Em 4 de agosto de 2010 11:05, Tuninho_Cabral <[email protected]>escreveu:

> *Obr. pelo link.
>
> Parabéns, ROGÉRIO MARTINS (blog** Marginal 
> conservador<http://marginalconservador.blogspot.com/>
> *
> *
>
> http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html
>
>
>
> *
> Em 3 de agosto de 2010 23:56, estevao <[email protected]> escreveu:
>
>>  Que bela história, cada um vai fazendo a trilha sonora de sua vida.
>> Obrigado pelo link !
>>
>>
>> Estêvão
>>
>>
>>  ------------------------------
>> *De:* [email protected] [mailto:
>> [email protected]] *Em nome de *Mauricio Martins
>> *Enviada em:* terça-feira, 3 de agosto de 2010 16:12
>> *Para:* Tribuna samba e choro; Rogério Martins
>> *Assunto:* [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura
>>
>>
>>
>> Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura postado no blog Marginal
>> Conservador,
>>
>> Abraços, Maurício Martins
>>
>>
>>
>> *por Rogério Martins*
>> Essa música me lembra uma história: *Doce de coco*, ou Uma homenagem a
>> Paulo 
>> Moura<http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html>
>>  Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou
>> menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro,
>> Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o
>> antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por
>> um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes,
>> sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava
>> por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz
>> Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre
>> que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar
>> perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro -
>> um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele
>> instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais
>> tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos
>> mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.
>>
>> Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava
>> elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para
>> ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto
>> período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.
>>
>>
>> Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu
>> pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu
>> bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo
>> depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma
>> diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local
>> escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira
>> Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num
>> baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do
>> naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.
>>
>> Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo
>> Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas
>> de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir
>> meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o
>> fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande
>> sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação
>> resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois
>> entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela
>> gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de
>> coco", um choro simplesmente lindo.
>>
>> Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas
>> resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77
>> anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele
>> homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus
>> tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não
>> sorriu, dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou
>> clarineta de Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem
>> enlevados um *fox-trot *tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente
>> e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música
>> instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras?
>> Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em
>> quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas?
>>
>> No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para
>> manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e
>> clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos.
>> Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino
>> que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em
>> nosso bairro era realmente genial.
>>
>> Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como
>> sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de
>> tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de
>> uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer,
>> Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São
>> Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a
>> clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco".
>>
>> Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e
>> a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca
>> mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a
>> lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de
>> passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre.
>>
>> Adeus, Paulo Moura.
>>
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