Depois que li o depoimento de Rene, fiquei curioso em conhecer o trabalho do
terreiro grande. Onde posso adquirir o CD ? Em que gravadora ?
abraços
geilson
----- Original Message -----
From: "Renê" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Thursday, November 29, 2007 1:26 PM
Subject: [S-C] Cristina e Terreiro Grande no Rio
Não consigo expressar com palavras, o que foi a visita desse pessoal do
Terreiro Grande, no Rio de Janeiro nesse último fim de semana. Foi
realmente algo inexplicável.
Confesso que comprei o disco, porque ouvi muitos comentários. Porém, sem a
menor expectativa porque não achava que ainda poderia-se produzir algo com
a qualidade que esse pessoal produziu. Claro que, nem preciso dizer que a
surpresa foi enorme, logo nos primeiro minutos do disco rolando. Melhor
que isso, fiquei espantado.
Como qualquer carioca eu também tenho meu pé atrás com os paulistas quando
o assunto é samba. Aqui no Rio nós sabemos que o negócio de São Paulo é
fazer dinheiro, não samba. Mas sou obrigado a reconhecer que esse pessoal
do Terreiro me fez começar a prestar mais atenção nos fatos reais. O Rio
já não anda mais com essa bola toda. Os grandes mestres são cariocas,
nasceram aqui, mas esses caras me provaram que há muito tempo, nós
cariocas, não sabemos o que é um bom samba de verdade. Não tô dizendo que
não existe, mas sim que é muito difícil de se ver.
Voltando ao final de semana. Pela primeira vez fui à Paquetá. Engraçado
que o que me fez ir à Paquetá pela primeira vez, não foi a insistência do
meu vô,que sempre quis levar toda família pra Paquetá e comprou uma casa
lá há alguns anos, mas sim a presença dos tais paulistas que tanto tenho
ouvido falar por aqui nas rodas e bares do Rio. Cheguei lá, a roda já
estava formada. O samba, maravilhoso, como no disco. Fiquei surpreso ao
ver algumas figuras por ali. Pedro Amorim, que tem fama de ser um cara um
tanto quanto intolerante, Ana Rabello, filha de Paulo César Pinheiro e
Luciana Rabello, seu irmão Julião, Áurea Maria, filha de Manacéa, Alfredo
Del Penho e outras personalidades, que não estou acostumado a ver em rodas
de samba mesmo. Só de chôro. Esse pessoal estava visivelmente feliz em
estar ali. O samba foi algo muito especial. Repertório muito diversificado
e com muita novidade. Coisa linda de ver e ouvir. A volta na barca, foi
muito bacana.
O pessoal que poderia estar bem cansado, já que boa parte dos músicos
ficou exposto ao sol de Paquetá, tocando sem parar, veio cantando de lá
até a Praça XV. Esses caras tratam o samba com muito respeito.
Mas eu queria mais. Então também fui prestigiá-los no Trapiche Gamboa, que
é uma das poucas casas aqui no Rio que trazem algo de qualidade. E pasmei
ao constatar que o samba ainda conseguiu ser melhor que o de Paquetá. E
dessa vez, ví outras coisas muito interessantes. Estavam presentes muita
gente da música. Tinha gente do Casuarina, do Semente, o pessoal do Choro
na Feira, Teresa Cristina, Pedro Paulo Malta, Miúcha, Jards Macalé e outra
vez, o Pedro Amorim, com a mesma roupa que estava usando em Paquetá e com
varas de pescar na mão, o que me faz pensar que ele veio direto de lá para
o Trapiche, só para mais uma vez, prestigiar o samba do pessoal. Isso é
muito curioso. Uma espécie de unanimidade estava pairando no ar. parece
que todos estavam surpresos com o que estavam vendo. Ví várias pessoas se
perguntando: "A quanto tempo não vemos nada parecido com isso aqui no
Rio?" Ví a Teresa Cristina cantando do lado de fora, como mera espectadora
em uma legítima roda de samba. Ví o
Pedro Paulo Malta, ficar calado diante daquilo. Ví gente de grupo muito
famoso aqui no Rio, nem se atrever a ficar perto da roda. Ví verso de
improviso, como nunca ví por aqui. Ví o Pedro Miranda se arriscar a mandar
um versinho e ficar perdido no meio do pessoal. Ví a Cristina Buarque
feliz numa roda, como nunca havia visto. Ví esse pessoal de São Paulo, com
uma humildade fora do comum, tratando todos com o maior respeito. Ví uma
das melhores rodas de samba da minha vida e estou angustiado porque não
sei quando eu poderei ver isso outra vez.
Não sei. Talvez isso seja o prenúncio de novos tempos para o samba.
Tomara!
Uma coisa eu preciso dizer: Duvido que qualquer carioca que presenciou
esse evento vá dizer que samba só existe no Rio de Janeiro. Eu já fui
porta voz desse discurso. Hoje não tenho mais coragem pra sustentar isso.
Lúcia, foi muito bacana o verso da Teresa tirando sarro do Flamengo, mas o
verso do Pedrinho Miranda deixou a desejar.
Renê
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