Eugenio Raggi wrote:

EU: Bem, eu não creio que os artistas mais consumidos entre os
"pobres" sejam produtos de mídia. Não creio que Taty Quebra Barraco ou
o MC Créu sejam fenômenos de mídia. Surgiram de produções
indepnendentes.

Sem promoção você não atinge as classes mais pobres. Adoniran, por exemplo, era popular até que a radio deixou de tocá-lo, coisa de que ele sempre se queixou amargamente.No fim da vida dela o público era básicamente universitario.



Acho que vocês não estão entendendo nada. essa conversa batida da
mídia opressora é um argumento frágil, uma farsa completa e
desmascarada pelos fatos.
Que fatos? Os fatos que eu conheço, por exemplo a comercialização da midia, dizem o contrario. Um bom exemplo é a historia de como radio foi entregue aos interesses privados depois de muita luta nos Estados Unidos, descrita por Robert MccChesney em vários livros muito ebm documentados. Depois esse modelo se expandiu pelo muyndo afora, especialemente na América Latina, você pode ver por exemplo os trabalhos de Gerson Moura sobre a penetração da mídia no Brasil depois da Segunda Guerra. Pode ser que você tenha mais dados que eu sobre isso, nesse caso por favor deixe-nos as referências pra gente poder conferir.


O povo está fazendo sua própria arte, de
forma independente. Qualidade é outra questão.

Quando o pocv fazia arte a qualidade era evidente. Tango e milonga na Argentina e Uruguay, landó e outros ritmos peruanos, samba e choro no Brasil, jazz e blues nos Estados Unidoso, calipso, son cubano, salve, plena, cumbia, bomba, merengues, rumba, calipso etc etc, pelo Caribe. Copla na Espanha, rembetica na Grecia, fado em Portugal. E muitas outras expressões. Tudo isso criado ao redor das duas primeiras décadas do século passado. Depois veio o tsunami comercializante com epicentro nos Estados Unidos, e a partir daí foi só bagulho. Os povos viraram todos loucos de uma hora pra outra?

JL: A Suecia tem uma população educada e com grande poder aquisitivo, e se
bem uma grande parte dela consome bagulho, também há uma fatía
importante que pode consumir e consome produtos de qualidade.

EU: Nada diferente do Brasil. Os artistas que você gosta também
possuem bom público. Não são multidões, mas são bons públicos.
É diferente no sentido que 10 milhões de habitantes consomem mais cultura que o Brasil con 20 vezes mais gente. Não sei agora, mas antes era mais fácil você assistir show de artista latinoamericano em Estocolmo que no Rio.

Por exemplo, falando de literatura. Ontem estava procurando traduções da escritora haitiana Edwidge Danticat, que escreve en inglês. Só existe uma tradução ao castelhano, um livro que trata de República Dominicana, mas esgotado e difícil de achar. Em português não existe nada, a menos que eu esteja mal informado. Em sueco ela já tem dois livros traduzidos, disponíveis em todas as bibliotecas do país, apesar de que a imensa maioria dos suecos conhece bem inglês e pode ler no original. Haiti tem muito mais a ver com o Brasil que com a Suécia, hitórica e culturalmente, e agora até políticamente já que o exército brasileiro lidera a ocupação militar do pais. Mas são os suecos os que têm acesso essa grande escritora.


JL:Música clássica lá é subvencionada, concertos, ópera, etc, são
baratos, qualquer um pode ir.

EU: Aqui também.
Tambén é barato? 50-100 reais é um preço comum. Com um salário mínimo de 400 reais isso representaria entre 12-25 % do salario de um cidadão. Na Suecia um cocncerto sai por uns 15 dólares, por exeplo a Filarmônica de Londres toca em Estocolmo em abril por precos que vão dos 15 aos 50 dólares. Mais barato que o preço da Filarmônica de São Paulo no Rio (50 reais acabo de ler). E com a diferença que lá ninguém ganha menos de 4-5 mil reais ao mes. Ou seja,o preço não chega a 1-2 % do salário. E se você quer ver a filarmônica local é kias barato ainda se comprar as entradas no começo da estação, você recebe um bom desconto. Ou seja, qualquer um pode assistir concertos quando quiser. O que não acontece no Brasil.



EU: Vi o tal Cornelis e tive pena do Chico. Sou mais os argentinos sambistas.
Porque você fala do que desconhece. O cara que conhece Brecht e Kurt Weil também poderia pensar o mesmo da Ópera de Malandro, se ele não entender que aquilo é uma adaptação pra um público brasileiro de um tema brechtiano e não uma tentativa de fazer teatro alemão dos anos 30 no Brasil. Cornelis não quis fazer samba, ele só se inspirou em sambas (como em muitas outras músicas, tango, blues, rock etc - não são vocês que gostam de antropofagia por aquí?) pra fazer um produto dirigido para um público sueco que fala do Brasil. De alta qualidade por sinal, ele é um grande letrista, estilo rabelaisiano, tão bom na língua dele quanto o Chico em português. A letra, por sinal, não é uma tradução da música do Chico, fala de uma coisa totalmente diferente.

JLV

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