Gangaz,

Embora a sua observação sobre o "objetivo daquela roda de choro" deva ser real, não sei se nas rodas de choro isso seja tão incomum assim.
Por exemplo, a acreditar no que dizem livros e depoimentos de alguns, nas  rodas de choro na casa do Jacob do Bandolim era proibido beber, fumar (entre outras coisas que nem me lembro agora), e havia um intervalo onde eram servidos apenas os quitutes elaborados pela esposa do mesmo. Acho que isso, inclusive, já foi narrado aqui na lista há uns anos atrás.

E mais: não sei bem em que ano (1996 ou 1997?) estive no Clube do Choro de Fortaleza/CE,  um local  nos fundos de uma casa no centro da cidade onde diversos chorões se reuniam regularmente uma vez por semana.. Engraçado é que alguns amigos daquela cidade que gostavam do gênero não conheciam tal clube. Se não me falha a memória, tomei conhecimento dele também através desta lista. Havia um pequeno palco, umas quarenta cadeiras e diversas fotos e textos do Jacob. Pelo que fui informado, o clube existia desde os anos cinquenta e havia sido fundado por um chorão local que era amigo do mestre do bandolim.  Na época, o clube era mantido pelo filho desse chorão, então falecido. Achei muito interessante toda a história do clube, o carinho e o sentido de preservação que tratavam esse nosso gênero musical tão importante. Mas no local, durante as apresentações, não era permitido conversas, bebidas e fumo. E havia um intervalo onde era servido um cafezinho. Não sei a quantas anda esse espaço pois não voltei mais a Fortaleza e talvez alguém aqui da lista possa dar outras informações (ou mesmo me corrigir, pois só estive lá no clube uma vez).

Nos dois casos, uma primeira explicação talvez apressada é o local (residências particulares) onde eram realizadas tais rodas de choro. Mas não creio que seja só isso. Rodas de choro tem particularidades. É diferente de roda de samba. E, sem entrar em maiores discussões lembremos da história: o choro na sala e o samba no quintal. E, nesse contexto de então, quem eram os musicos e participantes das duas rodas.

Particularmente também não gosto desse clima, seja para o choro e muito menos para o samba, embora, para ouvir Jacob e sua turma, Pixinguinha e tantos outros, eu deixaria até de comer os quitutes uma noite inteira. Mas que isso não sirva de uma crítica ao Samba da Vela que, pelo que sei, tem lá suas razões para promoverem aquelas rodas em tal clima. E pelo que já ouvi, a qualidade da musica é muito boa.

No samba, então, minha exigência de tais liberalidades costuma ser bem maior. Inclusive, muitas vezes não gostei de shows de sambistas que considero do primeiro time. No samba, considero essa relação palco x platéia um tanto complicada e dai... A interação da roda é outra coisa. E prá tal, sem conversas, brincadeiras, a participação, a cachaça e a cerveja, entre outras coisas mais, fica muito difícil.

Abraços,
Sérgio Moraleida










Phadha Phada escreveu:
Mas ao meu ver, o objetivo daquela roda de choro do filme brasileirinho, nao era retratar uma roda autentica.
Foi uma montagem em formato de clipizinho para ser inserido no meio do filme.
 
Mas agora se eh pra rotular o^"espirito da roda de samba"  vamos colocar os pingos nos "is",  apesar da falta de cerveja, pinga e gargalhada na VELA...
Ela tem muito mais cara de samba, do que certos grupinhos burocraticos casuarianos  de "malandrios" universitarios que pipocam na cidade maravilhosa.
O rapaziadinha que deveria se trancar no AP, se afundar no  Black Label, e sussurrar aquela  meia duzia de cancoes do repertorio bossanovista.
 
att
Fabio Padilha(gangaz)

 
Em 25 de fevereiro de 2010 17:55, Carolina <carolina.ga@gmail.com> escreveu:
A roda de samba do filme Brasileirinho sobre o choro me fez lembrar muito essa roda do samba da vela.
O olhar estrangeiro sobre o filme possibilitou algumas cenas curiosas, como as gravações de rodas de choro espalhadas pelas ruas da cidade. A roda registrada em frente ao Real Gabinete Português de Leitura, situado próximo a Praça Tiradentes acontece no meio da rua, com músicos tocando e casais de figurantes dançando alegremente a sua volta. Não é algo incomum na cidade do Rio de Janeiro, encontrar rodas de choro que aconteçam na rua em plena praça pública, (por exemplo, a roda de choro da Praça São Salvador) mas a roda cinematográfica não conseguiu passar veracidade. Basta conhecer minimamente uma roda de choro ou samba para compreender que embora tudo ocorra “ordenadamente”, a roda possui uma dinâmica própria que por vezes beira a confusão: músicos tocando, povo ao redor dançando e conversando, tilintares de talheres e copos, bem distantes da roda registrada no filme.
O samba da vela me pareceu a roda do filme. Ordenada demais! Falta cerveja, caldinho de feijão, cabrocha sambando...Não me crucifiquem!!! Nunca fui e acho a iniciativa muito legal. Conheci o pessoal do samba aqui no Rio na quadra da Portela no clima... feijoada da Velha Guarda, na época que a feijoada era da Velha Guarda... quem já foi sabe como é. Povo sambando, cerveja rolando, Surica gritando... kkkkk
 
Abraços Carol.
 

Em 25/02/10, haroldo ( Banda da Barra ) <[email protected]> escreveu:
Deve ser meio enfadonha essa passividade obrigatoria,afinal,trata-se de uma roda de samba.Acho que quem frequenta deve fazer muito sacrificio para ficar quetinho ouvindo samba que,garantem, ser bom.Essa rigidez nada tem a ver com a descontracao do nosso ritmo.Como tudo muda,quem sabe,com o tempo,os organizadores venham  modificar o andamento dos trabalhos,permitindo uma biritinha,umas palminhas,um corinho e uma dancadinha.Tudo inho,mas que pode deixar a gente com vontade de ir la.Haroldo

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