Alan Romero escribió:
O caso de Cabo Verde é único, e não me parece nada absurdo afirmar que
a música portuguesa esteve na base da morna e de outras formas
musicais caboverdianas. Fatos são fatos.
Peraí, primero você diz que não é absurdo, o que é correto, depois que é
um fato... Por quê? Porque não é absurdo? Tudo que não é absurdo é fato?
Também não é absurdo afirmar o contrário. Tem a mesma distância de
Portugal a Cabo Verde que de Cabo Verde a Portugal. Os portugueses
entram em contato com os africanos, quem influi em quem? Não conhecço
nada na música popular portuguesa que remotamente se pareça ao fado. Por
quê o fado tem que ser português? O fato, e isso é um fato mesmo, é que
a teoria hoje mias aceita sobre a origem do fado é o lundum. O fado foi
por muito tempo tipicamente lisboeta, demorou pra chegar a outras partes
de Portugal. Em Lisboa está o porto, que costuma ser um locus de
importação/exportação. Não há motivos para afirmar que o fado é uma
criação lusitana.
Negar isso, movido por um
tardio sentimento anti-colonialista, é que me parece pouco sensato.
Afirmar isso, movido por um antigo sentimento colonialista, é que me
parece pouco sensato.
Estamos falando de fusão musical, processo espontâneo nascido no
cotidiano das populações. Lembre-se que as ilhas eram desabitadas.
O fado nasceu no século XIX, as ilhas comecaram a ser habitadas quase
quatrocentos anos antes disso.
Os
portugueses levaram para lá toda a população negra, começando por
escravos de origem guineense. A população branca era majoritariamente
portuguesa, misturada com marinheiros de diversas origens,
principalmente genoveses. Da mesma forma que no Brasil e nas outras
colônias, os portugueses levaram a sua música e seus instrumentos,
como a viola, o cavaquinho e o bandolim.
Muitos de origem árabe, e amplamente conhecidos em outros países
africanos, inclusive na África negra,
Os africanos levaram também
sua música e lá fizeram seus instrumentos. Do contato dessas duas
sensibilidades nasceram diversas formas musicais. O lundu é um bom
exemplo disso, misturando harmonias e melodias européias com os cantos
e ritmos africanos. Na dança, o lundu mistura o estalar dos dedos das
danças ibéricas com a umbigada típica das danças africanas. Consta que
o lundu preexistia, foi levado para Cabo Verde, lá tomando
características próprias.
Acho que essa descrição corrobora a minha tese mais que o contrario. E
isso sem levar em conta que muitas dessas harmonías européias estavam
fortemente influidas pela música árabe. Ou seja, do norte da África e
Ásia. Especialemento o fado, segundo algumas teorias.
A questão permanece: por quê consideramos lusitano uma coisa que
aparentemente se desenvolveu, até onde podemos saber, em varias partes
do mundo? Pra mim não é uma coisa natural, mas um reflexo do
etnocentrismo europeu que domina a cultua ocidental até hoje, apesar de
que já não é cietificamente sustentável.
Abs.,
JLV
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