Bem Luis, as questões colocadas aqui são muitas e por isso mesmo difícil de sintetizar todas como deveria. Com relação a música erudita é uma questão de costume mesmo, é preciso educar o ouvido e a sensibilidade para compreender e assimilar essa linguagem musical, portanto as vezes é preciso forçar um pouco a barra. Quanto a questão da Lambada x Samba, continuo discordando de vc, pois é necessário ter uma compreensão da formação e aparecimento dentro da história de ambas manifestações. A Lambada surgiu no Pará por influência de alguns ritmos caribenhos caiu no gosto popular e depois se espalhou pelo país levado pela mídia que precisava implantar mais um modismo no mercado. O Samba é uma expressão cultural de um povo oprimido e explorado na sua condição social por anos a fio e representou além de uma maneira de cultuar suas origens, como também como uma forma de resistência enquanto grupo social e étnico. Portanto fenômenos bem distintos.

Da forma como você escreveu, parece que todas as músicas, "boas" ou "ruins" que foram lançadas, foram invenções mercadológicas, desde que tenham feito sucesso.

Eu, não falei esse tipo de coisa. Eu disse, que alguns dos gêneros que apareceram nas mídias em algumas épocas e que sumiram em seguida, foram patrocinados pelas gravadoras apenas como um produto a mais, a ser consumido pela massa que é sempre ávida por qq novidade, independente de sua qualidade. Assim foi com a Lambada, com o "Pagode", com o Axé, com o "Sertanejo", com o Brega, e também com o "Forro". Nesses todos relacionados, certamente existem alguns elementos autênticos e com qualidade, mas como vimos foram tantos que se aproveitaram desses modismos que a grande maioria que foi lançada no mercado era porcaria mesmo, para consumo imediato como fast-food, que se como hoje e amanhã é jogado fora. Uma obs.: Música boa não precisa, nem deve, ser promovida por modismos. Elas vivem por conta própria apesar de muitas vezes não ter a grande mídia como suporte. Para mim a música é feita primordialmente para OUVIR, e em segundo plano para dançar (pra quem gosta). O samba para se dançar a dois é coisa da década de 50 pra cá, com o advento da Gafieira. O samba é um pouco mais antigo que isso, não? O samba na sua origem era basicamente ritmo, batucada, dança coletiva em rodas ou não. Quanto a essas misturas, pode ser que isso aconteça, como já aconteceu em alguns casos, mas eu vejo isso como mais uma tentativa de sobrevivência do que qq outra coisa, pode ser que alguns permaneçam e derivem em algo bom, quem sabe?

Bem, é isso aí.
Um abraço.
Caio Pontual


----- Original Message ----- From: "Alma" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Monday, September 17, 2007 6:51 PM
Subject: Re: [S-C] Re: O Samba de Cuba


Oi Caio,

Também prefiro como você, as canções com letras e musica mais elaboradas. Interessante comentar aqui que não chego a amar a música clássica, que é elaboradíssima na minha opinião - credito isso à falta de mais qualidade no que ouvi na infância, onde se forjam os gostos.

Da forma como você escreveu, parece que todas as músicas, "boas" ou "ruins" que foram lançadas, foram invenções mercadológicas, desde que tenham feito sucesso. O que obviamente não é verdade, haja visto que a MPB e o samba permanecem moda e o chorinho aparece hoje em vários dos comerciais onde se quer passar bom gosto.

Diferentemente de você, acho que o ideal seria se tivéssemos mais ondas modismos dentro da música, ondas como foram a bossa nova, a MPB, o forró pé de serra, o samba e o chorinho e até o MPBrock, mas creio que quanto mais e maiores os centros urbanos e com a educação, cultura e instrução tão medíocres, a maioria do que será sucesso de público, será, no meu arrogante julgamento, músicas de "menor qualidade". (Salve o Zeca, o Almir, o FDQ e o Jorge, que além de divulgarem o samba na grande mídia, mesmo as suas piores músicas são infinitamente melhores que as melhores da Joelma, do Leandro, do Cãozinho dos Teclados e do Xandi)

A parte que mais discordo na sua resposta, é que os processos não tenham sido os mesmos. Tanto a lambada quanto o samba (o urbano do Rio de Janeiro que tomou para si um nome usado para designar dezenas de coisas diferentes pelo Brasil) foram muito combatidos no início de sua trajetória por ser considerado musica "sem qualidade" e de pobre (funcionários públicos, barbeiros etc.) e ambos foram sustentados pela dança de par. Creio que você sabe que no caso do samba, até se dividir em música para dançar a dois e para desfilar no carnaval, ele ditava a moda a ponto dos músicos adaptarem as canções para se ajustarem aos requebros dos dançarinos. À propósito, a lambada tomou o mundo, pela dança, não pela "qualidade musical", inclusive porque "qualidade", como você mesmo cita, nunca foi parâmetro para o sucesso nem aqui nem no exterior.

Para fechar, não acredito que sumirão, o forrock (do Ceará), o brega (do Pará), o breganejo (de São Paulo), o axé (da Bahia) e principalmente o funque (vergonhosamente do Rio), que no máximo mudarão e se misturarão como o forró para o forrock e a lambada para o forrock/brega/axé. Em relação ao funque, comento que me sinto envergonhado como carioca porque, enquanto os primeiros ritmos acima são apenas monótonos e suas letras, na grande maioria, são chatas e bobinhas, o funque, além da voz dos MCs, em muitos casos, vir cheia de ódio, eles tem em sua base ideológica (cópia dos estadunidenses don HipHop), a violência (sexual e física) à mulher e a apologia ao tráfico e as drogas.

Abraço,
Luís Florião


----- Original Message ----- From: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Alma" <[EMAIL PROTECTED]>; <[email protected]>
Sent: Monday, September 17, 2007 12:21 PM
Subject: Re: [S-C] Re: O Samba de Cuba


Luis, é aquela coisa, em tudo que existe no mundo tem seus pros e contras. Eu particularmente, acho que essas invenções mercadológicas com um único intuito de vender já é condenável na origem. Essas ondas de modismos dentro da música também são igualmente condenáveis, pelo mesmo motivo, quase sempre peca pela qualidade e mais ainda pela mesmice ou pelo exagero. A Lambada foi uma onda que surgio no Pará e tomou o pais de sopetão e foi embora do mesmo jeito que veio, essas músicas caribenhas são muito ritimadas, cheias de suingue, e agradam a alguns por esses motivos e também pelo seu apelo sensual, mas em sua grande maioria não tem a qualidade músical que eu particularmente prefiro. Portanto vc não pode colocar no mesmo balaio o fenomeno que gerou o Samba e a Lambada e seus congeneres, foram motivos geradores muito diferentes e com propósitos também diferentes. O mesmo eu diria do forró que tambem como o pagode era um evento festivo e aqueles que vivem desse mercado passaram a apelidar isso como sendo um gênero. Para fechar, o meu alento é que tudo (em música) que não presta, nasce cresce e morre sem deixar herdeiros, as vezes duram mais do que deviam, mas agente espera pacientemente seu falecimento .....

Abs.
Caio Pontual

PS. O fato de turista gostar de alguns desses rítmos "modernos" não quer dizer que tenhamos que apludir. Gringo gosta de muita porcaria, haja visto uma tal de Conga la Conga, e outras desse tipo.


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