mesmo na casa da Tia Ciata o samba tinha um componente de
protesto
> > sim ... naquela época a policia reprimia o samba a cacetadas ... as
> > reuniões
> > da Tia Ciata - e varias outras delas - serviam de refúgio e abrigo tb
...
> > divertimento e resistência cultural se misturavam (misturam) até hoje
....
> >
> > bjs
> >
> > Carmen
> >
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: "Rui Velocci" <[EMAIL PROTECTED]>
> > To: "Jose Henrique" <[EMAIL PROTECTED]>
> > Cc: <[email protected]>
> > Sent: Wednesday, July 11, 2007 3:55 PM
> > Subject: Re: [S-C] Re: Meus CDs /LPs de samba
> > preferidos(era:conselhosparacompras/2)
> >
> >
> > O Samba nunca foi feito como protesto. As festas na casa da Tia Ciata
não
> > tinham nada de protesto, mas sim por divertimento. Diferente do Rap,
que
> > foi
> > feito para os oprimidos(A forma como eles se sentem) se expressarem.
> >
> > abs
> >
> > Em 11/07/07, Jose Henrique <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > >
> > > Oi sônia,
> > > respeito sua opinião, mas não concordo.
> > > Alguns reparos.
> > > D2 não substituiu o rap pelo samba, ele incorporou o rap no samba, é
> > > bemmmmmmmmm diferente!
> > > Vc disse que o samba serve como veículo de protesto?
> > > E o rap não?
> > > Já ouviu falar nos Racionais? Sugiro que ouça, como tem a cabeça a
> > aberta,
> > > acho que vai gostar.
> > > Po último, o D2 valorizou o samba, sim!
> > > Ouvir os discos do cara, pra quem manja de samba, é o maior barato,
é
> > > cheio de citações aos bambas.
> > > Enfim, como diria Raul Seixas: Não tem certo nem errado, todo mundo
tem
> > > razão, o ponto de vista é que é o ponto da questão.
> > >
> > > p.s A exceção a regra é a Carmem, que está sempre errada. ehehehe
:>)
> > >
> > > Abraços
> > >
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