Algum tribuneiro já ouviu o samba que o Erasmo Carlos fez para homenagear o grande Robertão?
Em 4 de agosto de 2010 11:09, <[email protected]> escreveu: > Send Tribuna mailing list submissions to > [email protected] > > To subscribe or unsubscribe via the World Wide Web, visit > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > or, via email, send a message with subject or body 'help' to > [email protected] > > You can reach the person managing the list at > [email protected] > > When replying, please edit your Subject line so it is more specific > than "Re: Contents of Tribuna digest..." > > > Tópicos de Hoje: > > 1. Uma homenagem a Paulo Moura: > essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce (Tuninho_Cabral) > 2. Re: Uma homenagem a Paulo Moura (Marcelo Neder) > > > ---------------------------------------------------------------------- > > Message: 1 > Date: Wed, 4 Aug 2010 11:05:54 -0300 > From: Tuninho_Cabral <[email protected]> > Subject: [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura: > essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce > To: estevao <[email protected]> > Cc: Tribuna samba e choro <[email protected]> > Message-ID: > > <[email protected]<aanlktikf4diqdtbuvvlyxirac4yyw4%2bwvnrvm4u%[email protected]> > > > Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1" > > *Obr. pelo link. > > Parabéns, Paulo Roberto Pires (blog** Marginal > conservador<http://marginalconservador.blogspot.com/> > * > * > > http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html > > > > * > Em 3 de agosto de 2010 23:56, estevao <[email protected]> escreveu: > > > Que bela história, cada um vai fazendo a trilha sonora de sua vida. > > Obrigado pelo link ! > > > > > > Estêvão > > > > > > ------------------------------ > > *De:* [email protected] [mailto: > > [email protected]] *Em nome de *Mauricio Martins > > *Enviada em:* terça-feira, 3 de agosto de 2010 16:12 > > *Para:* Tribuna samba e choro; Rogério Martins > > *Assunto:* [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura > > > > > > > > Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura postado no blog Marginal > > Conservador, > > > > Abraços, Maurício Martins > > > > > > > > *por Rogério Martins* > > Essa música me lembra uma história: *Doce de coco*, ou Uma homenagem a > > Paulo Moura< > http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html > > > > Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou > > menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, > > Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o > > antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, > por > > um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, > > sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho > passava > > por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz > > Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu > sempre > > que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar > > perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de > sopro - > > um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele > > instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais > > tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os > bolsos > > mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro > Municipal. > > > > Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava > > elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para > > ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto > > período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos > 1980. > > > > > > Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu > > pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu > > bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum > tempo > > depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma > > diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O > local > > escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira > > Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara > num > > baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do > > naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado. > > > > Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo > > Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de > músicas > > de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir > > meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o > > fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande > > sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação > > resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente > depois > > entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela > > gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de > > coco", um choro simplesmente lindo. > > > > Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas > resolvi > > contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, > na > > clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem > > que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus > tempos > > de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, > > dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de > > Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados > um > > *fox-trot *tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o > > perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música > > instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? > > Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em > > quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas? > > > > No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para > manga", > > o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e > > clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e > americanos. > > Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele > menino > > que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara > em > > nosso bairro era realmente genial. > > > > Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como > > sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara > de > > tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era > de > > uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, > > Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São > > Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou > a > > clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco". > > > > Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho > e > > a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que > nunca > > mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a > > lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de > > passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre. > > > > Adeus, Paulo Moura. > > > > Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. > > Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br > > Versão: 9.0.851 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/3044 - Data de > > Lançamento: 08/01/10 15:40:00 > > > > > > _______________________________________________ > > Tribuna mailing list > > [email protected] > > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > > > > > > -- > Que DEUS lhe abençoe. > --------------------------------- > Tuninho Cabral > (21) 3301-3716 > (21) 9156-6576 > ---------------------- > **************************** > ADOTE ESTA CAMPANHA > 1. Ao repassar uma msg, apague os endereços do remetente e dos amigos antes > de reenviar. > 2. Encaminhe como cópia oculta (Cco ou Bcc) aos destinatários. > 3. 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Mas foi mais ou > menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, > Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o > antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por > um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, > sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava > por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz > Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre > que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar > perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - > um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele > instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais > tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos > mais > afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal. > > Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava > elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para > ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto > período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980. > > Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu > pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu > bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo > depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma > diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local > escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira > Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num > baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do > naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado. > > Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo > Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas > de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir > meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o > fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande > sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação > resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois > entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela > gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de > coco", um choro simplesmente lindo. > > Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi > contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na > clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem > que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus tempos > de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, > dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de > Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um > fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o > perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música > instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? > Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em > quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas? > > No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", > o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e > clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos. > Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino > que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em > nosso bairro era realmente genial. > > Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como > sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de > tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de > uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, > Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São > Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a > clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco". > > Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e > a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca > mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a > lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de > passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre. > > Adeus, Paulo Moura. > > > > -----Anexo incorporado----- > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > > > > -------------- Próxima Parte ---------- > Anexo em HTML limpo e removido > > ------------------------------ > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > > Fim da Digest Tribuna, volume 12, assunto 5 > ******************************************* > -- Fel Mendes +55 11 2232-4155 +55 11 9520-7707
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