Caio:

Obrigada por nos brindar com esta linda crônica .... não tenho dúvidas de que 
tudo floresce com muito mais viço e força se alimentado pela música, em 
especial pelo choro e pelo samba. 

Acho que sou uma das poucas especimes humanas que não bebe numa roda de samba e 
de choro, aguento a noite toda e chego em casa, com tanta energia que sou capaz 
de me sentar no computador e trabalhar horas a fio ... isto sempre me chamou 
atenção: a energia que emana das boas rodas musicais e que é capaz de me 
alimentar ... 

Triste daquele que não percebe a força que um lindo choro e um bom samba tem 
sobre os seres vivos ... diferente dos ritmos que apelam para as batidas 
sistemáticas, iguais do pum pum pum pum e que empobrecem a nossa alma. 

Veja o que acontece com os jovens que crescem em ambientes onde o samba, o 
choro, o maxixe, a polca (e até a musica classica) etc predominam e os jovens 
que crescem escutando funk ... a sensibilidade, a criatividade, a forma de 
olhar o mundo se tornam diferenciadas .... 

A educação musical deveria voltar ao curriculo das escolas publicas .... com 
certeza, só faria bem para estas crianças.

bjs

  ----- Original Message ----- 
  From: Caio Tiburcio 
  To: [email protected] 
  Sent: Monday, November 02, 2009 9:25 AM
  Subject: [S-C] CorreioBraziliense/CrônicaDaCidade: As plantas e o chorinho


  Tribuneiros,

  A "Crônica da Cidade", da edição do jornal Correio Braziliense de hoje, 
assinada pelo competente Severino Francisco, abaixo transcrita, foi 
oportunamente denominada "As plantas e o chorinho".

  A Crônica fala da bela flautista  Odete Ernest Dias, da participação dela em  
rodas que antecederam o Clube de Choro de Brasília; e da íntima relação do 
chorinho com as plantas, com os passarinhos, com a vida ...  

  Caio Tiburcio



  Brasília, segunda-feira, 02 de novembro de 2009 





  Crônica da Cidade

    

  As plantas e o chorinho

  Por Severino Francisco
  [email protected] 

  Tudo fica mais elegante, delicado, livre e leve quando a flautista Odete 
Ernest Dias sopra a sua flauta. Ela tem alma de chorinho. Odete é uma francesa 
muito brasileira, nascida nas ilhas Maurícias, filha de pai indiano, amiga de 
Villa-Lobos, de Pixinguinha e de Tom Jobim. Essa dama elegante da música 
brasileira formou várias gerações de instrumentistas em Brasília e teve 
participação decisiva na criação do Clube do Choro, um dos endereços da boa 
música na cidade. E, na verdade, Odete tem uma orquestra sinfônica em casa: os 
filhos Beth, Deda (flautistas) e Jaime (violinistas) tocam em shows e gravam 
com os melhores músicos brasileiros. 

  Quando Odete chegou a Brasília em 1974 já existia um núcleo forte do chorinho 
na cidade, comandado por Waldir Azevedo, Avena de Castro, Pernambuco do 
Pandeiro e Bide da Flauta. Era um respeitável time de craques da música 
instrumental brasileira que faria bonito em qualquer palco do mundo. Waldir 
parecia um Mané Garrincha do bandolim, buliçoso, veloz, manhoso e arisco, 
driblando tudo o que passasse pela frente. 

  Pois bem, em 1974, Odete se encontrou com o clarinetista Celso Cruz, que a 
convidou para participar das rodas de choro na casa do jornalista Raimundo 
Brito. Odete compareceu, mas, logo em seguida, Raimundo morreu e ela convidou 
todo mundo para fazer a roda de choro no amplo apartamento em que morava na 311 
Sul. Aí apareceram por lá Waldir Azevedo, Avena de Castro, Pernambuco do 
Pandeiro, Valério, Alencar Sete Cordas, entre outros. Já imaginou esse time 
tocando em sua casa? 

  Todo sábado o apartamento virava uma festa muito animada. Logo, alguém 
providenciou a cerveja e a feijoada. A festa cresceu tanto que vinha gente de 
outros estados para apreciar. Mas chegou um instante em que o apartamento de 
Odete ficou pequeno para tanta animação. Havia gente tocando na sala, na 
cozinha, nos quartos e no banheiro. E, neste ponto, Odete e seu marido Geraldo 
se mobilizaram, chegaram até o então governador Elmo Serejo e conseguiram uma 
sede para o Clube do Choro. 

  Contudo, um detalhe nada desprezível é o da participação das plantas na 
história do choro em Brasília. Odete cultivava avencas e jiboias em vasos no 
seu apartamento. A audição contínua daqueles bambas do choro fez com que as 
plantas vicejassem com um esplendor extraordinário. As jiboias subiram até o 
teto, chegando inclusive a atrair um pássaro preto, que morou no apartamento 
durante certo tempo. As plantas revelaram um ouvido musical apuradíssimo, pois 
quando cessaram as rodas de choro, elas feneceram. 

  Atualmente, Odete mora no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Tereza. Sempre 
que ela sopra sua flauta aparece um beija-flor adejando pelo apartamento. Com 
certeza, Odete se lembra dos sabadões musicais na 311 Sul, pois os voos 
caprichosos, ziguezagueantes, velozes e leves do beija-flor se parecem com os 
chorinhos de Waldir Azevedo.

  http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/colunas/col_cro.htm






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