Sim concordo, o samba é fonte de modernidade e renovacao. Mas muitas destas vertentes, nascem, crescem, e desaparecem. Algumas sao tao confusas,que sequer garantem uma identidade.Morrem na casca.
Sao aqueles ditos movimentos, vao caminhando, caminhando,subindo subindo, em fila, ate chegar no precipcio, quando o que esta na frente cai, o que vem a seguir toma o seu lugar. Mas o que acontece com o velho samba, fica la soh na dele , enraizado, tranquilo, Soh observando os movimentos passarem e colherem seus frutos proibidos. flw Fabio Padilha(gangaz) 2009/7/28 Leonardo Galvão <[email protected]> > > > Caros tribuneiros, > > > > recebi esse email de um colega e gostaria de compartilhar com vcs. > > > > > > Será que há mesmo essa renovação no samba? > > > > Abraços > > Leonardo Natal RN > > > > PS.: não sei quem é o autor, caso alguém saiba... > > > > > Samba: a perpétua renovação > > > > > O samba não se renova. Quantas vezes não ouvimos esta frase, proferida em > botecos e salas acadêmicas, geralmente por supostos arautos da modernidade? > > Os argumentos podem ser frouxos ou fundamentados, variando conforme a > circunstância e o interlocutor. Mas uma avaliação correta desta afirmação só > pode ser feita após refletirmos sobre a permanência dos gêneros musicais > predominantes no século XX nos dias de hoje. E isso não se refere só ao > Brasil, certamente. > > Desde os anos 1950, com o crescimento exponencial dos meios de comunicação, > principalmente a televisão, a permeabilidade entre culturas distintas foi > fortemente ampliada. O impacto destas transformações, no campo musical, se > deu em escala mundial. O rock influenciou o reggae, o blues se misturou com > o folk inglês, a canção de protesto se tornou poliglota, e o jazz se cruzou > com o samba, gerando a bossa nova. Foi a primeira grande renovação > estrutural do samba, desde que este se afastou do maxixe, passou pelas > escolas e orquestras, se dividiu em sub-gêneros, como samba-enredo, > samba-canção, samba-de-roda, pagode, etc. > > Surge aí a primeira dificuldade. Qual samba não se modernizou? O samba não > é um só. Dizer que o samba-canção não evoluiu é uma coisa (discutível, se > levarmos em conta a amplitude temática, o alargamento do horizonte poético, > a incorporação timbrística de novos instrumentos). Afirmar que o > samba-enredo não se modernizou é coisa bem diferente. Evoluiu tecnica e > formalmente (sem entrar em juízos de valor). Ninguém confunde um > samba-enredo atual com um dos anos 60. > > É certo que algumas correntes mantêm fidelidade às origens, enquanto outras > desapareceram. Existem sambas de diferente sotaque em regiões diferentes do > país. As primeiras gravações dos caipiras paulistas, como Raul Torres, João > Pacífico, Capitão Furtado, Alvarenga e Ranchinho, revelaram um tipo de samba > sacudido e bem humorado, puxado pela viola. Esta ramificação do samba parece > extinta, mas os sambas nordestinos da mesma época, puxados pelas emboladas > de Manezinho Araújo, vingaram na voz de Jackson do Pandeiro na forma de > rojão, e influenciam até hoje muita gente boa, sendo reinventado nos anos 70 > pelos Novos Baianos, nos 80 pelo pessoal do Mangue Beat e no século XXI > pelos grupos nordestinos contemporâneos, que produzem um samba estilizado > com forte acento percussivo e eletrificado. > > Claro que Jorge Ben, antes de virar Benjor, já havia indicado este caminho, > lá nos anos 60. Um samba “esquema novo”, que flertava com o soul e o funk, e > que abriu uma trilha própria na música brasileira, com vários seguidores. > Num estilo que se convencionou chamar de sambalanço, e posteriormente, > samba-rock, uma série de artistas arriscou um gingado. Grupos vocais como os > Incríveis, Mutantes e Fevers, intérpretes como Simonal, Luiz Vagner, Bebeto > e Tim Maia, arranjadores como Erlon Chaves, José Briamonte e Amilton Godoy > (Zimbo Trio). No exterior, com diferentes pegadas, Baden Powell, Moacyr > Santos e Sérgio Mendes lapidaram ainda mais a cara do samba, revelando novos > brilhos. > > Os grandes festivais de música dos anos 60 e 70 foram férteis em > experimentações vinculadas ao samba. A influência da imagem televisiva sobre > o gênero foi marcante, determinando o caráter cênico de algumas > apresentações. Só Quero Mocotó, de Erlon Chaves, ou a performance de Maria > Alcina (Fio Maravilha) foram marcos na história musical do Maracanãzinho. A > televisão colorida, a partir dos anos 70, vai influir de forma contundente > os desfiles de escolas de samba, causando alterações essenciais na estrutura > dos sambas-enredo. > > Longe das quadras, autores do porte de um Paulinho da Viola também cruzaram > limites. Cantar um samba acompanhado de caixa de fósforos e cravo em 1971 > (Para Ver as Meninas) pode ser visto como um ato de ousadia frente à > tradição. Em outras obras do período Paulinho utiliza tensões harmônicas > incomuns, distendendo os nervos da tradição. Tom Zé, muito antes de bulir > nas ancas da velha senhora, já fazia da parceria com Elton Medeiros – pilar > do samba tradicional – um trampolim para criativas evoluções no disco > Estudando o Samba, de 1975. Nesta década, as rádios mandavam ver os sucessos > de Marcos Valle e Ivan Lins, calcados na batida primordial do samba, mas > buscando nos teclados uma sonoridade mais pop. E mesmo um cultor do samba > clássico, como Chico Buarque, contribuiu pontualmente com pinceladas que > elevaram o patamar de qualidade para os aspirantes ao título de sambista. > > É também nos anos 70 que surge uma grande dupla de renovadores: João Bosco > e Aldir Blanc. O violão do mineiro Bosco explorava com maestria todas as > modalidades conhecidas de samba, apoiados nas ardilosas crônicas em verso do > carioca Aldir. Posteriormente, Bosco se aprofunda na matriz afro-rítmica, > criando complexas texturas onde a voz também soa como instrumento > percussivo. Pouco depois, com influência bem mais restrita, os paulistas do > grupo Rumo investigaram as possibilidades do samba, principalmente através > de Luiz Tatit. Na dita vanguarda paulistana, o eclético Itamar Assumpção se > destacou como fino criador de neo-sambas, ainda não totalmente assimilados. > > O alagoano Djavan também surgiu nos festivais. Sua reinvenção do samba é > notável, nos primeiros discos, tendo conquistado inúmeros seguidores (e > diluidores). Quase-sambistas, como Luiz Melodia, fizeram a ponte entre o > morro do Estácio e os tropicalistas, que revisitavam o samba de forma > periódica, introduzindo pequenas alterações na sintaxe. Principalmente > Gilberto Gil, que grava em 1978 uma curiosa Antologia do Samba Choro, > dividindo faixas com o paulista Germano Mathias. Da Bahia também, refinado > cultor e reinventor da chula e do samba do Recôncavo, Roberto Mendes é um > grande criador, violonista exímio e inventivo. Em alguns momentos evidencia > a ligação musical Cuba-Brasil, que até um defensor do samba tradicional como > Nei Lopes reconhece e alardeia, abrindo a porta para as sonoridades > caribenhas. > > As mulheres exercem papel fundamental na definição de novas formas de > samba. Joyce, que começou na praia da bossa nova, delineia um jeito feminino > de fazer samba, e marcou posição como compositora. Grandes intérpretes, como > Elza Soares e Elis Regina, expandiram os limites expressivos e criaram um > jeito moderno de cantar, diferente das rodas de samba. Outras cantoras, como > Leny Andrade, tiveram referências jazzísticas, e se tornaram o lado vocal da > turma braba que incendiava as boates cariocas nos anos 60: Tamba Trio, Luiz > Carlos Vinhas, Edson Machado, Meirelles e Copa 5, Dom Um Romão, João Donato, > Eumir Deodato e mais um punhado de craques. Estes instrumentistas > representam, para o samba, o que o bebop representa para o jazz tradicional: > invenção acelerada e enérgica, distanciando-se do formato canção. > > E toda essa invenção permanece viva, nas novas gerações? Não do mesmo > jeito, é claro, mas o leque continua aberto. As correntes tradicionais do > samba, depois de um certo refluxo, se acomodaram aos novos nichos da > indústria fonográfica, e mantêm produção constante. A grande novidade dos > anos 80 foi o estabelecimento do pagode como fórmula comercial bem sucedida, > calcado em nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Sombrinha > e Arlindo Cruz, egressos do grupo Fundo de Quintal. Não se trata > propriamente de invenção, mas nova encadernação de uma modalidade de samba. > > A invenção está, como na década de 60, nas mãos de gente que absorve outras > linguagens musicais, promovendo misturas e decantações de diferentes > matrizes. A aproximação com rap e do hip hop evidencia o trabalho do carioca > Marcelo D2 e o paulista Rappin’ Hood. Os pernambucanos continuam > provocativos, seja na continuação no discurso alucinado de homem-caranguejo, > com o Mundo Livre S/A, seja na dicção macia de um Junio Barreto. Filhos de > sambistas famosos, Jairzinho Oliveira, Max de Castro e Simoninha arriscam > misturas com a tecno-modernidade, nem sempre bem digeridos. Enquanto em São > Paulo a herança de Benjor é trabalhada por Paulo Padilha, Mattoli e o Clube > do Balanço, no Rio grupos como Pedro Luis e a Parede se esforçam pra > bagunçar as fronteiras do ritmo. E surgem novas (porta)vozes femininas, com > um pé no samba, como a quase-carioca Roberta Sá e a maranhense Rita Ribeiro, > e outro no mundo, como Fernanda Porto e seu tecno-samba, e Bebel Gilberto, > com sua bossa-lounge, todas atentas às sutilezas do estilo. > > Enfim, experimentações em torno do samba continuam rolando. Quem afirma que > “o samba não se renova” apenas repete um chavão desatualizado. Para o bem e > para o mal, as mutações (naturais ou transgênicas) continuam em movimento. > Muito do que se convencionou chamar de MPB é, na verdade, variação, > adaptação e tradução do caudaloso samba. Um roqueiro empedernido pode fazer > coro com um sambista da velha guarda e dizer que tudo isso é firula e não > leva a nada. É natural. Em qualquer época da história da música, as > inovações foram vistas primeiro com desconfiança. E, convenhamos, um velho > roqueiro e um velho sambista são muito parecidos em uma coisa: no > conservadorismo estético. > > Tem gente boa que continua gostando do samba “tradicional”, cantados nas > rodas, quadras e botecos. Assim com outros preferem o Traditional Jazz de > Nova Orleans, as óperas de Verdi, Rossini e Donizetti ou o rock dos anos 70. > O bom de vivermos no século XXI é podermos espalhar nossas preferências não > apenas geograficamente, mas também no tempo. Só não podemos negar a > evidência de que todos estes gêneros estão em perpétua renovação. > > > > "Antes de imprimir esse e-mail verifique a sua real necessidade. > Pense no MEIO AMBIENTE!" > > > > Com o Windows Live, você pode organizar, editar e compartilhar suas fotos. > _________________________________________________________________ > Novo Internet Explorer 8. 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