Deu em O Globo Online de hoje (09.06.2009), 3ª feira.
 
 
 
"Adeus 
 
 
Sepultado em Maricá o corpo do trombonista Raul de Barros
 

 

Plantão | Publicada em 09/06/2009 às 19h21m
 

 

O Globo 
 

 

 

RIO - Morreu em Itaboraí nesta segunda-feira Raul de Barros, o mais brasileiro 
dos trombonistas, aos 93 anos, em consequência de enfisema pulmonar e 
insuficiência renal. Ele foi sepultado nesta terça-feira no Cemitério de 
Maricá. 

 

Raul de Barros não era apenas um dos mais populares músicos brasileiros. Era, 
principalmente, um dos mais brasileiros dos músicos populares - opinião 
defendida por nomes como Pixinguinha, Ary Barroso, Radamés Gnattali, Ary 
Barroso e maestro Carioca, em cujas orquestras havia tocado. 

 

Raul de Barros nasceu no Rio em 25 de novembro de 1915 e começou a aprender 
música aos 15 anos. Seu professor foi Ivo Coutinho. O instrumento, o sax-horn. 
Não muito tempo depois, descobriu o trombone de vara, passando a estudar com 
Eugênio Zanata. Desde o princípio, destacou-se pelo estilo próprio, trabalhado 
menos nos clubes e emissoras de rádio em que atuou (Tupi, Nacional, Globo) do 
que em seus empregos em dancings (Eldorado e Carioca) e gafieiras (várias, 
sempre como convidado). A essas experiências deveria uma de suas 
características mais marcantes: os contornos inesperados com que intercalava 
uma frase e outra das melodias de sambas e choros, sua especialidade. Muito por 
ele, isso ficou conhecido como "som de gafieira", que ele registrou em vários 
discos solos, na Odeon e na Copacabana. 

 

Gravou também como músico de orquestra e acompanhando cantores, em especial os 
sambistas de bossa como Roberto Silva. Foi arranjador aplicado e original, 
fazendo de sua orquestra (cinco saxes, três trompetes, dois trombones além do 
seu, piano, guitarra, baixo e bateria) uma big band capaz de rivalizar com a de 
Severino Araújo, embora menos conhecida. 

 

Sua obra mais conhecida é o choro "Na Glória", que virou marca registrada (as 
três primeira notas da frase melódica era usada por cantores para "dar o tom" 
do que iam cantar). Em 1966, participou do Festival de Arte Negra, em Dacar, 
com Ataulfo Alves, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Élton Medeiros. Com 
o tempo, saiu de cena. Casado com a cantora Gilda de Barros, pai de Raul de 
Barros Jr, construtor de instrumentos de percussão, Raul, enquanto teve saúde e 
fôlego, apresentou-se em bailes e shows, em clubes, no Copacabana Palace e na 
Rede Globo, da qual ganhou um trombone novo quando o seu foi destruído num 
acidente de carro. Viveu seus últimos anos em sua casa de Maricá, no Estado do 
Rio, já doente e afastado da música."

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