Sonia, a classe média assimilou o samba como sua cultura a partir de 1932 com a chegada do Getúlio Vargas ao poder. E o Noel Rosa, que era da classe média, deixou claro ao Wilson Batista que o samba tinha chegado a um novo público, que não aceitava mais aquela temática da malandragem tão usual nos sambas da turma do Estácio e que o Wilson retratou em "Lenço no Pescoço". Noel respondeu que malandro é palavra derrotista que só serve para tirar todo o valor do sambista, por isso o Noel propunha AO POVO CIVILIZADO não chamar o Wilson de malandro, mas sim de "rapaz folgado". E o Eugênio vem repetir, 70 anos depois, o mesmo preconceito..rsrsrs...Chupa Eugênio !!!!!!!!!!!!
bjs.
Eduardo Martins

----- Original Message ----- From: Sonia Palhares Marinho


Eugênio:
Era exatamente assim que o samba era visto naquela época - final dos anos 70 -, a coisa começou a mudar um pouquinho depois que a classe média assumiu o samba também como sua cultura e isso começou em meados dos anos 80 e se intensificou na década de 90, embora o preconceito ainda continue.
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)



Date: Mon, 13 Sep 2010 10:48:06 -0300
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To: [email protected]
CC: [email protected]; [email protected]
Subject: Re: [S-C] Assistam este video

Sem querer polemizar, mas...


O video, em si, é histórico. Página belíssima da nossa cultura popular.

O formato, em si, é um pote de preconceitos.

Mostrar no Fantástico dos anos 70 (talvez a revista semanal mais assistida pelo público formador de opinião na época) uma roda de sambistas, com referências ao samba como um gênero de botequim, repercutido entre uma avalanche de garrafas, o close no sorriso desdentado de um sambista, o exagero nas caraterizações da malandragem (terno branco, chapéu, sapatos) tudo isso é um referencial do pitoresco, do bizarro.

No meu modo de ver, contribui para que os leigos formem a respeito do samba uma imagem de distanciamento, de rusticidade, de folclorismo. Em que pesem os traços maravilhosos de Lan, se essconde por trás do formato o conteúdo da segregação, de que o samba é um patrimônio guetificado, sectário e restrito a um determinado grupo étnico-social.

Não quero apenas criticar, mas espero ser convencido do contrário.

Opino aqui apenas para contribuir com o debate.

Sinceros abraços,

Eugenio
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