Excelente texto, e gostaria de fazer uma pequena ilustração. São vários os 
sites 
de musica em que o ritmo Samba não aparece num menu que tem até musica 
evangelica. Tem pagode, Samba Rock ( sacangem com o Samba e com o Rock), musica 
latina e alternativo. Uma vez tentei incluir a Radio do Alambique num site de 
Web Radios e não tinha a opção Samba. Não fiz o registro. Isto tem nome: 
Descaso. Tem um guia internacional de Web Radios a International Guide Radios 
da 
Alemanha onde estamos inseridos e reconhecidos e lá sim tem a opção Samba.

Abraços 

Ary




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De: Leonardo Galvão <[email protected]>
Para: Tribuna Samba-Choro <[email protected]>
Enviadas: Segunda-feira, 19 de Julho de 2010 19:01:17
Assunto: [S-C] O SAMBA AGONIZA OU NUNCA AGONIZOU?


Caros Tribuneiros,

ótimo texto de Nei Lopes, sei que o assunto já deve ter sido debatido sobre o 
samba agonizar ou não, mas a reflexão merece a leitura.

Abraços

Leonardo - Natal



COMPUTADOR DA USP, BÊBADO-EQUILIBRISTA, DELETA O SAMBA. 
(Nei Lopes & Samba – O Estado de S.Paulo – sábado, 5 de junho de 2010) 



Volta e meia aparece alguém decretando a morte do samba, ou achando que ele é 
alguma coisa difusa e antiga que existiu musicalmente em tempos idos. Isso já 
motivou letras e letras, tentando mostrar o contrário. Em uma delas, por 
exemplo, Nelson Sargento diz que o nosso gênero-mãe “agoniza, mas não morre”, 
numa afirmação da qual pedimos licença para discordar, pois o samba, desde o 
Pelo Telefone, nunca esteve agonizante. Muito pelo contrário! 

Semana passada, mesmo, estivemos lá no Espaço Anhanguera, na Barra Funda, no 
terceiro aniversário da roda de samba dos Inimigos do Batente, turma que lê 
Bourdieu e sabe que nas trocas simbólicas do samba tem muito mais negociação do 
que conflito. Pois a festa “botou pelo ladrão”, com pelo menos mil pessoas 
cantando e dançando até quase de manhã ao som do batuque ancestral. 

Fora dali, outras provas eloquentes da vitalidade e da diversidade do nosso 
ritmo poderiam ser claramente vistas ou ouvidas, por exemplo: na 
contemporaneidade do Clube do Balanço, com seu samba-rock; no Quinteto em 
Branco 
e Preto, que trafega entre a modernidade elegante e a tradição engajada, nos 
palcos e no disco, já há quase 15 anos; no trabalho espiritualizado e reverente 
da cantora Fabiana Cozza – e isso, falando só da Pauliceia. 

Pois é. Desde 1917. E, assim, historiando, lembremos de Tempos Idos, obra na 
qual o grande Cartola se orgulhava de o samba ter saído do morro e chegado aos 
salões, indo exibir-se “pra Duquesa de Kent no Itamarati”, como de fato 
aconteceu nos anos 50. Essa trajetória, anotada pelo genial compositor, 
simbolizaria a ascensão social do gênero e da cultura que o gerou. Coroada em 
2001 com a outorga da Ordem do Mérito Cultural a quatro das escolas de samba 
cariocas pelo Ministério da Cultura, em solenidade palaciana de Brasília, essa 
ascensão culminaria logo depois com o tombamento do samba como patrimônio 
imaterial da humanidade. 

Medalhas e brasões todos sabemos quanto custam. Da mesma forma que sabemos que 
o 
tombamento de um bem cultural tanto pode protegê-lo contra dilapidações quanto 
propiciar o engessamento de possibilidades desse bem, seja ele tangível ou 
imaterial. Além disso, a cultura brasileira, quando fala de samba, está quase 
sempre se referindo às escolas, numa generalização ingênua. 

Sabemos que é difícil, para quem não é do ramo, perceber a diferença que hoje 
existe entre samba e escola de samba, e o grande fosso que se cavou entre essas 
duas instituições. As escolas nasceram bem depois do samba, com a intenção de 
desestigmatizá-lo e legitimar sua aceitação pela sociedade dominante. Mas elas 
hoje, embora deslumbrantes, cada vez mais se distanciam do universo que as 
criou. 

Se o leitor ainda não compreendeu a diferença, compare, por exemplo, certos 
aguerridos conjuntos de “velhas guardas” com as agremiações que lhes emprestam 
os nomes. E, de quebra, evoque um grande sambista, principalmente falecido, e 
veja se seu nome é sequer lembrado nas “quadras” de hoje, cheias de gente 
“famosa”. 

E é em meio a essa reflexão que nos chega a notícia de que um programa de 
computador desenvolvido por pesquisadores da USP e da Universidade de São 
Carlos, visando a acabar com as “atuais, e subjetivas, definições de gêneros 
musicais”, está promovendo uma reclassificação. Por meio de espécies de 
partituras digitais, tomando como base a percussão e abolindo as categorias 
tradicionais, estabeleceram-se padrões que serviram para reclassificar 400 
músicas, geralmente agrupadas nas categorias rock, reggae, bossa nova e blues. 
E, aí, a máquina, reconheceu como “100% bossa nova” o grande samba O Bêbado e o 
Equilibrista, de João Bosco & Aldir Blanc, conforme matéria publicada pelo 
jornal O Globo. 

Confundir samba-enredo com bossa nova não é culpa da máquina, claro, e sim de 
quem, ao alimentá-la, não teve a sensibilidade de entender que o gênero é o 
samba, e que a bossa nova é apenas um belo estilo interpretativo nascido dele 
ou, quando muito, um subgênero. 

Nesta, Candeia, que sabe das coisas, já deve ter pensado lá do outro lado: “Meu 
Deus! O samba apanhou da polícia, foi garfado pelas múltis, e agora é deletado 
pelo computador…”


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